Luta pela terra

Pará

Nova rebelião popular

Na noite de 6 de outubro, centenas de moradores enfrentaram a tropa de choque da PM no quilômetro 18 da BR-316 entre Belém e Castanhal, no Pará.

O protesto popular se deu devido ao assassinato do líder comunitário José de Arimatéia, 46 anos, de Marituba, que lutava pela posse da terra por mais de três mil famílias que viviam em uma ocupação urbana na periferia do município.

Após o assassinato de José Arimatéia, os moradores bloquearam as duas pistas da rodovia. A tropa de choque descarregou bombas e fez disparos contra a população revoltada que reagiu com paus e pedras resistindo por quatro horas.

Parentes e amigos da liderança denunciam que ele foi executado e informaram que a motivação do crime tem ligação com a luta pela terra e a disputa pela área ocupada há quase quatro anos por cerca de 3 mil famílias.

Um dos moradores da ocupação afirmou que a área está situada em terras devolutas e que, apesar disso, foi a leilão fraudulento, tendo sido arrematada por R$ 3 milhões por um empresário dono de uma grande construtora do estado.

Prisão para camponeses e impunidade para pistolagem

Treze camponeses foram presos em 8 de outubro durante uma incursão policial denominada "operação Mutamba". A operação ocorreu no complexo Mutamba, um latifúndio zona rural de Marabá – PA, reclamado pelo latifundiário Aziz Mutran.

"A família Mutran possui três fazendas nas três "listas sujas" do trabalho escravo. A Cabaceiras foi autuada duas vezes: em agosto de 2002, 22 pessoas ganharam a liberdade e, em fevereiro deste ano, outros 13. Em agosto de 2002, 25 pessoas foram libertadas da fazenda Mutamba, de Aziz Mutran, em Marabá. Por fim, em dezembro de 2001, mais 54 na Peruano." [fonte: www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=56]

Famílias camponesas lutam há anos por aquelas terras. Notícias veiculadas em jornais daquele estado dão conta de que os camponeses, defendendo a área ocupada por suas famílias, teriam incendiado uma ponte em um dos acessos ao acampamento.

A operação policial se estendeu até o latifúndio Cedro, localizado à margem da BR 155, distante cerca de 50 km de Marabá, onde encontram-se famílias dirigidas pelo MST.

Os policiais apresentaram algumas armas que afirmaram pertencer aos camponeses. Já os camponeses dão outra versão, confirmada por veículos de comunicação da região. As armas encontradas com os camponeses no latifúndio Cedro teriam sido tomadas de pistoleiros do local travestidos de 'seguranças' que já haviam, repetidas vezes, ameaçado as famílias acampadas. As armas tomadas dos pistoleiros foram entregues aos policiais e a Polícia Civil declarou que irá "instaurar inquérito para apurar o caso." [fonte: agencianortedenoticias.com.br]

O jornalista Edinaldo Souza, repórter do Jornal Opinião e colaborador do Diário do Pará e da Revista Foco, dá mais detalhes desses acontecimentos em seu blog barrancasdoitacaiunas.blogspot.com. Ele relata que, pelo menos setenta camponeses teriam cercado os 'seguranças', que foram levados para o acampamento Helenira Resende, "de onde saíram sem roupa, sem as armas e sem os coletes."

Coordenador de acampamento é preso

Com informações de resistênciacamponesa.com

No dia 9 de outubro, famílias camponesas que há mais de quatro anos lutam pela posse das terras do latifúndio Pioneiro, na região de Eldorado dos Carajás, retomaram as terras de onde haviam sido despejadas em agosto último. 

Seis dias depois, uma incursão da polícia militar de Eldorado dos Carajás contra a área resultou na prisão de Alexandre Macedo de Oliveira, coordenador do acampamento, que foi levado para a delegacia de Curionópolis. As famílias exigem a libertação imediata do camponês Alexandre.

Mais uma liderança assassinada

Com informações da CPT e blog do Sakamoto

No dia 22 de outubro, por volta das 14 horas, foi assassinado com um tiro na cabeça João Chupel Primo, com 55 anos. Ele era liderança do Projeto de Assentamento Areia e trabalhava numa oficina mecânica em Altamira – PA.

João denunciava a grilagem de terras e extração ilegal de madeira, feitas por um consórcio criminoso. A polícia local tem registros de vários boletins de ocorrências sobre ameaças de morte contra a liderança camponesa.

Desde 2005, já foram assassinadas mais de 20 pessoas nessa região. Enquanto o latifúndio e grandes empresas madeireiras com seus bandos de pistoleiros atuam livremente em toda a Amazônia, o exército, as polícias, Ibama e outras instituições do velho Estado promovem cruzadas contra o movimento camponês e os trabalhadores do campo.

Pernambuco

Pistolagem e despejo policial

Na manhã de 12 de outubro, um bando de pistoleiros armados com espingardas calibre 12 cercaram sessenta famílias camponesas acampadas próximo ao latifúndio Serro Azul, entre os municípios de Altinho e Agrestina, no Agreste de Pernambuco.

Ao meio dia, sem portar qualquer ordem judicial, mais de 50 policiais, entre soldados da Tropa de Choque da Polícia Militar e da polícia de Altinho realizaram o despejo ilegal das famílias, atearam fogo nos barracos enquanto capatazes do latifúndio passavam com um trator por cima do que restou.

As famílias se deslocaram para o assentamento Frei Damião, próximo ao latifúndio.

Camponês desaparecido

No dia 14 de outubro, o camponês José Amaro da Silva, militante do MST, desapareceu quando saía do acampamento no Engenho Brasileiro, município de Joaquim Nabuco, região metropolitana de Recife.

A notícia do seu desaparecimento preocupa o movimento camponês e as organizações de luta pelos direitos do povo, pois o município é marcado por conflitos agrários e ameaças de pistoleiros contra camponeses.

Alagoas

Provocações do latifúndio

http://www.anovademocracia.com.br/83/05.jpgNo dia 14 de outubro o latifúndio fez provocações contra famílias organizadas pela Liga dos Camponeses Pobres em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió. Máquinas agrícolas da Fazenda Santa Amália se dirigiram contra a área ameaçando passar por cima do terreno onde estão as lavouras dos camponeses.

Os camponeses denunciam que grande parte da fazenda Santa Amália pertence à prefeitura de Marechal Deodoro, "e o prefeito, Cristiano Matheus, não estava no local para negociar. 'Ele simplesmente nos abandonou'", declarou um camponês ao realdeodorense.com.br em 14 de outubro.

"Negociaremos, mas não abriremos mão das nossas lavouras", declarou uma liderança do assentamento ao tribunahoje.com.

Feira camponesa comercializa toneladas de alimentos

A Comissão Pastoral da Terra anunciou a realização da 15ª edição da Feira Camponesa em 19 de outubro. Dezenas de camponeses de Alagoas expuseram e comercializaram, em 115 barracas, produtos oriundos de assentamentos e acampamentos do interior na Praça Afrânio Jorge, a Praça da Faculdade, no bairro do Prado, em Maceió.

Durante a feira, os camponeses faziam a propaganda da luta pela terra e dos resultados da produção coletiva, do direito à terra para quem nela vive e trabalha. Estima-se que 200 toneladas de alimentos foram comercializados.


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