Institutos de pesquisa, sem margem de erro, servem ao capital

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Os institutos de pesquisa, que durante a última campanha eleitoreira divulgaram sondagens de intenção de votos dia sim, dia não, usam "metodologias pouco científicas" para prever os resultados das sucessivas farsas eleitorais. Mas essa é a crítica que lhes fazem os partidários deste ou daquele candidato, conforme os resultados divulgados sejam desinteressantes para esta ou aquela fração do partido único, como se as "eleições livres" sob o imperialismo fossem algo legítimo e os institutos de pesquisa fossem agentes de fama duvidosa a manchar-lhes a reputação.

O que pouco se fala é que a ligação dos institutos de pesquisa com a grande burguesia, os grupos de poder e com a figuras do velho Estado, além dos interesses econômicos destas organizações, que são empresas capitalistas como outras quaisquer, conferem-lhes nenhuma legitimidade ou autoridade para traduzir em porcentagens a vontade das massas trabalhadoras, descredenciam-nos categoricamente para transformar em dados os anseios do povo, com ou sem margem de erro.

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O maior destes órgãos funcionais às classes dominantes, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, Ibope, é historicamente ligado ao carro-chefe do monopólio das comunicações, as Organizações Globo, o que significa que uma das suas maiores contratantes e fontes de receita é a velha inimiga do povo e porta-voz máxima das classes reacionárias.

Antes disso, o Ibope serviu ao gerenciamento militar – e, logo, ao imperialismo – ao divulgar uma "pesquisa" menos de dois meses após o golpe contra o presidente João Goulart, em 1964, mostrando que 70% dos entrevistados diziam que a situação do Brasil "agora ia melhorar" e que a deposição de Jango era considerada benéfica para o país por 54% dos brasileiros.

Uma das questões que o Ibope diz ter apresentado aos entrevistados naquela ocasião foi a de quais problemas deveriam ser resolvidos com maior urgência pelos gorilas do gerenciamento militar, incluindo como opção de resposta o item "expurgo dos comunistas", que teria sido escolhido por 25% das pessoas ouvidas, ficando abaixo apenas do combate à inflação (29%).

Oráculos das classes dirigentes

Naquela feita, segundo o Ibope, a cassação de deputados comunistas movida pelo gerenciamento militar foi aprovada por 74% dos inquiridos, e a prisão de líderes sindicais com vertente revolucionária tinha a anuência de 72% do povo. Tudo sem mencionar quem encomendou a aferição – e, muito provavelmente, o "resultado".

Além disso, nos últimos dez dias de governo João Goulart, uma outra pesquisa Ibope, essa encomendada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, dava conta de que as medidas populares tomadas por Jango eram aprovadas por 64% dos brasileiros e reprovadas por apenas 20%.

Como explicar que o povo de todo um país mudou de visão em um intervalo de tempo tão pequeno? Foi uma questão apenas de método?

Hoje uma autêntica transnacional, presente em 15 países, o Ibope foi fundado nos moldes do Instituto Gallup, do USA, em parceria com o patronato paulista e após seu criador, Auricélio Penteado, ter sido treinado pelos próprios ianques. O Ibope sempre foi tão reacionário que o seu informe periódico sobre "opinião pública", estatística social, análise do comportamento da imprensa e problemas sociais se chamava "boletim das classes dirigentes".

Assim como o Ibope e seus controladores, a família Montenegro, são parceiros da Globo, os outros três grandes institutos de pesquisa brasileiros são, cada um deles, ligados a outros integrantes do monopólio da imprensa, grupos industriais e associações patronais.

Assim, o Instituto Datafolha pertence ao grupo Folha da Manhã, notório arauto de políticas lesa-pátria. O Vox Populi, por sua vez, atende ao grupo Bandeirantes, entre outras entidades que nada tem a ver com a "voz do povo". Já o Instituto Sensus responde à Confederação Nacional de Transportes, organização presidida por um ex-cobrador de ônibus que ficou milionário por, em vez de defender os interesses daqueles que compartilhavam da sua origem de classe, haver se tornado patrão, dono de empresa de ônibus e de transporte de combustíveis.

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