G8 se reuniu para tratar de partilha do "mundo árabe"

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Faixa na França: "capitalismo significa guerra"

Os chefes das maiores potências capitalistas mais os dirigentes da Rússia de pretensões imperialistas reuniram-se durante dois dias no final de maio para acertar os detalhes da grande e nova rodada de rapinas nos países do Norte do África e do Oriente Médio que foram varridos por protestos por uma democracia popular, mas que, por falta de uma vanguarda revolucionária ou ao menos de lideranças mais consequentes, tiveram suas velhas estruturas do capitalismo burocrático apenas rearrumadas entre os grupos de poder reacionários, garantindo novos pactos com o imperialismo. Os gerentes "interinos" da Tunísia e do Egito estiveram presentes para participar dos arranjos. Desta forma, os chefes do G8 adiantaram em seu convescote o tamanho do comprometimento com o FMI e o Banco Mundial que será imposto às "democracias florescentes do mundo árabe" em um primeiro momento: US$ 20 bilhões, sendo que a Tunísia e o Egito já "aceitaram" empréstimos da ordem de US$ 3,5 bilhões no total, a título de "ajuda".

Ao mesmo tempo, as potências parecem querer resolver de uma vez a situação na Líbia para moverem suas tropas de lugar. Em comunicado, o G8 defendeu "uma ação do Conselho de Segurança das Nações Unidas" contra a Síria, se a "repressão for mantida no país". Diante do impasse no confronto de forças entre "os rebeldes" líbios financiados e assessorados pelo imperialismo e o exército de Khadafi, as potências já acenam com uma saída honrosa e vantajosa para o "ditador". Um generoso Nicolas Sarkozy, anfitrião da reunião do G8, disse que "há várias opções em jogo" para Khadafi deixar o poder.

Ao mesmo tempo, o USA e as potências imperialistas da Europa tentam convencer a Rússia sob o comando de Putin e Medvedev a entrar entrar na partilha das riquezas que será promovida no balcão de negócios da ONU, em vez de Moscou negociar diretamente com Khadafi. Sarkozy agradeceu publicamente à Rússia por não ter bloqueado a intervenção na Líbia no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, depois, os russos comunicaram que receberam pedidos da França e do USA para "mediar uma solução para o conflito líbio".

Na quinta-feira, dia 26 de maio, surgiu a informação de que a Espanha recebeu uma mensagem do governo da Líbia pedindo que as autoridades ainda de pé de Trípoli e o governo de Madri "cheguem num acordo possibilitando um cessar-fogo". A informação foi divulgada pelo porta-voz da presidência espanhola.

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Khadafi acena outra vez para as potências

A Espanha não integra o G8, mas integra as forças reunidas do imperialismo europeu que ora bombardeiam a Líbia a pretexto de proteger o povo, mas verdadeiramente para assegurar a partilha das jazidas de petróleo entre as transnacionais de bandeiras coincidentes com as da Otan. O porta-voz da presidência espanhola disse que a mensagem foi escrita pelo primeiro-ministro líbio, Baghdadi Mahmoudi.

No mesmo dia do pronunciamento do governo espanhol sobre o recebimento da suposta mensagem oriunda da administração Khadafi, o jornal britânico The Independent chegou às bancas com a informação de a Líbia estava prestes a enviar uma carta aos "dirigentes internacionais" propondo um cessar-fogo. O jornal The Independent afirmou ter tomado conhecimento do conteúdo da carta e chegou mesmo a publicar trechos da mensagem. Um desses trechos da carta supostamente escrita em nome da administração Khadafi diz:

— A futura Líbia será completamente diferente daquela que existia há três meses. Este sempre foi o nosso projeto, mas agora temos que acelerá- lo. Para isso, devemos pôr fim aos combates, iniciar os diálogos, os entendimentos a respeito de uma nova constituição e criar um sistema de Governo que reflita a realidade da nossa sociedade e que esteja de acordo com as exigências de um regime moderno.

Ainda segundo o The Independent, uma fonte do governo britânico teria garantido que as potências capitalistas estariam dispostas a aceitar uma eventual partida de Khadafi para o exílio como solução para o impasse na Líbia. O secretário- -geral da ONU, Ban Ki-moon, já se manifestou nesse sentido, pedindo um "verdadeiro cessar-fogo" e "negociações sérias" para a "transição política" na Líbia.

O desenrolar dos fatos é uma lição para os ingênuos que acreditam que a Líbia de Khadafi é um Estado popular, uma trincheira anti-imperialista. A velha raposa líbia está negociando a melhor saída para si, e não para o povo do seu país. Esse, o povo, vê agora seus justos levantes contra o reacionário Khadafi resultarem, provavelmente, em um acordo bom apenas para seus inimigos. Todos eles: as potências, os monopólios e o chefe da administração antipovo do país.


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