Dilma intensifica arrocho salarial com aval da pelegada

A- A A+

Com a aprovação pelo Congresso Nacional do novo valor do salário mínimo de R$ 545,00, intensifica-se a política de arrocho salarial no país. Não apenas pelo motivo de que o salário mínimo, segundo calculo do Dieese, baseado no princípio constitucional, deveria estar na faixa de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais), mas pelo fato de que o mesquinho reajuste não repõe a real inflação sobre os salários, principalmente os mais baixos, que é o caso da maioria dos trabalhadores.

03-a.jpg (450×327)

Isto acontece porque o peso dos alimentos nos gastos das famílias de baixa renda é muito maior do que nas que recebem  médios e altos salários. A situação se agrava quando o método de apuração da inflação pelo governo dilui a inflação dos alimentos entre mais de 400 itens, a maioria dos quais não é consumida pelo trabalhador de baixa renda.

Antes de assumir o gerenciamento do velho Estado brasileiro, o oportunismo petista e pecedobista era useiro e vezeiro em propagandear o valor do salário mínimo calculado pelo Dieese. Hoje, usa dos mesmos ensebados argumentos que combatia no passado: que o aumento dos salários pode provocar inflação, que a previdência vai quebrar, que as prefeituras não suportarão o aumento, etc.

Chantagem

Um congresso composto por políticos corruptos saídos de mais uma farsa eleitoral, representantes das oligarquias regionais, de corporações empresariais do país e transnacionais, sequiosos por cargos e liberação de emendas: foi a melhor condição para que Dilma Rousseff empregasse o método da chantagem para obter a aprovação de seu projeto. Ou vota ou fica sem os carguinhos tão perseguidos para fazer seus negócios dos quais extraem as verbas para bancar a próxima eleição. Dilma usou ainda a liberação das emendas ao orçamento dos congressistas mais recalcitrantes. Isso quando já havia anunciado o corte da ordem de 50 bilhões de reais do orçamento.

Como vacas de presépio, balançaram suas cabeças afirmativamente à imposição da gerente de plantão. No dia seguinte, a imprensa dos monopólios alardeava a primeira vitória parlamentar de Dilma.

Uma exigência da crise

Na verdade, comemorava-se a vitória do FMI e do Banco Mundial e dos especuladores nacionais e estrangeiros, de onde partiu a determinação de arrochar o salário dos trabalhadores.

A decisão de fazer o contingenciamento de R$ 50 bilhões no orçamento da União para o ano de 2011, também, está dentro das mesmas exigências dos organismos estrangeiros dirigidos pela banqueirada. Para eles, o fundamental é garantir os recursos a serem transferidos pelo país sob as mais diversas formas, mas principalmente sob a forma de pagamento da dívida e dos juros obtidos nas aplicações nos títulos públicos e outras formas de especulação.

Como já afirmamos neste espaço, a crise econômica mundial, no sistema imperialista, cobra das colônias e semicolônias o pagamento dos prejuízos de suas apodrecidas instituições financeiras. No caso do Brasil, há muito tempo que ela já se fazia sentir. Entretanto, por tratar-se de ano eleitoral, as providências recomendadas foram adiadas para não atrapalhar a eleição da "companheira" Dilma.

O contingenciamento de ponderável parcela do orçamento nem de longe atingirá os privilégios da burocracia petista, nem dos parlamentares que acabaram de aprovar um super reajuste em sua remuneração. Ela recairá, basicamente, sobre as condições de vida da população mais pobre, sob a forma de degradação cada vez maior do sistema de saúde e do sistema educacional, além do adiamento e ou cancelamento de obras de saneamento, da construção de moradias e da melhoria do sistema de transporte.

Pelegos de rabo preso

A encenação promovida pela pelegada governista não convenceu a ninguém. Suas caravanas a Brasília e seus discursos  no plenário das comissões do congresso só servem para desviar a luta do terreno em que ela deve ser travada: o chão da fábrica, a greve geral e manifestações de rua. O jogo de faz de contas dessa canalha só aprofunda o seu desgaste. Os trabalhadores estão prestando atenção e cada vez mais cientes de que as centrais sindicais corruptas e pelegas ao extremo não representam os seus interesses, e que com a sua compra por Luiz Inácio com recursos do Imposto Sindical, toda essa burocracia sindical tornou-se inimiga de morte dos trabalhadores.

Greves e rebeliões

Independente dos pelegos das centrais sindicais, os trabalhadores, empurrados pelas circunstâncias, travam a luta no seu espaço de trabalho e organizam greves cuja principal reivindicação é um reajuste salarial que cubra a inflação dos alimentos e o respeito aos direitos assegurados na CLT.

Outro fenômeno que tende a se intensificar são os levantamentos e manifestações nos bairros populares contra o descaso dos gerentes de plantão em relação às condições de vida. É o caso, por exemplo, das áreas atingidas por enchentes e deslizamentos as quais, após os dias de sensacionalismo na imprensa, são abandonadas à própria sorte e seus moradores se organizam em protestos cortando estradas e ruas e queimando pneus e móveis estragados.

Mesmo recebendo em troca a violência policial o povo pobre cada vez mais toma consciência do direito de lutar pelos seus direitos e será no fogo destes embates que perceberão na exploração do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo a raiz de seus males e os do país. A elevação de sua consciência levará parcela cada vez maior do povo a engrossar as fileiras dos que dirão não à farsa eleitoral nas próximas eleições e se dirigirão para as batalhas cada vez mais radicalizadas. O oportunismo no poder tenderá a esgotar o seu arsenal de enganações chegando, finalmente, ao completo desmascaramento diante das massas. 


Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja