Notícias da África indomável

Camarões

Iaundé — O destacado médico camaronês Victor Anomah Ngu, também cientista e professor, descobriu uma auto-vacina terapêutica contra a AIDS a qual deu o nome de Vanhivax. Tudo indica que funciona, e o que é notável: ao contrário das vacinas existentes, apenas preventivas, ela é curativa.

Segundo o Dr. Victor, a vacina é produzida a partir do vírus do próprio paciente e é logo administrada. Cada paciente é tratado com sua própria vacina. O Vanhivax elimina progressivamente o vírus da corrente sanguínea, que vai incrementando a quantidade de CD4, um dos principais indicadores da saúde do sistema imunológico. Caso o paciente já tinha perdido peso, logo começa a recuperá-lo.

O descobrimento do Vanhi-vax data de 1989 e tem sido empregado no tratamento de centenas de aidéticos. O tratamento dura de dois a três meses. O Dr. Ngu espera que seus colegas, até agora, céticos, unam-se ao seu descobrimento, pelo bem dos afetados pela AIDS.

Há 22 anos o mundo espera da medicina uma resposta contra a AIDS.

República Centro-africana

Bangui — O presidente da República Centro-africana, Ange-Félix Patassé — o homem que mais se opôs a Bokass, eleito em 1993 e reeleito em 1999, que vinha se mantendo no poder graças às forças estrangeiras e mercenárias -, foi, após seis tentativas, derrubado do poder no dia 15 de março, pelo chefe do estado-maior de seu governo, o general François Bozizé, sem qualquer resistência. Desde a manhã, os insurretos controlam todos os pontos estratégicos da capital Bangui: o palácio presidencial, o aeroporto, a rádio-televisão e os grandes eixos do rio Oubangui, que separa a República Centro-africana do Congo-Kinshasa. A população aproveitou o momento para saquear as residências dos dignitários do regime, começando com a residência de Patassé e do primeiro-ministro Martin Ziguélé. Casas de residentes franceses, do comércio e das empresas não escaparam da fúria do povo. O general. Bozizé, autoproclamando-se presidente, na primeira intervenção na rádio, anunciou a suspensão imediata da Constituição, a dissolução da Assembléia Nacional e do governo.

Ange-Felix Patassé, o presidente deposto e dois de seus aliados na guerra civil — o cel. Abdoulaye Miskine, que dirigia uma força especial do Exército Centro-africano e o chefe do Movimento de Libertação do Congo, Jean-Pierre Bemba — foram acusados, dia 14 de fevereiro, na Federação Internacional de Direitos do Homem, por "crimes de guerra", que vão desde pirataria a execuções de civis, passando por estupros.

No quadro do jogo de influências internacionais, sabe-se da ligação do gen. Bozizé com o líder líbio Kadhaf, que por sua vez já interviu napolítica do Chade. Os milicianos de Bemba foram enviados à República Centro-africana, simplesmente para proteger o trânsito do tráfico (ouro, diamantes, armas,e essências).

A França respondeu ao golpe reforçando, de imediato, suas forças armadas com uma brigada de pára-quedistas, embora diga que há longo tempo nada existe para salvar ali — talvez porque da Republica Centro-africana o imperialismo francês acredite já ter retirado tudo.

Guiné Equatorial

Numa eleição viciada, repleta de denúncias da oposição sobre irregularidades, foi reeleito, mais uma vez, Obiang Nguema que está no poder desde 1979, após um golpe militar contra o único presidente eleito democraticamente: Macias Nguema, do Partido Único Nacional dos Trabalhadores. A maioria da oposição está encarcerada, como é o caso de Plácido Miko, do Partido do Progresso.

A força jovem, emergente no cenário político da Guiné Equatorial, entende que a prioridade está na defesa radical dos interesses nacionais, com o fim das prisões, das torturas e dos ditadores, que a soldo de Bruxelas, diariamente violam a população. Como disse Donato Ndong no fórum de antropologia organizado pela revista Mundo Negro: "A juventude guineana necessita se organizar para uma revolução consistente em tomar em suas mãos todos os poderes. Devemos sair do convencionalismo neocolonial e abrir novas vias de lutas para desmascarar os farsantes. Obiang não é invencível e nem será eterno como não o foram Mobutu, Pinochet, Fujimori, Franco, ou Mussolini".

Ogyesefo Kwame Nkrumah disse: "As mesmas causas produzem os mesmos efeitos. O primeiro passo é saber que se pode e se deve superar a idéia do pensamento único. Por isso a juventude guineana não pode permitir que o ditador morra tranquilamente na cama."

Nicomedes Santa Cruz, poeta peruano-guineano, termina dizendo: "A vitória é possível porque a liberdade é nossa! Obiang não é invencível, depende de nós!"

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro