Pela vitória do Iraque!

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Estamos profundamente consternados com o que vemos. Esta agressão injusta ao Iraque é um crime contra toda a Humanidade e contra a nossa Mãe Terra.

Infelizmente, algumas questões fundamentais permanecem envoltas em obscuridade. Muito se fala sobre os interesses econômicos do cartel que governa os EUA; hoje até se conhece algo do neofundamentalismo protestante que leva os dirigentes daquele país à beira da loucura. Eu me permito, neste momento, ir além, na análise deste tema. O governo dos EUA, há décadas, planeja, como se sabe, o domínio do mundo. Não se trata apenas, portanto, de um desvario pessoal do presidente Bush. Trata-se de uma política construída sobre a teoria do "novo século americano",cujo objetivo é fazer a "guerra total" e simultânea aos povos da terra.

Os EUA são governados por uma máfia, uma pérfida organização de magos negros cujo título é Skull and Bones Fraternity, (Fraternidade do Crânio e dos Ossos) ou Fraternidade da Morte. Seus membros tem um símbolo pirata, portanto, são piratas. Obedecem a um culto satânico que visa meramente destruir, destruir em massa, causar dor, sofrimento e humilhação aos inocentes. O nome de sua recente e imoral operação em Bagdad, "choque e terror", mostra bem isso. Causando traumas terríveis aos civis e militares de centros urbanos, eles querem, assim, dominar as pessoas psicologicamente. É preciso que façamos resistência imediata.

Por outro lado, existe uma intenção subliminar de atingir, em cheio, o coração do mundo árabe e islâmico, e infringir uma humilhação histórica, atacando sua fé profunda, suas relíquias, seus monumentos milenares e os centros sagrados de suma importância, como por exemplo, Najaf e Karballa. Bagdad é este coração. Fundada em 750 de nossa era, tornou-se a grande capital do Califado Abássida, cuja cultura inundou o mundo desde Córdoba, na Espanha, até a China. O bombardeio brutal começou na sexta-feira, dia sagrado dos muçulmanos e também dia internacional contra a discriminação racial, 21 de março, porque, cinicamente, se trata de um genocídio programado.

Quanto a Saddam Hussein, este representa tudo que os americanos desejam aniquilar. O Iraque é governado pelo partido Baath, socialista e pan-arabista. Baath significa "renascimento". O renascimento da cultura árabe é exatamente o alvo prioritário do baatismo, compartilhado também pelo governo da Síria, o que contraria os interesses hegemônicos de Israel no Oriente Médio. Através da revolução de 1968, caminhou na mira da nacionalização do petróleo iraquiano (1972), bem como demais serviços, visando retirar o Oriente Médio da era colonial. Dar igualdade aos cidadãos, homens e mulheres,(a mulher no Iraque tem um status muito mais elevado do que nos demais países do Golfo); combater o fanatismo religioso; respeitar os diversos cultos; restaurar a arte, a ciência e a educação em larga escala; erradicar o analfabetismo; fazer a reforma agrária; centralizar diversos grupos numa Assembléia Nacional, isto é o que deveria projetar a nação na vanguarda do terceiro milênio como uma grande potência.

Saddam Hussein, líder deste movimento, surge como o símbolo da resistência ao imperialismo americano e ao sionismo. Alvo da C.I.A., é claro! Vamos lembrar que o diretor desta agência, George Tenet, é um legítimo representante da entidade sionista.

Saddam, poeta épico e visionário, tem por princípio inspirar seu povo a celebrar os valores eternos da pátria. Comemora o esplendor de sua capital em diversos discursos conhecidos:

"Bagdad representa a fonte dos árabes e muçulmanos. É o broto de Deus na terra, o reservatório de sua sabedoria e herança gloriosa, o ponto focal da nossa civilização e sua radiância!

A despeito das feridas e injúrias lançadas à filha dos árabes (Bagdad), a tocha de luz para a humanidade prevalecerá, sua face esplêndida, cintilante, incandescente na fé, saudável e intocada pela desonra ou vergonha. Guardiã dos emblemas da glória e da virtude, Bagdad continuará sustentando a ordem do mérito e a insígnia sublime que Deus lhe destinou."

Hoje, os dissidentes do Baath iraquiano, que se encontram em outros países, há muito se preparam para voltar ao Iraque — o que estão fazendo agora — numa ampla coligação que haverá de trabalhar pela resistência, junto ao governo atual. São membros também de várias unidades políticas diferentes, incluindo partidos curdos, que superando suas divergências anteriores, patriótica e lealmente, unem-se ao governo de Saddam para preparar as bases da democracia no Iraque — democracia esta feita por e para os iraquianos!

O principal membro da resistência iraquiana, Abdel Jabar el Kubaisy, voltando à sua terra para lutar ao lado de seu povo e das atuais lideranças do país contra a brutal agressão à soberania do Iraque, conduzida pela máquina de morte americana, nos diz:

"A decisão de mudança de regime no Iraque não pode ocultar que o objetivo central dos EUA na Nação Árabe é acabar, não apenas com um governo, mas com um modelo de Estado que, graças à utilização plena dos benefícios de um petróleo nacionalizado para promoção sócio-econômica do país e de seu povo, constituiu-se num referente de desenvolvimento árabe, não sujeito, desde os fins da década de 80, à ditadura econômica da globalização e do neoliberalismo imposto pelo intervencionismo estadunidense, nem ao imperativo da hegemonia regional militar e econômica de Israel no Oriente Médio, sob apoio de Washington."(www.nodo50.org/csca) A respeito dos ataques covardes que o império promove contra a histórica Mesopotâmia, que uma vez foi o "paraíso terrestre", Saddam Hussein testifica: "Os bárbaros deste tempo desejam aniquilar a mãe da civilização. Digam-lhes numa voz clara e alta: Ó demônios, erradicai vossas abominações contra nós, nosso museu vivo, testemunho e celeiro dos profetas e mensageiros, como Abrãao. Dizei-lhes para deixar nosso povo, de acordo com sua escolha, construir, construir até o topo e trabalhar para uma cooperação frutífera e pelo amor entre os homens." (www.uruklink.net
*Yasmin Anukit é professora de estudos Orientais e Civilização Islâmica, RJ.

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Bilhete de identidade

Escreve!
Sou árabe
e o meu bilhete de identidade é o cinquenta mil;
tenho oito filhos
e o nono chegará no final do Verão.
Vais zangar-te?

Escreve!
Sou árabe.
Trabalho na pedreira
com os meus companheiros de infortúnio.
Arranco das rochas o pão,
as roupas e os livros
para os meus oito filhos.
Não mendigo caridade à tua porta,
nem me humilho nas tuas antecâmaras.
Vais zangar-te?

Escreve!
Sou árabe.
Sou um homem sem título.
Espero, paciente, num país
em que tudo o que há existe em raiva.
As minhas raízes,
foram enterradas antes do início dos tempos
antes da abertura das eras,
antes dos pinheiros e das oliveiras,
antes que tivesse nascido a erva. O meu pai descende do arado,
e não de senhores poderosos.
O meu avô foi lavrador,
sem honras nem títulos,
e ensinou-me o orgulho do sol
antes de me ensinar a ler.
A minha casa é uma cabana,
feita de ramos e de canas.
Estás feliz com o meu estatuto?
Tenho um nome, não tenho título.
Escreve!
Sou árabe.
Roubaste os pomares dos meus antepassados
e a terra que eu cultivava com os meus filhos;
não me deixaste nada,
apenas estas rochas;
O governo vai tirar-me as rochas,
como me disseram?

Escreve, então,
no cimo da primeira página:
a ninguém odeio, a ninguém roubo.
Mas, se tiver fome,
devorarei a carne do usurpador.
Tem cuidado!
Cuidado com a minha fome,
Cuidado com a minha ira!
Poema de Mahmud Darwich, o maior poeta da intifada,
chamado o poeta da resistência, um intelectual palestino que mora em Paris.

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