USA atiça a guerra na península da Coreia

O imperialismo ianque, agonizante, afundando-se na crise geral de superprodução e prostrado diante das resistências às suas ocupações no Oriente Médio e na Ásia Central, parece ter escolhido a península da Coreia como palco para atiçar os primeiros enfrentamentos de fato, no esteio do auge da crise, entre os blocos imperialistas ora em pleno processo de repartilha do mundo e, portanto, em rota de colisão. É a maior potência capitalista do planeta fazendo as honras da materialização a olhos vistos de uma tendência histórica: a de que as contradições interimperialistas se resolvem afundando o mundo em mais guerras injustas.

No último dia 23 de novembro, nós brasileiros acordamos com o monopólio dos meios de comunicação trombeteando a contra-propaganda imperialista: "A Coreia do Norte atacou a Coreia do Sul! A Coreia do Norte atacou a Coreia do Sul!". A notícia era de que durante a madrugada brasileira (já dia avançado no leste asiático) a Coreia do Norte teria disparado mísseis de artilharia contra a ilha sul-coreana de Yeongpyeong, na região da fronteira marítima entre os dois territórios. Não tardou para o USA enviar uma frota de navios de guerra para o mar Amarelo, incluindo o porta-aviões nuclear George Washington.

Logo os "analistas" começaram a cacarejar, ainda que sem citar exemplos, a respeito de como é muito comum em "ditaduras" como a da Coreia do Norte o fomento da guerra em tempos de sucessão, a fim de fortalecer o comando de quem vai assumir o poder sobre as forças armadas. Há poucas semanas, Kim Jong Il anunciou oficialmente a intenção de fazer de seu filho mais jovem seu sucessor. "Especialistas" recrutados para confirmar a versão do status quo apareceram dizendo que Pyongyang atacou para depois negociar a paz em condições mais vantajosas.

A TV e os jornais repercutiram ainda a mensagem da Casa Branca de que Obama "foi acordado" durante a madrugada para ser informado sobre a crise entre as Coreias, em um claro estratagema para tentar fazer crer que o chefe de turno do imperialismo realmente não sabia de nada sobre as provocações dirigidas ao norte pelos seus lacaios que gerenciam a Coreia do Sul, onde há 28 mil soldados ianques estacionados, a postos para o ataque.

Cinco fatos para desmentir o imperialismo

O que o monopólio internacional da imprensa, incluindo o seu braço que opera no Brasil, pouco mencionou em meio às notícias sobre o fogo cruzado entre as duas Coreias foi que:

1A "crise" entre as Coreias explodiu apenas dois dias depois de um inspetor ianque chamado Stephen Bosworth ter saído da Coreia do Norte corneteando aos quatro ventos que Pyongyang se encontra em um estágio avançado de enriquecimento de urânio, e de o jornal The New York Times ter publicado uma entrevista com um renomado professor também ianque na qual ele diz que foi testemunha do "assombroso" progresso norte-coreano em termos de tecnologia nuclear. Tudo indica que ambos ajudaram a preparar o terreno para o recrudescimento das provocações por parte do USA e da Coreia do Sul. Após os bombardeios no mar Amarelo,  Bosworth voltou a aparecer dizendo que "foi o Norte quem atacou primeiro".

2As manobras militares anuais que a Coreia do Sul realizava nas litigiosas águas fronteiriças do mar Amarelo envolveram fogo real, o que indica provocação premeditada em uma área de soberania em disputa. Além disso, a Coreia do Norte diz que foi de fato atacada e revidou para se defender.

3Desde antes dos incidentes do dia 23 de novembro o governo de Seul já preparava um plano de evacuação dos sul-coreanos que trabalham na zona industrial conjunta de Kaesong, em território norte-coreano, em um movimento de quem se prepara para a guerra, e não de quem tenta evitar um conflito maior a todo custo, atitude reivindicada pelo "presidente" sul-coreano Lee Myung-bak

4Dois militares sul-coreanos que estavam na ilha de Yeongpyeong morreram e outros 15 ficaram feridos, mas as primeiras informações eram de que os 1,3 mil moradores da ilha saíram ilesos. Segundo os informes oficiais, eles se refugiaram em abrigos ou fugiram de barco, mas tudo indica que eles foram evacuados antes pelo governo de Seul, que já previa as consequências de suas provocações. Depois, com esta hipótese já levantada, surgiram notícias de que militares sob comando de Seul "acharam" dois corpos de civis sul-coreanos.

5O USA está em "guerra cambial" com a China, em apenas uma nuance da disputa entre uma potência decadente e um país com pretensões imperialistas por melhores condições de expansão para os seus monopólios no mundo. Logo após as primeiras notícias sobre a "crise" entre as Coreias, surgiram autoridades ianques cobrando uma posição da China, que exerce influência sobre Pyongyang. Suas contradições tendem a se resolver não mais em cúpulas, nem mais na ponta delas, as baionetas, que são coisa do passado. O imperialismo é a guerra, e a guerra que se anuncia é de destruição em massa.


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