O que virá ainda será o mesmo do que se foi

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A posse da nova gerente do Estado brasileiro para dar prosseguimento à administração PT/FMI não promete novidades. Passadas as eleições, vão caindo pouco a pouco os mitos difundidos pelos marqueteiros que venderam a candidata ao eleitorado.

 Tal como Luiz Inácio em 2003, ela inicia seu gerenciamento fazendo juras de amor eterno ao capital financeiro e dando patentes demonstrações de seu amor através de medidas concretas para reduzir os "gastos públicos", contingenciando o orçamento e tomando medidas para frear a inflação e assim garantir a continuação da farra dos especuladores em nosso país. Também inicia seu gerenciamento com uma visita à matriz do império onde receberá as devidas recomendações de Barack Obama.

Os penduricalhos da faixa presidencial

Dilma Roussef recebe de Luiz Inácio a faixa presidencial, ou gerencial, para ficar mais claras suas funções, com a série de penduricalhos, como a dívida pública na casa de R$ 1,8 trilhão, a inflação em alta, o déficit nas transações correntes, a desindustrialização em marcha acelerada, as obras do PAC inacabadas, entre outras. A "marolinha" prometida por Luiz Inácio se transformou pouco a pouco no tsunami em que os efeitos da crise geral do capitalismo chegaram ao Brasil. Como o AND tem afirmado, desde o início da crise no USA em 2007/8, as colônias e as semicolônias é que serão chamadas a pagar a conta da crise do imperialismo, como de fato o Brasil já começou a pagar, transferindo bilhões de dólares sob as mais diversas rubricas, tais como remessa de lucros das montadoras, potencializadas pelo alongamento dos prazos do crediário e da renúncia fiscal, as maiores taxas de juro do mundo oferecidas aos especuladores, os portos escancarados às importações, além de pagar para manter suas reservas em dólar nos cofres ianques.

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As falsas promessas de campanha começam a sucumbir diante de desculpas ancoradas na "governabilidade responsável". Assim, o ministro Mantega diz ser impossível pagar um salário mínimo de mais de R$ 540,00 e que sua fórmula para diminuir a inflação é excluir de seu cálculo as variações nos preços dos combustíveis e dos alimentos. O Sr Gabrielli, presidente da Petrobras, diz que a exploração do pré-sal deve ser a médio prazo, pois a indústria nacional e até mundial não dispõem de equipamentos suficientes para a demanda do pré-sal. O eleitoreiro PAC2 também ficará para quando "deus der bom tempo". Enquanto isso, as legiões de miseráveis, promovidas ou não, pela propaganda mistificadora, à classe C ou D, clamam por comida, moradia, educação, saúde, enfim, clamam pela vida que lhes foi prometida na campanha eleitoral.

Toma que o Sarney é nosso

Desde quando a mutreta do mensalão veio a baixo, a construção da base aliada de sustentação à administração PT/FMI teve que se dar a partir da incorporação dos picaretas de todos os matizes à maquina administrativa. O gerenciamento do oportunismo teve que assumir compromissos eleitoreiros com esta mesma apodrecida escória que agora cobra a fatura.

Temer, Sarney e as velhas raposas do parlamento não deixam por menos os seus serviços em prol da governabilidade e emplacam no ministério suas múmias como Moreira Franco, Garibaldi Alves, Edison Lobão, Pedro Novais, todos prontos a acobertarem as negociatas da velha e carcomida oligarquia.

Para evitar qualquer surpresa, o velho e corrupto PMDB saltou à frente e construiu uma coligação com a escumalha de partidos da podre base aliada, conformando um bloco capaz de dar as cartas no congresso e, na prática, direcionar as ações do gerenciamento na base do toma lá da cá.

Se algum petista tinha a ilusão de que o gerenciamento de Luiz Inácio seria a transição para um efetivo gerenciamento petista, pode tirar o cavalo da chuva, pois o gerenciamento de Dilma Roussef, pelos compromissos assumidos com o imperialismo, com a grande burguesia e com o latifúndio de velho e novo tipo não produzirá nada mais do que mais do mesmo que foi o gerenciamento de Luiz Inácio que, por sinal, promete não desencarnar. O programa aprovado no ultimo congresso do PT continuará como peça demagógica a engabelar os ingênuos e noviços da política.

Tudo para servir ao capitalismo burocrático

A falsa contradição entre estatismo e mercado, ensaiado no discurso petista, na verdade, só encobre seus compromissos de dar continuidade ao desenvolvimento do capitalismo burocrático em nosso país. Tentam, pois, encobrir o caráter de classe do velho e apodrecido Estado brasileiro, no fundo dominado pelas mesmas forças que dominam o mercado, ou seja, a grande burguesia e o latifúndio, serviçais do imperialismo.

Bastante representativo deste falso dilema é a polêmica desenvolvida através das páginas do jornal Folha de São Paulo entre o cineasta Luis Carlos Barreto e o maestro John Neschling a respeito da política cultural do próximo gerenciamento petista.

O trecho a seguir é de autoria do maestro, que defende a permanência de Juca Ferreira à frente do Ministério da Cultura:

"Barreto é o tipo de produtor artístico que Berlusconi tem como ideal para o século 21, aquele que recebe as benesses do Estado, mas o isenta da enfadonha responsabilidade de pensar a cultura e apresentar democraticamente propostas definidas de política cultural.

Evidentemente que, com esse perfil, Barreto jamais apoiará um ministro como Juca Ferreira. Ferreira representa um tipo de político que encara o Estado como um pensador e enunciador de política cultural, com projetos definidos, e que chama para si a responsabilidade de viabilizar aquilo que o mercado jamais terá interesse em realizar."

O equívoco do maestro é pensar que o Estado no capitalismo pode estar livre do mercado. Assim, caro maestro, um "Estado como um pensador e enunciador de política cultural, com projetos definidos, e que chama para si a responsabilidade de viabilizar aquilo que o mercado jamais terá interesse em realizar" só será possível após uma revolução de nova democracia ininterrupta ao socialismo. Bom, mas isto escapa ao campo de interesse do oportunismo, sendo tarefa das massas que se organizam de forma cada vez mais consciente e independente de toda a corporativização produzida pelo gerenciamento PT/FMI, e que mais cedo do que se pensa construirão a vanguarda capaz de dirigi-la neste glorioso processo.


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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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