Organizações democráticas do Brasil exigem a libertação de Zhao Dong-min

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Operários, advogados e estudantes de direito realizaram uma manifestação em frente a embaixada da China em Brasília, no último dia 18 de novembro.

72/19a.jpgMobilizados pela Abrapo — Associação Brasileira dos Advogados do Povo, IAPL — Associação Internacional dos Advogados do Povo, Liga Operária e Cebraspo — Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos, os manifestantes protestaram contra a condenação de Zhao Dong-min a três anos de prisão pelo fascista Estado chinês, que vem perseguindo e encarcerando a todos que lutam contra o regime de escravidão e corte de direitos a que são submetidos os trabalhadores no país (ver AND 71).

O embaixador da China no Brasil, Qiu Xiaoqi, negou-se a receber o documento elaborado pelas entidades organizadoras do protesto que proclamava:

"Expressamos ao governo da China os nossos veementes protestos contra a absurda e ilegal prisão e condenação do advogado Zhao Dong-min e reiteramos a exigência dos trabalhadores brasileiros pela sua imediata libertação; a declaração de sua inocência, compensação de suas perdas financeiras e sofrimento mental; além da punição rigorosa dos responsáveis pelas falsas acusações."

72/19b.jpgA delegação de representantes das entidades se postou em frente ao portão da representação da China que permaneceu todo tempo fechada e ao fim da manifestação colocou o documento na caixa do correio.

Os manifestantes entoaram o hino A Internacional durante o protesto e ao final saíram em passeata e com o firme propósito de levar a campanha pela libertação do advogado Zhao Dong-min para as universidades e locais de trabalho.

Trechos de artigo traduzido de chinaworker.infp

Shaanxi

Apoiar Zhao Dong-min, o sindicalista e militante maoísta preso

Shi Chuan

Na quarta-feira, 20 de outubro, o advogado que representa Zhao Dong-min recebeu do Tribunal o veredicto final que proferiu: uma sentença de 3 anos para Zhao, em razão do seu "crime" de "perturbar a ordem social". Zhao já foi transferido da delegacia para a prisão.

Zhao Dong-min foi inicialmente preso devido à sua criação "Congresso das Massas para os sindicatos de empresas públicas e privadas na província de Shaanxi" e sua participação direta nos recursos judiciais coletivos dos trabalhadores das empresas estatais. Foi novamente detido ilegalmente pela polícia quando seu caso chamou a atenção dos maoístas e de outros militantes de esquerda. O governo local agiu como se estivesse enfrentando uma grande força inimiga e prendeu várias pessoas que tinham ido ao tribunal para protestar contra a prisão de Zhao.

72/19c.jpgApós a conclusão da primeira fase do julgamento, vários fóruns de esquerda, dentro da China, continuaram a manifestar o seu apoio e protesto, além dos diversos grupos de apoio a Zhao, que também foram criados em todo o país. Existem petições para a libertação de Zhao, já com mais de 10 mil assinaturas, incluindo maoístas aposentados do Partido Comunista da China (PCCh), trabalhadores desempregados, camponeses que perderam suas terras, militantes de esquerda de Taiwan e de outras partes do mundo.

Em cidades como Luoyang e Zhengzhou, militantes maoístas organizaram vários comícios para apoiar Zhao Dong-min. Em 18 de outubro, a família de Zhao foi a Pequim para se reunir com alguns antigos quadros maoístas aposentados do PCCh, e contratou Li Jinsong, diretor legal da agência Yitong, em Pequim, substituindo Zhao como advogado de defesa baseado em Shaanxi. Li Jinsong é um advogado famoso por defender os direitos dos trabalhadores na China

Talvez, devido a seu medo de uma outra manifestação das massas, o governo local chegou a um veredicto final em segredo dias antes da data inicialmente planejada do segundo estágio da audiência - 25 de outubro -, assim, esse outro "incidente em massa" pôde ser evitado.

Nos últimos anos, diante das enormes disparidades entre os ricos e os pobres, da corrupção desenfreada, bem como da desordem social provocadas pelas "reformas de abertura" capitalista, as massas da China, há muito tempo, já estão prenhes de sentimentos de raiva e indignação. Mas, o regime burocrático do PCCh continua reprimindo brutalmente qualquer tipo de poder social, ou de massa, que possa potencialmente desafiá-lo. Devido a grave desigualdade da renda e da desordem social, entre certas camadas das massas na China, especialmente entre os trabalhadores das empresas ex-estatais, existe um crescente ceticismo contra o regime vigente e um sentimento de saudade dos velhos tempos maoístas. Esse fenômeno é particularmente evidente na "segunda camada" das cidades industrializadas da China, como Zhengzhou, Taiyuan, Luoyang e Xi'an. Os maoístas, nesses locais, sempre realizam comícios e outras atividades, em especial nas datas de aniversário de Mao Tsetung, da República Popular da China e do PCCh, a fim de protestar contra as reformas de abertura capitalistas. Como resultado disto, as forças policiais do governo chinês também mantém uma vigilância muito atenta sobre os maoístas e suas atividades políticas, especialmente aquelas que são relativamente organizadas.

Desde a prisão de Zhao Dong-min e de membros do Partido Comunista Maoísta da China (PCMC) no ano passado, houve, este ano, novos confrontos entre as massas Maoístas e policiais em lugares como Zhengzhou e Luoyang.

Nos opomos firmemente às ações do regime atual do PCCh e sua violação dos direitos básicos democráticos da classe trabalhadora chinesa e das massas em geral, bem como da supressão dos movimentos dos trabalhadores em toda a China. Apoiamos também as atividades de Zhao Dong-min e outros ativistas que promovam os direitos dos trabalhadores das comunidades de base e das organizações.

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* Para obter mais informações sobre o caso de Zhao Dong-min, consultar o relatório publicado, em 28 de setembro, pelo Chinaworker: O Caso de Zhao Dongmin em Shaanxi: Estado da repressão na China: o Caso de Zhao Dong-min, sindicalista de esquerda

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