Editorial - A crise começou

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A crise que se desponta no atual gerenciamento, a cinco meses de serviço, é demonstração a mais de quão avançado é o estágio de decomposição do velho Estado semicolonial e semifeudal brasileiro. Nem bem esquentaram seus assentos (outros estão sentados há décadas) e os membros do staff oportunista e a própria Dilma Roussef já se acham à prova na condução do gerenciamento das políticas do imperialismo, do latifúndio e da grande burguesia.

Na tradicional política de cocho na qual se digladiam os grupos de poder capazes de entregar o país todo para garantir a rapa da féria para si, a gerência Dilma já dá mostras, como AND alertou desde antes de sua eleição, de que em momentos de agudas tensões políticas pode precipitar todo o sistema de governo numa crise institucional sem precedentes.

Assim foi quando da votação na câmara dos deputados do projeto do novo Código Florestal elaborado pelo revisionista e capacho do latifúndio Aldo Rebelo. O monopólio dos meios de comunicação noticiou amplamente que a orientação do governo era para que não fosse aprovada a emenda 164, que anistia os desmatadores que haviam sido multados, de autoria de um deputado do PMDB. Para isso, a gerência Dilma necessitava dos votos da chamada "base aliada" e mandou o recado de que quem não votasse com o governo perderia os ministérios loteados.

Palocci, como ministro da Casa Civil, foi o encarregado de transmitir a mensagem por telefone ao vice-gerente Michel Temer. Diz-se que Temer se exaltou e trocou ofensas com Palocci. No dia da votação, o PMDB ajudou a aprovar a "anistia aos desmatadores". Ninguém perdeu ministério nenhum (claro, só por súbita estupidez alguém corta o galho em que se está sentado) e a relação entre PT e PMDB teria ficado abalada pelas ríspidas palavras trocadas.

Dilma e sua camarilha petista, totalmente incapazes de contornar a insatisfação de caciques peemedebistas, não pensou duas vezes em recorrer a seu padrinho e mentor, Luiz Inácio, que prontamente aterrissou em Brasília para, olimpicamente, como é seu estilo, pacificar os descontentes e promover a concórdia necessária à tão necessária "governabilidade" de uma gerência pusilânime, porém oportunista de primeira. E não é que subestimemos uma precoce capacidade maligna dos gerentes de plantão, mas só agora se dão conta donde se meteram. PMDB aliado, Dilma sem traquejo e de frágil saúde, Temer vice-presidente, etc., enfrentarão profissionais da política e do poder putrefatos.

A crise apenas começou, seu desbordamento virá mais adiante.

Não se sabe o que o PMDB levou em troca da paz, mas por ser a sigla aliada de mais peso e a mais bem aquinhoada, não é difícil concluir que abocanhou mais um bom pedaço do loteamento das áreas mais rentáveis da administração "pública".

A crise na aliança que sustenta a gerência oportunista ocorreu quando Dilma estava afastada dos holofotes por causa de uma alegada pneumonia que a fez cancelar vários compromissos e viagens, e no auge das denúncias do vertiginosíssimo enriquecimento "ilícito" contra Antônio Palocci.

As denúncias de que Palocci enriqueceu absurdamente no período desde a sua defenestração do ministério da fazenda de Luiz Inácio em 2006 até seu retorno como ministro da Casa Civil de Dilma foram imediatamente encampadas pelas siglas que se dizem de oposição. Porém, ninguém se atreve a ir fundo nas investigações, porque se essa moda pega, quem se salva no Congresso, no Planalto ou no judiciário? Quem, do governo ou da "oposição", do passado ou do presente, não tem rabo preso?

Novamente isso foi usado pelos plantonistas em escândalos para clamar pelo "fim da corrupção" que é o "maior mal do Brasil", que é um absurdo "alguém enriquecer com informações privilegiadas do governo". Falam como se isso fosse a maior das novidades e o maior dos assaltos ao patrimônio público quando todos os dias, ininterruptamente, propõem e aprovam leis e projetos que dilapidam o patrimônio que deveria ser dos brasileiros. Entregam o território, o petróleo e outros minerais, a produção agrícola, as florestas, todos regiamente recompensados. E fazem isso desde sempre, atendendo a cada desejo de seus patrões.

Ademais, o preço pelo qual qualquer um deles vende seus serviços não deveria ser um problema ético tão grave, porque na sua grande maioria tem ligações umbilicais com grandes empreiteiras, mineradoras, transnacionais, fundos de pensão, isso quando não são eles mesmos sócios, proprietários ou diretores, latifundiários exploradores de força de trabalho escrava, etc. Os poucos restantes são oportunistas que se arvoram em vestais dos bons costumes, mas se dedicam de fato à salvação desse velho e purulento sistema de poder das classes exploradoras.


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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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