Shuji Kosek: Incansável militante da causa proletária

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No dia 14 de julho passado, faleceu em São Paulo, capital, aos 77 anos, vítima de um câncer pulmonar, o militante comunista Shuji Kosek. Ele foi um convicto e firme militante comunista no qual se destacava a simplicidade, discrição, solidariedade, serenidade e decisão. Ele deixou sua companheira, dois filhos e uma neta.

Shuji Kosek nasceu no Japão em 1934 e emigrou com a família para o Brasil quando tinha 3 anos de idade. Em 1937 seu pai veio para o Brasil com os filhos mais novos e se instalou no interior de São Paulo, onde adquirira propriedade rural. De fortes costumes tradicionais feudais, impunha à família devoção ao imperador, razão pela qual os dois filhos mais velhos ficaram no Japão para servir ao fascista exército imperial de então, morrendo um deles como piloto kamikase na II Guerra Mundial.

Devido à falta de recursos, Shuji foi obrigado a interromper seus estudos aos 10 anos de idade, após terminar o ensino primário. Somente pôde retornar aos estudos com 21 anos, quando seu pai lhe concedeu um alqueire de terra para cultivar e arcar com suas despesas.

À diferença de toda sua família, Shuji rechaçava as tradições cultuadas por ela e desde a sua juventude inquietava-se com as injustiças da ordem vigente no mundo e no país, passando a admirar cada dia mais aos países e povos socialistas, bem como as lutas revolucionárias da época, como a Revolução Cubana e a Guerra de Libertação do povo vietnamita. No ambiente de grande agitação política da década de 1960, Shuji atirou-se à militância política de esquerda. Ao participar de um curso sobre marxismo ministrado por dirigentes da POLOP, logo decide se incorporar a esta organização.

Entre os anos de 1964 a 1969, participa de diversas manifestações estudantis em São Paulo e é neste período que ingressa no curso de matemática da USP, tornando-se professor no cursinho pré-vestibular Equipe. Lá faria contatos com outros militantes de diferentes organizações revolucionárias.

Em setembro de 1969, seu companheiro de trabalho no cursinho Equipe e com quem dividia apartamento, Ishiro Nagami, morre num acidente com a bomba que o mesmo confeccionara para uma ação revolucionária. Shuji, até então, desconhecia a militância de seu companheiro na ALN. Em razão de tais coincidências, é preso e brutalmente torturado para que admitisse seu envolvimento na confecção da bomba e militância naquela organização. Porém, os torturadores nada puderam obter dele, senão que se depararam com a extraordinária firmeza e decisão de um jovem revolucionário, franzino, de pequena estatura.

Quando sai da prisão, obtém apoio de companheiros do MR8, organização que passa a integrar, recebendo dela orientação e apoio para sair para o Chile, onde a mesma planejava realizar seu congresso de reorganização para retomar a luta no país de forma mais estruturada. Já no Chile, se vê obrigado a abandonar o país após o golpe militar do general Pinochet. Mesmo sabendo dos riscos, ele decide regressar ao Brasil. Ao chegar ao Rio Grande do Sul é novamente preso e transferido para o Doi-Codi/SP, onde é mais uma vez brutalmente torturado. Mais uma vez vence a tortura com firmeza, derrotando seus covardes algozes, negando-se a fornecer qualquer tipo de informação.

Já no presídio Tiradentes, São Paulo, Shuji recontata o MR8 e assim que deixa a prisão se lança de corpo e alma na militância clandestina. São anos difíceis sob o regime militar para reaglutinar militantes na luta de organização da resistência popular nos bairros, fábricas, sindicatos, no movimento estudantil e na luta pela libertação dos presos políticos. Com o reascenso do movimento de massas do final dos anos de 1970 e início dos de 1980, atuando na zona Sul de São Paulo, lança-se como brigadista do Jornal Hora Povo no Largo 13, em Santo Amaro e no Jardim Ângela.

Dada à sua abnegada militância, compromisso e firmeza, é convocado pelo comitê central da organização para assumir as tarefas de apoio logístico da direção. No cumprimento desta tarefa Shuji se depara com a conduta liberal de alguns membros da direção, problema que se agrava com divergências na linha política, levando-o ao rompimento com o MR8 no ano de 1983. Após esse rompimento e sem identificar maior justeza em nenhuma outra organização que conhecesse, Shuji passa a trabalhar em sindicatos e busca desenvolver atividades de solidariedade às lutas populares. Jamais deixou de lutar um só dia pela liberdade e defendia a necessidade da revolução como única via possível para realizar as aspirações das massas populares, na construção de uma nova sociedade.

Em 2005, através de outro ex-preso político, Shuji conhece o jornal A Nova Democracia, encontrando nele grande identidade com seu pensamento. De leitor assíduo, passa imediatamente, junto com outros apoiadores, à tarefa de formação do Comitê de Apoio ao AND em SP. Mesmo com idade já avançada e problemas de saúde, participa ativamente na organização das brigadas de divulgação do jornal no Largo 13, Praça da Sé e portas das fábricas MWM e Prada. Sua firmeza e abnegação foi um grande exemplo para todos. Além de ter se tornado um tribuno popular do AND, preocupado com o rumo da luta revolucionária no país, Shuji retoma sua militância de veterano comunista. Busca reaglutinar velhos companheiros e se dedica incansavelmente às atividades de organização de círculos de operários, mulheres e estudantes.

Indignado com a traição e o oportunismo da maioria dos militantes ditos de esquerda, repudia o reformismo e o apodrecimento a que chegou o movimento sindical, rechaça a cantilena eleitoreira e propugna pelo caminho da luta armada como o único meio capaz de levar o povo a conquistar seus direitos pisoteados, através da luta pela conquista do poder para o povo. A partir de um profundo balanço crítico e autocrítico do processo revolucionário mundial e brasileiro, Shuji passa à defesa do maoísmo como sendo a terceira etapa de desenvolvimento do marxismo, do marxismo-leninismo. Defendia o maoísmo como o marxismo e o marxismo-leninismo da atualidade.

Empenhado no estudo da ciência do proletariado, buscava sempre estimular que todos estudassem o marxismo, com atenção particular para com os jovens. Na defesa da luta armada e da necessidade de um autêntico partido revolucionário do proletariado brasileiro para levar adiante a revolução de nova democracia ininterrupta ao socialismo, dedicou nos últimos anos intenso e infatigável trabalho de propaganda revolucionária e de organização. Com a firmeza, humildade, paciência e decisão de sempre, Shuji conquistou grande admiração de todos que com ele atuava, particularmente daqueles das novas gerações de revolucionários que a ele se uniram. Hoje sentindo sua imensa falta, buscamos suprir sua ausência redobrando esforços e seguindo seu exemplo de militante incansável e devotado à causa.

*Pelas companheiras e companheiros revolucionários de São Paulo


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