Impasse do imperialismo na Líbia

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O desenrolar dos acontecimentos no mês de abril na Líbia atacada pela aliança militar transatlântica mostra que o que transcorre naquele país é de fato uma corrida protagonizada pelas potências imperialistas pela primazia dos seus respectivos monopólios na exploração do petróleo líbio de baixo custo de produção, tudo no esteio das revoltas populares contra a administração do reacionário Muammar Khadafi e a subsequente instrumentalização dos levantes do povo local, carentes de lideranças consequentes, pelos oportunistas e traidores que se apressaram a fazer acordos com as potências, sobretudo com a França, para a reestruturação do Estado burocrático líbio.

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Após bombardeio da Otan em Trípoli, milhares de líbios sairam às ruas em protesto anti-imperialista

Enquanto USA, França e outros países assumiram abertamente a tarefa de agressão ao povo Líbio em nome de uma suposta "ajuda humanitária", outras potências, como a Rússia, Alemanha e China, se esquivam e utilizam outras maneiras de pressão, que ainda não são militares, para evitar que tudo caia nas mãos ianques ou francesas.

Neste contexto, Khadafi vem se esmerando em uma tarefa hercúlea, que não é a da defesa da soberania nacional líbia, mas sim a de forçar o imperialismo em geral a se sentar numa mesa de negociações para vender caro sua saída, a divisão do país, ou até mesmo sua permanência, oferecendo em troca privilégios na exploração dos recursos naturais do país.

Prova maior disso foi a carta que o acuado Khadafi enviou a Obama no dia dia 6 de abril, pedindo o fim dos bombardeios sobre a Líbia, dizendo que os ataques representavam uma guerra injusta contra um país em desenvolvimento, e acenando com a possibilidade de uma saída vantajosa para si próprio e para os ianques: "mesmo que, Deus não permita, haja uma guerra entre a Líbia e a América, você continuará a ser meu filho e eu ainda te amaria".

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Complexo residencial-administrativo de Kadafi bombardeado: 45 feridos

Em outra carta, essa dirigida a Sarkozy e outros chefes do imperialismo europeu, Khadafi endureceu as palavras: "a Líbia não é de vocês!".

Houve ainda apelos de Khadafi a Rússia e China para que interviessem na ONU e demais organismos da "comunidade internacional" em prol de negociações. O fato é que o tempo corre a favor de Kadhafi, já que a virtual incapacidade de derrotá-lo militarmente obriga as demais forças a tratar dos acordos.

Ocorre que a situação na Líbia estacionou em um impasse, já que nem os "rebeldes", nem as forças de Khadafi dispõem de poderio suficiente para trinfar sobre o adversário, mesmo com a chuva de foguetes lançada pela coalizão imperialista em favor dos "rebeldes". No dia 15 de abril, o próprio Obama admitiu esse impasse, mas disse que ainda não via necessidade de o USA retomar a participação direta nos ataques da Otan, como se a Otan não fosse dirigida pelo imperialismo ianque.

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Povo paga a conta do impasse

Diante do impasse cada vez mais nítido, no dia 19 de abril a Grã-Bretanha anunciou que enviaria militares ao território líbio para "aconselhar" as forças anti-Khadafi. Logo depois, França e Itália anunciaram que fariam o mesmo. No dia 22 de abril, o ex-candidato à chefia do imperialismo ianque John McCain, do partido Republicano, notório instrumento das transnacionais ianques do petróleo, foi pessoalmente à Líbia negociar com os "rebeldes".

Vendo todas as articulações das potências europeias e até do grupo de poder rival no cenário interno do USA junto aos "rebeldes" líbios, a administração Obama, enfim, decidiu voltar à carga contra Khadafi. No dia 22 de abril, o secretário ianque de Defesa, Robert Gates, anunciou as primeiras operações de aviões teleguiados do USA na Líbia. Na mesma data, o chefe do Estado Maior do USA, Mike Mullen, disse que a guerra na Líbia "caminha para um empate de forças".

No dia 24 de abril, Mustafá Abdel Jalil, o cabeça da "oposição" da Líbia, alçado a "presidente" da "Comissão Nacional de Transição", disse que o governo do Kuwait — títere do USA — forneceu à entidade US$ 180 milhões, a título de pagar os salários de seus membros.

Na madrugada do dia 25 de abril, a Otan bombardeou o complexo residencial-administrativo de Khadafi, no centro de Trípoli, ferindo pelo menos 45 pessoas, em mais um fato que desmente o ronrom das potências de que a zona de exclusão aérea e as ações militares na Líbia intentam única e exclusivamente "proteger os civis". Aquela madrugada foi de ataques com mísseis a vários bairros da capital líbia. No sábado, os bombardeiros da Otan já haviam deixado 36 mortos.

O bombardeio ao complexo de Khadafi destruiu o prédio onde, dias antes, Khadafi havia negociado com uma "missão de paz" da União Africana.

Enquanto isso, o povo líbio paga com sangue a conta do impasse imperialista. Organizações auto-proclamadas de "defesa dos direitos humanos" dizem que só na cidade de Misrata, a terceira maior da Líbia, mais de mil pessoas já morreram em consequência dos enfrentamentos entre os "rebeldes" armados e assessorados pelas potências e as forças leais a Khadafi.

A falácia de que o imperialismo não avejava civis e de que não tinha a intenção de assassinar Khadafi foi por terra no dia 30 de abril, quando um bombardeio da Otan a um conjunto residencial em Trípoli matou um dos filhos, Saib, al-Arab Khadafi, e três netos de Khadafi. Nos protestos que se seguiram, classificados como "distúrbios" pelo monopólio dos meios de comunicação, a população de Trípoli atacou as embaixadas e residências diplomáticas da Inglaterra e da Itália. A ONU, covarde como sempre, anunciou a retirada de seu pessoal da porção do país controlada por Khadafi.


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