Marta continua perseguindo camelôs

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Auto de apreensão sem discriminação da quantidade de mercadorias

São Paulo - Os camelôs de São Paulo, mais conhecidos como "marreteiros" vivem dias de expectativas e tensão. Uma vez mais, a prefeitura do Partido dos Trabalhadores (PT) vem de público mostrar a quem serve e para quem administra.

Enquanto os empresários de ônibus agem à revelia das leis que eles próprios fazem, elevando absurdamente o preço das passagens, e se preparam para assaltar as linhas de transporte das vans, a política para o povo é bem diferente.

Já no mês de abril, estarão nas ruas 700 funcionários que irão substituir os antigos e desgastados fiscais, que desde os confrontos de dezembro passado não apresentam condições morais para exercer a função, segundo a própria prefeitura que os usou até o esgotamento. Arrastados para o mundo da arbitrariedade e da violência contra o povo, esses fiscais evoluem gradativamente para um esquema de corrupção e extorsão maiores, o que faz acirrar as contradições entre eles os camelôs.

Marta Suplicy realiza essas contratações por períodos curtos e, logo, estes mesmos fiscais serão demitidos, transferidos para o exército de desempregados. Parte deles se torna camelô, sem qualquer alternativa que evite, ao menos, a ironia do perseguidor que vira perseguido, do empregado improdutivo que fiscaliza e escraviza os desempregados, e acaba pedindo à sua antiga vítima, um metro de calçada que seja, para compartilhar do direito de ingressar na "economia informal". O antigo fiscal, se não galgou um lugar seguro entre os que vivem às custas dos mais necessitados, acaba ingressando nas fileiras dos que não encontram uma única vaga para serem explorados em troca do salário, ainda que miserável, mas fixo.

A crise geral do estúpido sistema conduzido pelo imperialismo, gera desemprego, fome, miséria, guerra e o extermínio de milhões de seres humanos. Se, ao destruir as forças produtivas, entre outras coisas, interrompe hábitos de trabalho e elimina ofícios, por outro lado cria outras ocupações. Consequência direta desse massacre é que, na capital de São Paulo, é grande o número de homens e mulheres, adultos e crianças que se ocupam da garimpagem nas lixeiras; buscam alimentos e outros produtos desprezados que podem prolongar sua miséria por mais alguns dias, como papéis e latas para reciclagem. Ao final de uma jornada intensa, entregam o que recolheram e recebem menos que o valor de um prato que possa saciar a sua fome. Além disso, são perseguidos.

Senhoras, auxiliares de enfermagem ou mesmo enfermeiras aposentadas que oferecem seus conhecimentos para verificar a pressão arterial das pessoas, a fim de melhorar sua minguada "renda familiar", igualmente sofrem a perseguição dos "seguranças" de lojas, contratados para expulsar ambulantes.

Para muitos, torna-se imprescindível a construção de uma organização popular, "séria e combativa", como afirma Sr. Severino - marreteiro há oito anos -, para barrar essas quadrilhas e o autoritarismo dos prefeitos populares que não guardam nenhum respeito pelo povo trabalhador e oprimido. A arrogância dos administradores diante do povo e tão grande quanto a sua subserviência frente aos empresários que os elegeram, a quem obedecem cegamente.

Camelôs enfrentam repressão nas ruas

Como segue denunciando Severino: "Não é fácil organizar o pessoal aqui, porque são várias as máfias que ameaçam os marreteiros, a começar pelo próprio sindicato dos ambulantes, "que virou um covil de oportunistas". É do conhecimento de todos que vários diretores são proprietários de barracas no centro da cidade, no Brás, etc.", em constante conluio com a fiscalização, para o prejuízo do velho marreteiro, que há tempos está nas ruas sem ter um ponto certo para trabalhar: "Imagine você, confiar numa entidade assim, com dirigentes que assumem essa postura. Além disso, associações e sindicatos impregnados pela consciência imunda dos partidos políticos mais oportunistas."

Desde julho do ano passado a prefeitura tem investido contra os ambulantes. Naquela ocasião, sob a coordenação geral do ouvidor do município e da prefeitura de São Paulo, a famigerada guarda municipal, o DEIC (Departamento de Investigação Contra o Crime Organizado) e a Polícia Militar foram mobilizados numa grande operação para apreensão de "mercadorias ilegais" na região da Rua 25 de Março, centro de São Paulo.

Para essa, assim denominada, "força tarefa" foram mobilizados cerca de 500 homens, 35 caminhões, promotores, delegados, agentes fiscais e funcionários da prefeitura. A operação contou com a pronta e fiel cobertura dos meios de comunicação, e ficou conhecida pela violência e tumulto que causou. Durante horas, os camelôs e ambulantes resistiram à tomada de suas mercadorias e aos ataques armados contra homens mulheres e crianças, indiscriminadamente.

Já naquele dia, Benedito Mariano, ouvidor do município, declarava orgulhoso, que aquela seria "a primeira vez na historia que uma operação desse porte foi feita na nossa cidade. E ela foi coroada de êxito". Ou ainda: "Estou pedindo que a guarda civil faça patrulhamento ostensivo, para impedir o trabalho dos camelôs". Em dezembro, os representantes da prefeitura declaravam: "Tolerância zero com os camelôs", faltando apenas ligá-los ao narcotráfico internacional para justificar uma nova onda de violência contra os ambulantes.

O resultado é que os marreteiros se preparam para mais um enfrentamento no centro de São Paulo, que será novamente um campo de batalha, onde centenas de ambulantes terão que combater o braço armado das máfias e rechaçar as campanhas de espancamento executadas pela guarda municipal - uma promoção da "prefeitura popular" de Martha Suplicy.

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