O mito Ghandi e a falsa política de não violência

Transcrição de uma das respostas do Dr. Amit Bhattacharyya, professor de História da Universidade de Jadavpur, em Calcutá, durante seu ciclo de conferências ‘Índia: Dominação Imperialista e Revolução’, apresentado em universidades do Brasil em agosto desse ano.

http://www.anovademocracia.com.br/81/20gandhi.jpg

Existiam dois caminhos diferentes no período da luta pela independência na Índia: um era o caminho elitista, dirigido pelo Partido do Congresso indiano. O outro era o caminho revolucionário, guiado pela pequena burguesia revolucionária do país. Os adeptos desse segundo caminho colocaram tudo a serviço da independência e fizeram grandes sacrifícios. Seu objetivo era verdadeiramente a independência nacional.

O Partido do Congresso indiano, liderado por Ghandi, Nehru* e outros, nunca defendeu a independência da Índia.

Nas resoluções do congresso do Partido do Congresso de 1966, qualquer um pode notar que não havia nenhuma demanda contra a dominação britânica. Não se falava a respeito da independência da Índia.

Nesse mesmo documento, havia outras 11 demandas. Logo depois do congresso, quando a questão da independência foi colocada, Gandhi afirmou que se os britânicos atendessem os outros 11 pontos, nunca mais iria se ouvir falar em independência da Índia. Os 11 pontos eram as 11 demandas da grande burguesia indiana. Não havia nenhuma demanda pelo fim da lei colonial.

Todos sabem que Gandhi liderou 3 importantes movimentos. O movimento de não-cooperação em 1920, o movimento de desobediência civil em 1930, e movimento pela expulsão dos ingleses. Gandhi atuou como liderança do Partido do Congresso para esterilizar o movimento de desobediência civil e não-cooperação. Nesse momento estavam ocorrendo revoltas estudantis e operárias por todo o país. Gandhi organizou o movimento para desviar a atenção do povo do movimento revolucionário para os movimentos de desobediência e movimentos pacifistas.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Sabemos que a 2º Guerra Mundial começou em 1939, e nesse momento Gandhi declarou apoio ao governo britânico. Havia duas forças em guerra: as aliadas e as do Eixo. Em 1942, quando a Holanda caiu nas mãos de Hitler, Gandhi passou a pensar que a Alemanha podia ganhar a guerra e, portanto, se a Alemanha dominaria a Europa, o Japão dominaria a Ásia. Nesse caso, se o Japão ganhasse a guerra na Ásia, seria o senhor da Índia. Foi nesse contexto que ele fez o chamado à expulsão dos britânicos. Mas as conclusões de Gandhi se mostraram erradas e, quando a Inglaterra foi vitoriosa e o Japão derrotado, foi Nheru quem subiu ao poder e Gandhi perdeu toda sua importância na política indiana, e vivia se lamentando de que não se lembravam dele.

Outra questão importante é a política de não violência de Gandhi. Essa política não tinha valor universal. Ele falava de não violência quando o povo indiano reagia à violência colonial dos britânicos, mas quando tratava da violência dos britânicos contra o povo indiano ele se calava. Quando houve o levantamento popular de 1918, quando muitas pessoas foram mortas pelos britânicos, Gandhi não denunciou o genocídio. No início do século XX, quando houve o levantamento zulu na África do Sul, Gandhi se posicionou contra os zulus e ao lado dos colonizadores. Durante a 1º Guerra Mundial, ele tomou parte ativa no recrutamento para que os camponeses se alistassem como soldados na guerra ao lado dos britânicos. E, quando Bhagat Singh, uma importante liderança na luta pela independência da Índia, inclusive mais conhecido que Gandhi naquele período da luta de libertação, foi sentenciado à morte pelos britânicos, Gandhi não lutou pela revogação dessa sentença de morte, mas disse que “Bhagat Singh, como assassino, deveria pagar pela sua dívida”.

Se Gandhi fosse realmente um defensor da não violência então ele deveria ser contra toda forma de violência, não poderia ter tomado parte na guerra zulu, não deveria ter tomado parte na 1º Guerra Mundial recrutando pessoas para servir aos britânicos, teria lutado pela revogação da sentença de morte contra Bhagat Singh. Basicamente, a política de Gandhi era servir aos interesses dos britânicos.

É verdade que, nos livros das escolas indianas, Gandhi é projetado como herói do processo de independência, mas recentemente tem sido publicada uma série de artigos que mostram Gandhi com uma outra faceta.

*Jawaharlal Nehru, líder do Congresso Nacional indiano, partido fundado por intelectuais e a burguesia hindu, assumiu o governo imediatamente depois da saída do vice-rei britânico.


NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro