A oligarquia financeira elimina Strauss-Kahn

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A prisão do diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn (DSK), é exemplo emblemático da tirania imperial anglo-americana. Há dois fatores a explicar a aceitação ou a indiferença diante desse fato: a desinformação e a covardia.

Embora o FMI ainda não tivesse modificado substancialmente as draconianas condições a que submete os países endividados, DSK vinha propondo linha diversa dessa: em vez das receitas do Consenso de Washington, DSK vinha recomendando controles de capitais pelo Estado e políticas para reduzir o desemprego, evitando, inclusive, as privatizações.

Apontou a liberalização das finanças e dos mercados como responsável pela proliferação da crise iniciada em 2007/2008, prestes a se manifestar de novo, de forma ainda mais grave.

Além disso, DSK liderava as pesquisas para a eleição para a presidência da França, à frente de Sarkozy, seu atual ocupante, ligadíssimo à oligarquia anglo-americana e protegido de seus serviços secretos.

Armado o escândalo, a mídia linchou DSK sem parar. O Secretário do Tesouro dos EUA, Geithner, homem de Wall Street, pediu a exoneração de DSK de seu cargo no FMI, já no dia seguinte ao da prisão. 

O prefeito de Nova York, Bloomberg, também se apressou em fazer carga contra DSK. Strauss-Kahn foi liberado, pagando fiança, no valor de US$ 1,6 milhão, pouco após renunciar a seu cargo no FMI. 

Milhões de pessoas, mundo afora, desinformadas dos métodos policiais e dos serviços secretos dos EUA, ecoam suposições de assédio sexual e até estupro. Não cogitam da possibilidade de DSK estar sendo submetido a humilhações, danos morais e materiais, reputação destruída, sem ter cometido nada daquilo.

Essas pessoas não pensaram nos motivos lógicos: 1) Strauss-Kahn contrariou os banqueiros "credores" das dívidas de países europeus; 2) ameaçava a reeleição de Sarkozy. Em contraste, os membros e servidores da oligarquia fizeram mil fraudes nas finanças mundiais e não foram punidos, apesar de terem causado a brutal depressão da economia, duplicando o número de desempregados, suprimindo benefícios sociais e fazendo dezenas de milhões de pessoas entregarem suas casas aos bancos.

A falsa crença na democracia estadunidense — formada através da lavagem cerebral, em âmbito mundial, — ignora a realidade ali implantada: o estado policial a serviço da oligarquia.

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Os EUA tornaram-se um estado policial de há muito, e mais ainda após setembro de 2001, quando implodiram as torres gêmeas e fomentaram o terror na população, para, inclusive, "justificar" as agressões ao Afeganistão e ao Iraque.

Já havia os serviços secretos complotados no assassinato do presidente John Kennedy, em 1963, no de Robert Kennedy (1968), e no do Papa João Paulo I (1978). Sem falar em Luther King e Malcom X.

Ninguém tem condições de saber se aconteceu o atentado sexual atribuído ao diretor-geral do FMI. Não houve flagrante. Passaram-se três horas entre o alegado atentado, no hotel cinco estrelas, e a comunicação à polícia. Só depois de o advogado de DSK ter informado que este deixara o hotel antes do horário em que a polícia disse ter havido o atentado, esta o retificou. DSK não foi ali confrontado com a camareira nem com testemunhas.

Um ex-chefe da segurança do Rio Palace, da rede Sofitel, observou-me ser impossível ter havido estupro, pois a camareira não entra e fecha a porta, e a supervisão sabe exatamente onde ela está.

A repórter Noemi Wolf, que cobre crimes sexuais em N. York há 23 anos, disse, em artigo, nunca ter visto os procedimentos aplicados contra DSK. O devido processo legal foi totalmente violado.

O jornal London Evening Standard publicou, em 18 de maio, que DSK falara, duas semanas antes, com jornalistas do Libération, de Paris, sobre possível armação contra ele, em que ofereceriam 500 mil a 1 milhão de euros a uma mulher, alegando estupro.

Strauss-Kahn nunca fora acusado disso, e é inverossímil que iniciasse, aos 62 anos, carreira de tarado. Ademais, não sendo atleta nem mestre de arte marcial, não teria como controlar ou fazer desmaiar uma mulher de 32 anos, com pleno tônus muscular.

Julian Assange também foi acusado de crime sexual por duas mulheres na Europa. Assange é o fundador do Wikileaks. O que ele tem em comum com DSK? Desagradou a oligarquia financeira. O mesmo que o ex-Procurador-Geral e ex-Governador de Nova York, Eliot Spitzer, que se notabilizou por coibir falcatruas dos financistas de Wall Street.

Em artigo de 28 de julho de 2008, no GLOBAL RESEARCH, dizia Daniel Tencer:

"Segundo Ratigan, o FED trocou maus créditos bancários por US$ 13,9 trilhões em dinheiro, dados aos bancos em apuros. Spítzer construiu reputação como ‘o xerife de Wall Street’ por ter, quando procurador-geral, perseguido seriamente os crimes empresariais e depois renunciou ao cargo de governador do Estado por causa de revelações de que pagou prostitutas. Spitzer pareceu concordar com Ratigan em que o resgate daqueles bancos representa o maior roubo e a maior ocultação de crime de todos os tempos."

Vale a pena ler artigo de Paul C. Roberts, de 18 de maio de 2011, "The Strauss-Kahn Frame-up: The American Police State Strides Forward", no site "Global Research". Roberts ocupou alta posição na equipe econômica de Ronald Reagan.

Roberts cita Joseph Stiglitz, prêmio Nobel, ex-diretor do Banco Mundial e crítico dos desmandos que levaram ao colapso em 2007-2008, e também declarações de DSK sobre o sistema financeiro, as quais implicavam sua sentença de morte. Fontes próximas a serviços de inteligência dos EUA indicaram que os maiores banqueiros da Europa estariam por trás da trama. 

A brutal prisão de Strauss-Kahn constitui marco na questão de se a oligarquia anglo-americana continuará desfrutando de seu poder tirânico sem objeção efetiva a seus delitos de índole nazista. 

Os franceses devem exigir a liberação de DSK, insurgindo-se contra a absurda detenção do diretor-presidente de instituição financeira internacional, com direito a imunidades especiais. A questão é se há gente dotada de coragem e de decência ou se vai prevalecer a covardia, somada a interesses de rivais.

Todos os países devem retirar seus diplomatas e funcionários da ONU em Nova York, por falta de garantias para esses exercerem suas atividades. Os latino-americanos têm de retirar-se da OEA, sediada em Washington, DC.

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*Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de "Globalização versus Desenvolvimento", editora Escrituras. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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