Greve geral na Espanha

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Quatro milhões e meio de desempregados, 20% da população ativa, correspondente ao dobro do percentual de desempregados em toda a Europa. Um crescente contingente de subempregados, numerosos pequenos negócios familiares, vastas legiões de imigrantes sem documentação dedicados ao comércio ambulante informal que vivem sobressaltados devido à tenaz perseguição policial, à perda de múltiplas conquistas dos trabalhadores nos âmbitos do serviço social, saúde e educação. Todos esses fatores são a marca do contexto que vive o grosso do povo na Espanha, que por sua vez constitui o pano de fundo da greve geral do último 29 de setembro.

Uma verdade inocultável e asfixiante que exigiu das maiores centrais operárias ibéricas, a União Geral dos Trabalhadores da Espanha (UGT) e a Confederação Sindical de Comissões Operárias (CCOO), a convocação do protesto popular em toda a Espanha. Se puseram em movimento após oito anos de ostracismo e contenção da efervescência popular, buscando não evidenciar seu papel vendepovo, sobretudo quando a gota d'água é a nova legislação trabalhista, que aprofunda a exploração e ataca drasticamente os benefícios sociais dos "afortunadamente" empregados.

A paralisação foi contundente desde as primeiras horas do dia, desde as cidades espanholas de Ceuta e Melilla, no continente africano, até os povoados e cidades do norte na Galícia, País Basco e Astúrias, entre outros. Em Madri e Barcelona 85% do transporte foi paralisado. Sobretudo em Barcelona, onde se registrou a maior paralisação e os maiores protestos nas ruas, cerca de 100% dos operários das indústrias aderiram à greve. Lá também houve enfrentamentos diretos de manifestantes com os grupos de repressão policial da Catalunha, denominados os "Mossos d'Esquadra". Os confrontos deixaram um saldo de cerca de uma centena de presos e aproximadamente uma centena de feridos. Um veículo da guarda urbana foi queimado durante os protestos. Uma missão especial dos esbirros de elite foi a proteção do edifício da Bolsa de Barcelona, um dos principais ícones do capital na Espanha, onde se postaram armados até os dentes.

Um tom peculiar da jornada de protesto foi dado por cerca de quinhentas pessoas que dias antes da deflagração da greve haviam ocupado o edifício do antigo Banco Banesto, em pleno coração da praça Catalunha. No dia da greve os "okupas" — como se denominam aqueles que tomam edifícios com fim de moradia — se manifestaram com uma série de pinturas e grafites no edifício, entre as quais se destacavam algumas inscrições como "Isto não é crise, é o capital".

Esta greve geral, a primeira enfrentada pelo governo de José Luis Rodriguez Zapatero, coincide com atos similares de protesto na Europa, particularmente na cidade de Bruxelas, contra as ditas medidas de austeridade que vêm sendo aplicadas em toda a União Europeia.

Uma vez culminada a jornada de protestos, Zapatero, com sua costumeira demagogia, desta vez traduzida em cifras, anunciou a criação de mais de 40 mil empregos em 2011, assim como disse que reduziria seu salário presidencial para 6.512 euros ao mês, e que a "Casa Real" — os reis espanhóis — contarão com 8,43 milhões: um 15% e outro 5,2% menos do que recebiam antes. Para o batalhão de desempregados, esta notícia soa como um gesto ridículo e um cínico "apertar de cinto".

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