Imperialismo quer abater o Wikileaks

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Chama-se Wikileaks uma página na internet que no último dia 22 de outubro publicou o maior vazamento de informações militares confidenciais de toda a história. São exatos 391.832 documentos sobre a invasão e a ocupação do Iraque datados de 1º de janeiro de 2004 a 31 de dezembro de 2009. Os relatórios militares divulgados para o público pelo Wikileaks mostram que neste período 109.032 pessoas morreram no Iraque em função da ocupação imperialista.

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Julian Assange, fundador do Wikileaks, exibe exemplar do The Guardian com a manchete sobre os documentos secretos

No léxico dos assassinos, os mortos foram 66.081 "civis" (mais de 60% do total, com uma média de 31 "civis" mortos a cada dia entre 2004 e 2009), 23.984 "inimigos" (rotulados como "insurgentes"), 15.196 homens das forças do governo iraquiano e 3.771 baixas entre os invasores.

O Wikileaks já havia divulgado cerca de 77 mil documentos secretos sobre a invasão imperialista do Afeganistão, que entre outras revelações desmascarou uma unidade secreta de assassinos do exército ianque chamada Task Force 373, que chegou a executar sete crianças afegãs em uma única operação.

O fundador do Wikileaks, o australiano Julian Assange, de 39 anos, disse no início de novembro que cogita pedir asilo político na Suíça em função das crescentes "pressões" (leia-se: ameaças) que vem recebendo desde que seu site publicou milhares de documentos secretos do exército do USA.

Ele, na verdade, já teve um pedido de asilo político negado pela Suécia, país que, enquanto integrante da Otan, é cúmplice das agressões do USA na Ásia Central, inclusive com cinco baixas entre os seus recrutas desde o início da operação "Liberdade Duradoura" no Afeganistão. Nem mesmo a legislação sueca, generosa com denunciadores, falou mais alto do que a lealdade da gerência nórdica ao imperialismo ianque.

Ao contrário: no último dia 20 de novembro a Interpol confirmou que recebeu na Suécia uma ordem internacional de prisão contra o fundador do Wikileaks por causa da "denúncia" de duas mulheres que apareceram acusando Assange de estupro. Nunca é demais lembrar que foi da Academia Sueca que saiu o prêmio Nobel da Paz para o sanguinário Barack Obama, e para tantos outros com tantas mortes nas costas que, não obstante, sempre encherem a boca para falar da vida.

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Wikileaks tem material sobre o Brasil

72/17b.jpgAgora, Julian Assange promete publicar em breve no Wikileaks um novo lote de 15 mil documentos confidenciais que relatam detalhes das atrocidades cometidas pelas tropas ianques no Afeganistão e minúcias de gabinete sobre as relações diplomáticas do USA com os países que lhe são cúmplices nos crimes contra os povos do mundo.

Foi o suficiente para que todo o alto escalão da administração Obama corresse para dirigir intimidações a Assange, em um esforço para tentar impedir que a verdade sobre as agressões do imperialismo ianque venha à tona. O secretário de Defesa do USA, Robert Gates, remanescente da administração Bush, só faltou dar voz de prisão ao fundador do Wikileaks com base na lei ianque de segurança nacional, ao dizer que a divulgação de documentos confidenciais pelo site ameaça "os soldados norte-americanos e aliados" e terá "consequências potencialmente muito graves".

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, seguiu a mesma linha de ataque, dizendo que a publicação de novos arquivos sobre o Afeganistão irá "ajudar o inimigo".

Os rumores de que a nova leva de documentos prometida por Assange traria relatos inconvenientes sobre as relações do USA com seus aliados levou o Parlamento Europeu a incluir a questão do Wikileaks entre as prioridades na pauta da cúpula USA-União Europeia que se realizou em Lisboa no final de novembro.

Por causa de tudo isso Julian Assange não dorme mais duas noites seguidas no mesmo lugar, paga todas as despesas em dinheiro, muda frequentemente de aparência e a toda hora troca o número do seu celular.

Perguntado pelo jornal O Estado de S.Paulo sobre se o Wikileaks tem material sobre o Brasil que poderá ser publicado em breve, ele respondeu:

"Sim. Não posso dizer de quem se trata. Sabemos que parte da informação que temos sobre o Brasil poderia ter abalado as pretensões eleitorais de algumas pessoas. Mas não conseguimos ter tempo de publicar o material antes, diante de todo o caso do Iraque".

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