Intensas lutas sacodem a Espanha

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Em sua edição passada, AND publicou uma reportagem sobre as lutas na Espanha. Em Barcelona, depois da repressão contra os acampados no dia 26 de maio e a manifestação dos trabalhadores da saúde, as lutas continuaram.

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Os dias 14 e 15 de junho foram dias de intensas mobilizações em Barcelona, assim como em outras cidades da Europa. Dia 15 foi a data em que o parlamento catalão começou a discutir a lei "omnibus" para em breve aprová-la; lei que prevê o corte de verbas na saúde, educação e cultura, além de outras medidas para "flexibilizar" as relações de trabalho.

Mobilizados através das assembleias que acontecem diariamente na Praça Catalunha, mais de cinco mil pessoas marcharam no dia 14 à tarde pelas ruas de Barcelona até a porta do parlamento catalão, sob a consigna de realizar um ato de "desobediência civil para garantir direitos sociais", conforme declarado na página da internet dos acampados (acampadabcn.wordpress.com).

O parlamento catalão se encontra, estrategicamente, dentro de um grande parque. Sabendo das mobilizações, a polícia fechou o parque no dia 14 pela tarde, antes da chegada dos manifestantes. Milhares de pessoas cercaram o parque, montaram acampamento para passar a noite e bloquearam as várias entradas com barricadas. Os manifestantes se dividiram e grupos de cerca de 500 pessoas cercavam cada uma das várias entradas do parque com o objetivo de impedir a entrada dos deputados.

Às 6 da manhã do dia 15, os grupos "antidistúrbios" da polícia catalã (mossos d'esquadra) começaram a atacar os manifestantes que cercavam uma das entradas. Depois dos acontecimentos do dia 26 de maio, em que a polícia agiu com extrema violência e que nem mesmo os políticos mais reacionários puderem defender tal ação publicamente, os mais ingênuos apostavam que, pelo fato da polícia estar completamente desgastada diante da opinião pública, esta não usaria violência contra os manifestantes que estavam bloqueando o parlamento, mas eles, os mais ingênuos, se enganaram.

A repressão, como de praxe, jogou de forma extremamente suja. Pelo fato de estarem muito desgastados, não podiam iniciar um confronto, por isso inseriram policiais à paisana na manifestação. O grupo de policiais disfarçados insinuou um confronto como se fossem parte da manifestação e esta atitude foi a senha esperada pela polícia para iniciar os ataques contra todos, exceto contra os policiais disfarçados. Manifestantes gravaram um vídeo que registra a presença de policiais infiltrados, o vídeo já registrava milhares de acessos no youtube quando foi censurado, no entanto, foi repostado através de outra conta na tarde do dia 17 de junho e até este momento ainda está disponível na seguinte direção: www.youtube.com/watch?v=4BgNIHVJymI.

Depois de muita resistência, a repressão, contando com um efetivo oficial de 400 pessoas, armas de choque elétrico, armas de fogo e cassetetes, desobstruiu um dos portões que dá acesso ao parque. No entanto, outros manifestantes bloquearam com contêineres de lixo a avenida que dava acesso a este portão, o que desencadeou outro confronto.

No fim, os deputados começaram a entrar no parlamento; a maioria chegou dentro dos furgões da polícia, três deles e o presidente do governo catalão chegaram em helicópteros, outros ousaram deixar seus luxuosos veículos nas imediações (para que não fossem danificados) e entraram a pé, um deles foi pintado de vermelho pelos manifestantes e outro foi atingido por jatos de um extintor de incêndio.

Enquanto a polícia reprimia os manifestantes, estes resistiam, se negando a sair das entradas do parque e denunciavam o que havia por trás de tamanha repressão através da palavra de ordem "esta é a democracia de vocês!". Os deputados entraram no parlamento sob os gritos da multidão que dizia "nenhum, nenhum, nenhum nos representa!".

As imagens deste vídeo, disponível no seguinte endereço da internet, contam de forma cronológica o desenrolar da manifestação a partir das 22hs do dia 14: www.youtube.com/watch?v=DOvQ1KMDCBE. Já este outro traz, nos seus primeiros minutos, imagens das manifestações que se formaram em várias partes da cidade e que seguiram todas em direção ao parlamento: www.youtube.com/watch?v=lRxA-iR8m-k.

O monopólio dos meios de comunicação se encontra atordoado e não sabe bem como defender seus patrões e ao mesmo tempo não perder sua máscara. No início das mobilizações, há três meses, o monopólio fingia que o povo não estava se mobilizando. Esta estratégia se mostrou falha na medida em que as mobilizações ficavam mais massivas e que o povo forjava meios para burlar a censura exercida pelos meios mais massivos. Pesquisas apontam hoje um apoio de 80% da população ao movimento.

Depois do dia 26 de maio, a imprensa burguesa fingiu um tímido apoio aos manifestantes, para que, a partir das manifestações no parlamento, sentenciasse que "o povo não apoia mais as manifestações", ou seja, além de já serem conhecidos como manipuladores da "opinião pública", eles reivindicam também como propriedade privada deles a opinião das massas.

Como donos da verdade, condenam as mobilizações dizendo que "o movimento não é mais um movimento cívico, que existem ideologias 'antissistema' dirigindo o grupo". Classificam como antidemocrática a manifestação no parlamento, pois este é uma "instituição democrática", que "ao contrário do que diz este grupo, ainda que numeroso, representa sim a população, pois foram eleitos em um processo democrático", dizia um locutor de rádio.

Nada foi divulgado pelos monopólios sobre a lei "omnibus" que está prestes a ser aprovada. No entanto, foi lido várias vezes em vários canais de televisão, um manifesto assinado por todos os partidos políticos da Catalunha reprovando a manifestação do dia 15.

Tampouco o monopólio falou algo sobre a repressão policial ou sobre a dezena de manifestantes feridos, mas repetiram inúmeras vezes imagens de manifestantes pintando os deputados e classificaram tais atitudes como de "extrema violência". Chegaram até mesmo a inventar que os manifestantes tinham tentado roubar um cão guia de um deputado com deficiência visual, sem sequer apresentar qualquer imagem ou foto que comprovasse isso, numa tentativa suja de criminalizar a luta popular.

Apesar do cansaço, depois de mais de 24 horas de mobilização, os manifestantes deixaram o parlamento na tarde do dia 15 de junho e marcharam em direção à delegacia em que se encontravam seis detidos.

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*Graduando em Letras pela Universidade Federal de Goiás. Estudante de intercâmbio na Universidade Autônoma de Barcelona.


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