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Operários, professores, bombeiros e servidores técnico-administrativos das universidades em luta

Nova onda de greves irrompe em escala nacional

Mário Lúcio de Paula | Com a colaboração dos comitês de apoio de AND 

Após as revoltas operárias nas obras do PAC em março/abril deste ano, uma nova onda de mobilizações e greves irrompe em escala nacional. Milhares de trabalhadores se levantam contra o arrocho, por salário e pelo cumprimento de direitos trabalhistas.

Metalúrgicos no Paraná paralisaram a montadora da Volkswagen durante 37 dias, fizeram frente à ganância patronal e causaram R$ 1 bilhão de prejuízo à transnacional. Operários paralisaram obras da copa do mundo de futebol em Minas Gerais e no Ceará. Mais de 40 universidades federais estão em greve: o movimento nacional dos servidores técnico-administrativos se estende por todo o país e ganha a adesão de professores e estudantes. Professores da rede estadual de ensino deflagram greves em diferentes regiões do país. O crescente movimento de greves e mobilizações de diversos setores, incluindo o privado, é a resposta das massas à crise. O texto que segue é uma espécie de diário das principais mobilizações e lutas nos meses de maio e junho.

Montadoras Volkswagen e Volvo paradas no PR

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Operários da Volkswagen em greve no Paraná

No início de maio, cerca de 2 mil operários metalúrgicos da montadora Volvo, em Curitiba — PR, deflagraram greve em protesto contra as condições de pagamento da Participação nos Lucros e Resultados da transnacional.

Os operários da Volkswagen instalada na região metropolitana de Curitiba também iniciavam as mobilizações para uma paralisação pelo mesmo motivo.

Manaus: Greve operária conquista EPIs e carteira assinada

Em 11 de maio os operários que trabalhavam na construção de um prédio da Faculdade Metropolitana — Fametro, em Manaus — AM, paralisaram as obras contra a falta de Equipamentos de Proteção Individual — EPIs e em protesto contra o descumprimento de leis trabalhistas tais como o registro na carteira profissional.

Entre os 80 operários em greve havia oito haitianos.

— Há mais de um mês eles estão trabalhando nestas condições — denunciou Cícero Custódio, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Amazonas [fonte: acritica.com].

Com a greve, os operários fizeram com que as empresas responsáveis pelas obras, a JVL e a Fortes Construções, se comprometessem a assinar as carteiras dos trabalhadores até o dia 18 daquele mês e o fornecimento de EPIs e café da manhã — direito assegurado por convenção — a partir da assinatura do acordo.

SP: Faculdades e escolas técnicas em greve

No dia 13 de maio os professores e funcionários das Escolas Técnicas — Etecs e das Faculdades de Tecnologia — Fatecs de São Paulo (capital), além de servidores administrativos do Centro Paula Souza, deflagraram greve.

Na véspera da paralisação o gerenciamento estadual havia anunciado um reajuste de 11%, valor muito abaixo dos 56,9% exigidos pelos docentes e os 71,79% exigidos pelos funcionários técnico-administrativos. Os trabalhadores estão há seis anos sem receber reajuste salarial.

4.500 operários param empreiteira em Cubatão

No dia 19 de maio, 4.500 operários das empreiteiras da RPBC e Carbocloro, que prestam serviços à Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC Petrobrás) deflagraram greve. Os trabalhadores reivindicavam 12% de reajuste salarial, PLR, vale-refeição de R$ 13 por dia trabalhado, entre outros pontos.

Em sucessivas assembleias anteriores os operários já haviam recusado propostas patronais de reajustes entre 6,31% e 9,75% e decidiram paralisar o trabalho por tempo indeterminado.

Um dirigente sindical declarou que as mobilizações também são em protesto "contra as pressões das empreiteiras por produtividade e às perigosas condições de trabalho".

Rodoviários param no RN

Em 23 de maio os trabalhadores em transportes rodoviários de Natal— RN entraram em greve reivindicando 13% de reajuste no salário-base e a unificação do vale-alimentação para toda a categoria no valor de R$ 150.

Nas negociações do dia 19 os patrões haviam proposto 7,5% de aumento, o que foi rejeitado pela categoria.

Companhia de Saneamento em greve no DF

Ainda no dia 23 os servidores da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal — Caesb decidiram, em assembleia, paralisar o trabalho. A categoria reivindica 17% de reajuste salarial e participação nos resultados da empresa e o estabelecimento da jornada de trabalho para os atendentes e trabalhadores de laboratório.

Rodoviários em greve no Maranhão

Nesse mesmo dia foi deflagrada a greve dos trabalhadores em transportes rodoviários de São Luis — MA.

A greve contou com grande adesão da categoria, que se mobilizou reivindicando reajuste salarial e no tíquete-alimentação, inclusão de dependente no plano de saúde e inclusão de plano odontológico.

Os patrões haviam oferecido 2% de reajuste em uma rodada de negociações e a proposta foi amplamente rechaçada pela categoria, que manteve-se mobilizada apesar da reacionária decisão judicial que pretendia obrigar a manutenção de 80% da frota em funcionamento apesar do movimento grevista.

Obras de termelétrica param no MS

No dia 24 de maio, aproximadamente 500 funcionários da Engecampo, uma das empresas terceirizadas que atuam nas obras de ampliação da usina termelétrica Luiz Carlos Prestes, da Petrobras, em Três Lagoas, distante 338 quilômetros da capital Campo Grande, entraram em greve.

Os trabalhadores exigiam 33,03% de reajuste salarial, o acréscimo de 50% no valor pago pelas duas primeiras horas-extras e 100% nas restantes durante a semana. Aos sábados, as horas-extras seriam pagas com 100% de acréscimo. Aos domingos, a exigência é de 100% nas duas primeiras horas trabalhadas e 130% nas restantes.

Além disso, os trabalhadores reivindicavam o aumento do valor da cesta básica, que passaria de R$ 90 para R$ 240, e um plano de saúde a nível nacional. Atualmente os operários têm direito a um plano familiar, que pode ser usado somente no estado. Contudo, muitos operários foram contratados em outros estados e seus familiares não têm acesso ao plano de saúde nos estados onde residem.

Os operários mantêm-se mobilizados em luta pela conquista de suas reivindicações.

Professores da rede estadual em greve em SE e SC

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Professores de Santa Catarina fezem pernoite reinvidicando seus direitos

Em 25 de maio os professores da rede estadual de Sergipe decretaram greve exigindo a implementação do piso salarial nacional. Simultaneamente, em Santa Catarina, os docentes paralisaram as atividades por considerarem o próprio valor do piso muito baixo.

O piso salarial para professores da rede estadual com formação de nível médio que trabalham até 40 horas por semana, segundo a lei promulgada pelo gerenciamento Luiz Inácio em 2008, deveria ser de R$ 1.187. Mas o descumprimento do já defasado piso obriga grande parte dos professores a cumprirem jornadas duplas (e até mesmo triplas) para alcançarem uma renda próxima da necessária para sobreviverem.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina as mobilizações atingiram 90% da categoria.

Em Sergipe, os professores recusaram a proposta da Secretaria Estadual da Educação de parcelar o reajuste de 15,86% para os professores de nível 2 e programaram novas mobilizações.

Greve na educação e saúde municipal de Porto Alegre

Em Porto Alegre — RS, no mesmo período, ocorreram paralisações de professores e servidores da saúde da rede municipal. As categorias querem reajuste salarial de 18%, contra os 7% oferecidos pelo gerenciamento municipal.

Policiais civis e funcionários públicos param em AL

26 de maio: completou-se um mês da greve dos policiais civis de Alagoas. A mobilização dos policiais atingiu praticamente todas as delegacias do estado.

Os policiais civis se juntaram aos professores, trabalhadores do fisco, da Secretaria de Agricultura, entre outros também em greve e realizaram manifestações conjuntas.

Greve da Volkswagen completa 22 dias

Também em 26 de maio o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba informava que o prejuízo causado pelos 22 dias de greve dos 3,1 mil funcionários da Volkswagen completados naquela data, já chegava a R$ 453,6 milhões à filial da montadora instalada em São José dos Pinhais. O prejuízo médio por dia paralisado, período em que 810 carros são produzidos, corresponde a R$ 23 milhões.

Na tarde do dia 25 os trabalhadores já haviam rejeitado a irrisória proposta patronal. A greve dos operários da Volkswagen é uma das maiores dos últimos anos no setor automotivo da empresa.

Trabalhadores em educação ocupam palácio do governo na PB

No dia 31 de maio os trabalhadores em educação da Paraíba, em greve desde o dia 29 de abril, ocuparam o Palácio do Governo em protesto contra o corte nos salários imposto pelo gerenciamento estadual. Mais de 600 educadores tomaram os dois andares do prédio e exigiram negociação. Apesar da traição da direção cutista, que dividiu a ocupação e fez negociações com o governo à revelia dos interesses da categoria, a greve foi mantida. Os trabalhadores em educação da Paraíba somam as suas reivindicações aos trabalhadores de inúmeros estados que lutam pelo cumprimento da lei do piso salarial da categoria.

Greve nos transportes em SP

Os trabalhadores metroviários de São Paulo, que haviam aprovado em assembleia a deflagração da greve em 1º de junho, tiveram o movimento suspenso por determinação de uma ala oportunista da direção do sindicato que optou por aguardar uma contraproposta patronal.

Apesar da suspensão da greve dos metroviários, os trabalhadores ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e os trabalhadores rodoviários do ABC aprovaram a deflagração de greves para o mesmo dia 1º de junho e honraram as aspirações das categorias. No dia 1º de junho a rede ferroviária da CPTM amanheceu completamente parada em duas das principais linhas (linha 7 RUBI, que liga Jundiaí à Barra Funda, e linha 12 Safira, que liga Brás à Calmon Viana), bem como os ônibus do ABC.

As greves dos ferroviários causaram grande impacto em toda a região. Enquanto os metroviários retiravam seus coletes com a palavra de ordem "chega de sufoco", as greves dos ferroviários e rodoviários cumpriram seu papel de denúncia da ganância patronal e das péssimas condições dos transportes e animaram milhares de trabalhadores.

No dia 2 de junho, a greve se fortaleceu e atingiu 100% das linhas de trem da CTPM e, somada à mobilização dos motoristas e cobradores, atingiu mais de 3 milhões de usuários.

Os ferroviários suspenderam sua greve no final do segundo dia e deram início às negociações com a patronal. Os rodoviários também negociam com as empresas que mantêm-se intransigentes e recusam-se a atender as reivindicações dos trabalhadores. Os rodoviários mantêm-se mobilizados enfrentando o ódio hidrofóbico dos patrões e os ataques desferidos através do monopólio das comunicações contra o movimento.

Universidades estaduais param na Bahia

Também no dia 1º de junho, professores das quatro universidades estaduais da Bahia, em greve desde abril, acamparam em uma ala da Assembleia Legislativa em Salvador.

Estudantes e funcionários das instituições de ensino paradas participaram da mobilização.

Os 765 docentes da Universidade Estadual de Santa Cruz e os 950 da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia entraram em greve na primeira semana de abril. No dia 11, os 950 docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana aderiram ao movimento. No dia 26 de abril somaram-se a eles os 1.940 professores da Universidade Estadual da Bahia, a maior do estado.

Os trabalhadores, estudantes e funcionários repudiam a proposta do gerenciamento Jaques Wagner (PT) que, além de não atender às reivindicações do movimento, pretendia congelar as negociações até 2014.

A justiça atendeu ao gerenciamento Jaques Wagner declarando a greve na Uneb ilegal e os trabalhadores mantiveram o movimento ampliando a luta e exigindo que o governo voltasse a pagar os salários suspensos.

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A greve dos bombeiros no RJ

Na madrugada do dia 4 de junho, cerca de três mil bombeiros ocuparam o quartel central da corporação no Rio de Janeiro exigindo que o gerenciamento Sérgio Cabral negociasse suas reivindicações, entre elas o reajuste salarial dos atuais R$ 950 para R$ 2 mil reais. Há dias os bombeiros tentavam negociar suas reivindicações com o gerenciamento Cabral, porém sem nenhum avanço.

Os bombeiros e seus familiares, como forma de protesto, passavam a noite no quartel quando, por volta das 6h da manhã, cerca de 150 policiais do Bope e da tropa de choque da PM invadiram o local disparando bombas, balas de borracha e até tiros de fuzil.

Cléa Borges, a esposa do bombeiro Túlio Anselmo Borges Meneghelli, sofreu um aborto durante a invasão policial.

Horas depois, o gerente estadual Sérgio Cabral foi à TV e chamou os bombeiros de "vândalos e criminosos". Declarou as ações da greve como "inaceitáveis do ponto de vista do Estado de direito democrático". Atribuiu ao movimento motivação política e fingiu indignação ao declarar que era um absurdo os bombeiros se insurgirem contra seu governo, como se tudo estivesse sendo feito para levar as negociações a bom termo.

439 bombeiros foram presos. A luta por sua libertação, anistia e pelas reivindicações dos grevistas resultaram num grande movimento sem precedentes (ver artigo na página 10 desta edição).

41 dias de greve dos professores municipais em Fortaleza

Em 6 de junho a greve dos professores da rede municipal de Fortaleza — CE completava 41 dias. A categoria reivindica o piso salarial de R$ 1.450.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação, 95% dos docentes participavam das mobilizações.

Estudantes em greve contra Reuni na Bahia

No dia 6 de Junho, estudantes de medicina veterinária e zootecnia da Universidade Federal da Bahia — UFBA deflagraram greve devido às péssimas condições do curso, e contra a política de "expansão da universidade" imposta pelo Reuni.

Professores da rede estadual param no MT

Os professores da rede pública estadual em Mato Grosso também entraram em greve no dia seis de junho reivindicando o cumprimento do piso de R$ 1.450.

Policiais civis em greve em Belo Horizonte

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Greve de policiais e professoresm em Belo Horizonte
No dia 8 de junho, milhares de policiais civis, professores e servidores de escolas estaduais realizaram uma manifestação no Centro de Belo Horizonte — MG.

Os policiais civis já estavam em greve desde o mês de maio e, ao contrário dos policiais militares e bombeiros que também tiveram suas campanhas salariais no período, rejeitaram a proposta do gerenciamento estadual de 10% de reajuste em outubro desse ano, mais 12% em outubro de 2012, contando com um acréscimo de outros 10% no prazo de um ano.

Professores estaduais de MG deflagram greve

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Profesores de Minas Gerais aprovam a deflagração da greve

Em assembleia estadual realizada no dia 8 de junho, no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, os trabalhadores em educação da rede estadual de ensino decidiram entrar em greve por tempo indeterminado.

A assembleia contou com a participação de cerca de cinco mil educadores de todas as regiões do estado, que realizaram, após a votação na assembleia, uma combativa passeata pelas ruas do Centro da cidade .

A principal reivindicação dos trabalhadores é a aplicação da Lei do Piso Salarial Nacional Profissional, lei irrecorrível após decisão do STF no início de abril. Além do piso, a categoria quer a retomada dos direitos como biênios e quinquênios confiscados de uma parte significativa da categoria após a famigerada reforma administrativa de 2003.

O gerenciamento Anastasia (PSDB) impôs a lei do subsídio em junho de 2010, uma remuneração que destrói ainda mais a carreira docente, pois acaba com todas as vantagens conquistadas historicamente pela categoria. O subsídio vai contra a orientação da lei do piso que o coloca como vencimento básico. O subsídio é uma política remuneratória que engloba todas as vantagens e gratificações em um valor único, arrochando os salários, sobretudo o dos servidores mais antigos.

"O governo Anastasia tem dinheiro em caixa e pode atender a reivindicação do piso (hoje no já rebaixado R$1.187,00 para jornada de até 40h semanais). Eles falam em "PIB chinês", em arrecadação recorde e maquiavelicamente colocam o discurso de responsabilidade fiscal como desculpa para imporem um regime de fome e miséria aos trabalhadores. Este é um momento propício para a greve, já que diversas categorias estão em luta em Minas e em todo o Brasil. Foi aprovado ainda um calendário de lutas, que envolve construção local da greve em cada regional; audiências públicas na Assembléia Legislativa; e atos de mobilizações como passeatas, ocupações de rodovias e prédios públicos", afirmou o professor Antônio Eustáquio durante a manifestação.

Greve dos servidores nas universidades federais

Ao longo do último mês eclodiram dezenas de greves nas universidades públicas brasileiras.

No dia 8 de junho os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Juiz de Fora — UFJF aderiram ao movimento. Duzentos servidores decidiram em assembleia paralisar o atendimento nos restaurantes universitários, no sistema de transporte, na Biblioteca Central e nos laboratórios de alguns departamentos da instituição.

Nesse mesmo dia, pelo menos 500 servidores da Universidade Federal da Bahia — UFBA deflagraram greve por tempo indeterminado, fortalecendo o crescente movimento nacional.

Paralisação na rede particular de ensino na Bahia

No dia 8 de junho os professores da rede particular de ensino da Bahia também deflagraram greve. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial, bolsa de estudo para filhos de professores e intervalo para descanso na educação infantil.

UFV adere à greve dos servidores das universidades federais

No dia 9 os servidores da Universidade Federal de Viçosa — UFV também iniciaram o movimento grevista.

Greve na rede particular de ensino em PE

Em 9 de junho, trezentas escolas particulares de Pernambuco paralisaram as aulas devido à greve dos professores da rede.

Uma série de piquetes realizados nas principais escolas garantiu a adesão de grande parte da categoria.

A greve foi deflagrada depois de cinco rodadas de negociação com proprietários de colégios particulares. Os profissionais pedem ajuste salarial em 10%, além de aumento no valor da hora-aula, que passaria de R$ 4,40 para R$ 10.

Rede estadual de ensino em greve no RJ

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Contracheque de professor no Rio de Janeiro

No dia 10 de junho cerca de 70% das escolas estaduais do Rio de Janeiro mantiveram a greve deflagrada após a decisão da assembleia da categoria, realizada no dia 7, que contou com a participação de cerca de três mil trabalhadores.

Professores e bombeiros realizaram mobilizações unificadas e desenvolveram um movimento que englobou milhares de pessoas. As mobilizações foram marcadas por massivas assembleias nas quais tomaram a palavra trabalhadores de diversos setores que prestaram solidariedade e apoio efetivo ao movimento (ver matéria na página 10 desta edição).

PR: Termina a greve dos operários na Volkswagen

No dia 10 de junho, os operários metalúrgicos da Volkswagen, em São José dos Pinhais — PR, decidiram encerrar a greve que durou 37 dias. A mobilização dos trabalhadores obteve vitórias parciais.

A greve contemplou o pagamento de R$ 11,5 mil de Participação nos Lucros e Resultados até 2012, com uma primeira parcela de R$ 5.200 a ser paga na próxima semana. A segunda parcela, de R$ 6.300, fica para o início do ano que vem e depende de serem atingidas metas de produção.

Também foi acertada a antecipação da data-base de setembro para agosto, com a garantia de aumento real de 2,5% mais o INPC acumulado e o pagamento de um abono salarial de R$ 4.200.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, no período de greve deixaram de ser fabricados 22,9 mil carros e o prejuízo para a empresa chegou a R$ 1 bilhão.

Cresce a greve dos servidores nas universidades federais

Em 10 de junho a greve dos servidores técnico-administrativos das universidades federais já contava com a adesão de 24 instituições. As últimas adesões até então foram dos servidores administrativos da Universidade Federal da Paraíba — UFPB, da Universidade Federal de Campina Grande — UFCG e da Universidade Federal do Recôncavo Baiano — UFRB/BA.

Os servidores de diversas universidades em outros estados têm assembleias marcadas para debaterem suas pautas de reivindicação e a adesão ao movimento grevista.

Rio: Professores e bombeiros unidos na luta

No dia 14 de junho o gerenciamento Cabral ameaçou cortar o ponto dos professores da rede estadual em greve.

Os trabalhadores em educação do estado reivindicam 26% de reajuste do salário base e o descongelamento do plano de carreira dos funcionários administrativos da rede estadual, entre outros pontos.

Uma massiva assembleia decidiu pela continuidade da greve e uma manifestação de estudantes e professores interditou a Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio, e se dirigiu à Assembleia Legislativa para se juntar aos bombeiros que se concentravam no local.

Greve em obra da copa no Ceará

Os operários que trabalham nas obras de recuperação do estádio Castelão, em Fortaleza, deflagraram greve no dia 14 de junho. Os trabalhadores denunciam atraso do pagamento dos salários do mês de maio e que são obrigados pelas empreiteiras a trabalhar aos sábados, domingos e feriados sem receber horas extras.

Professores municipais fazem greve de 50 dias em fortaleza

Em 15 de junho a justiça do Ceará declarou a ilegalidade da greve dos professores da rede municipal de Fortaleza que já durava 50 dias.

A greve foi deflagrada no dia 26 de abril, um dia depois da data marcada para o início do ano letivo. Os professores rechaçaram a lei aprovada pela Câmara Municipal que definiu o valor de R$ 1.187,97 como salário-base para professores de nível médio e R$ 1.439,03 para professores de nível superior. A categoria reivindica piso de R$ 1.450 para os profissionais de nível médio.

Parte dos professores manteve a greve denunciando a decisão antipovo da justiça no estado.

Obras da copa no Mineirão paradas

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Boletim do sindicato Marreta Luta Classista conduziu a vitórias

No dia 15 de junho as obras do estádio "Mineirão" amanheceram paralisadas. Em meio à diversas denúncias de superfaturamento e malversação de recursos e superexploração dos operários para o cumprimento das metas da copa do mundo, foi deflagrada a greve.

O Tribunal de Contas de Minas Gerais verificou irregularidades como falta de licitação, esquemas que permitem aditivos de contratos sem necessidade, superfaturamento e pagamento de serviços não realizados. O valor da obra, orçada em R$ 426,1 milhões, poderá atingir ou mesmo superar o bilhão. Os trabalhadores dizem que Fernando Pimentel (PT), ex-refeito de Belo Horizonte, seria o proprietário "informal" (é claro) da HAP Engenharia, uma das empresas do consórcio que toca a obra do Mineirão.

Durante a greve, operários denunciaram péssimas condições de trabalho, falta de chuveiros, banheiros, armários quebrados, etc. Os trabalhadores oriundos de outras cidades são amontoados em um alojamento precário em condições revoltantes.

A greve foi dirigida pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Belo Horizonte e Região — STIC, conhecido pelos operários como "Marreta".

Os operários reivindicavam salários de R$ 1.250,00 para oficiais e R$ 830,00 para serventes, cesta básica de R$ 80 para todos os trabalhadores, horas extras de 100%, banheiros decentes, entre outras medidas. O consórcio tentou passar como concessão a melhoria dos banheiros e "concordou" parcialmente com a cesta básica. Quanto aos salários, no segundo dia de negociações, propôs 5% de adiantamento, a serem descontados em novembro, que é a data base da categoria.

Durante todo o movimento os patrões tentaram diversas manobras. Valendo-se da divisão corporativa entre os sindicatos dos trabalhadores da construção civil e da construção pesada, manobravam, reconhecendo hora um, hora outro como representante dos operários em greve. Mas não puderam fazer frente à direção classista do Marreta.

Os operários mantiveram a greve até a conquista de 4% de aumento real, pagamento de 100% das horas-extras, cartão alimentação de R$ 60, jantar até às 19hs para os operários cuja jornada ultrapasse esse horário, pagamento da 1ª parcela do PLR até o dia 30 de agosto, plano de saúde (contratante deverá apresentar a empresa prestadora do serviço até o dia 30 de junho), seis meses de estabilidade para os trabalhadores que participaram da negociação, condições de trabalho iguais para os trabalhadores das subempreiteiras e regularização dos chuveiros elétricos de acordo com as normas regulamentadoras.

Os operários das obras do Mineirão obtiveram uma significativa conquista política com o enraizamento da posição classista. Deram um vigoroso exemplo para os operários das inúmeras obras em curso que sofrem com iguais problemas, com igual exploração.

Greve dos rodoviários em Recife

Os trabalhadores em transportes rodoviários da região metropolitana do Recife deflagraram greve à 00h do dia 15 de junho. Na manhã seguinte, a população, revoltada com os péssimos transportes e motivada pela paralisação, protestou no terminal Joana Bezerra.

A categoria decidiu realizar uma paralisação de 24 horas contra a intransigência da patronal, que insistia em oferecer 5% de reajuste contra os 22% reivindicados pelos trabalhadores rodoviários.

UFPR adere à greve dos servidores

No dia 15 os servidores da Universidade Federal do Paraná — UFPR e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná aderiram ao movimento nacional deflagrando greve.

Os trabalhadores debateram uma pauta de reivindicações locais e a pauta nacional da categoria. Eles reivindicam contratação de novos profissionais e a definição da situação daqueles que trabalham temporariamente no Hospital de Clínicas, vinculado à UFPR.

Na pauta nacional, uma das reivindicações é o aumento do piso salarial para três salários mínimos e que a cada dois anos haja um reajuste de 5%.

Federal do Piauí também em greve

No dia 16 de junho os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Piauí — UFPI, em Teresina, decidiram, em assembleia, unanimemente, pela greve.

Nesta data, 43 universidades federais já haviam aderido à greve, o que corresponde a aproximadamente 85% das Instituições Federais de Ensino Superior — IFEs.

Professores da rede estadual de ensino param em seis estados

17 de junho: professores da rede estadual estão em greve em seis estados. No Amapá, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Santa Catarina ocorrem mobilizações e milhares de trabalhadores estão em luta por reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Os professores exigem o cumprimento imediato da lei do piso salarial.

No Maranhão e no Espírito Santo, as assembleias de trabalhadores da educação decidiram pelo "estado de greve".

Em Mato Grosso, os professores da rede estadual estão em greve desde o dia 6 de junho.

Em Minas Gerais, durante as assembleias, trabalhadores denunciavam que o salário-base de um professor com formação de nível médio em início de carreira é de R$ 369,89 para uma jornada de 24 horas semanais. Professores com nível de licenciatura mostravam contracheques com o valor de R$ 550,54.

No Rio Grande do Norte, o movimento grevista foi deflagrado em 2 de maio e conta com a adesão de 90% da categoria.

Em Santa Catarina a greve foi deflagrada em 18 de maio. O salário-base é de R$ 609,46 para professores de nível médio e de R$ 993,12 para professores de nível superior. Nos dois casos, a jornada é de 40 horas semanais.

Metalúrgicos da Bosh param fábrica no PR

No dia 17 de junho os trabalhadores da Bosh, em Curitiba — PR, entraram em greve.  A fábrica produz bombas injetoras para sistemas a diesel.

A paralisação durou uma semana. Após audiência de conciliação entre o sindicato dos trabalhadores e a patronal, a transnacional se comprometeu em pagar R$ 6.500 como Participação nos Lucros ou Resultados de 2011, com a antecipação da 1ª parcela de R$ 5.200 para o dia 1º de julho.

Os metalúrgicos reivindicavam PLR de R$ 9 mil, com a primeira parcela de R$ 5 mil. Após o acordo, os mil servidores do setor administrativo encerraram a greve, mas os 3,6 mil operários metalúrgicos (dos três turnos) continuaram paralisados até o dia 24.


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