Chorando com 13 cordas

A- A A+
Pin It

Duo de violões de 6 e 7 cordas, integrado pelos chorões mineiros Carlos Walter e Sílvio Carlos, o 13 Cordas foi criado para preservar e difundir as linguagens do choro, violonísticas ou não. O 13 corresponde à soma das cordas e, somando-as ao talento, dedicação e amor pelo choro, surgiu um rico repertório, com base em pesquisas e experimentos sólidos, que inclui composições próprias, de grandes chorões do passado, conhecidos chorões mineiros, ou ilustres desconhecidos, além de ministrarem oficinas e palestras em Belo Horizonte e até na Europa.

— Surgimos a partir de rodas de choro, a principal delas é a do Bar do Bolão, talvez a mais tradicional na história do choro mineiro, no bairro Padre Eustáquio, um bairro tradicional daqui de Belo Horizonte. Outro ponto de partida foram as reuniões do Clube do Choro de Belo Horizonte, associação criada para preservar e difundir o choro — conta Carlos Walter.

— Não tocamos somente músicas do repertório tipicamente violonístico, fazemos um trabalho de adaptação, arranjos, procurando trazer um pouco da linguagem de outros instrumentos para a linguagem violonística do choro, coisa que existe no Rio e em São Paulo e achamos que estava faltando aqui em Minas — explica.

— Pegamos o disco do Cachimbinho, por exemplo, Saudade de um clarinete, com naipes de vários instrumentos de sopro, o saxofone do Zé Bodega, a clarineta do Cachimbinho, e adaptamos para a formação do violão, partindo do princípio que o violão é uma pequena orquestra onde se pode fazer melodias, harmonias e uma série de contrapontos — continua.

Carlos é filho de um saxofonista, conhecendo bem o repertório para instrumento de sopro aplicado ao choro.

— Existe aquela coisa de se tocar violão com intenção saxofonística ou pianística, por exemplo, e isso está presente na confecção desses nossos arranjos. Meu pai é um músico chorão, e meu avô e bisavô também eram. O choro promove uma espécie de interação geracional. No nosso show, inclusive, vivemos essa história em gerações, escolhendo algumas peças características de cada uma, e fazendo uma abordagem didática sobre o compositor — conta.

— Passamos pelas principais variações rítmicas do choro, o maxixe, a polca, samba choro, choro canção. Contamos com a retaguarda percussiva do Camargo, que é um pandeirista. No nosso repertório estão obras de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Vila Lobos e uma série de outros compositores do passado, músicas autorais e de compositores locais — acrescenta.

Os shows do duo duram, em média, uma hora e meia, relativiza o formato tradicional de uma roda de choro.

— Embora não tenhamos a forma de uma roda típica de choro, procuramos trazer o clima dessa roda, porque tentamos fazer uma apresentação que leve ao público entretenimento e lazer, e enriquecemos esse arcabouço com comentários. Os títulos dos choros são normalmente engraçados, lúdicos, então trazemos um pouquinho desse clima, do espírito de uma roda de choro para o palco — relata.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Tocando e ensinando

— Além das apresentações, temos um trabalho didático, com oficinas e palestras. Durante uma hora e meia passamos pelos desdobramentos do choro, desde a segunda metade do século 19 até a atualidade. Pelo Clube do Choro de Belo Horizonte, quando fui assessor e o Sílvio diretor cultural, realizamos umas oficinas de instrumentos típicos do choro, gratuitas — lembra Carlos.

— O resultado desse trabalho foi um livro, que publiquei pelo Clube de Autores, chamado O violão e as linguagens violonísticas do choro. É um temário geral sobre o imaginário violonístico, uma série de referências sólidas para investigações científicas, com dicas e técnicas — comenta.

Com quatro anos de existência, o 13 Cordas tem se apresentado em importantes redutos mineiros, e no ano passado esteve no VI Festival de Choro de Paris, na França.

— Fizemos uma amostragem do nosso repertório e ainda realizamos uma oficina sobre as linguagens violonísticas do choro. Gravamos em vídeo e também um áudio as apresentações que fizemos lá. Por aqui já nos apresentamos, entre outros, no Projeto Pizindin — Choro No Palco, na extinta Feira do Choro, na Feira Tom Jobim, no Espaço Minas Gerais, em plena Rua Minas Gerais, próximo a Av. Paulista, em São Paulo — fala.

— Nos apresentamos também em eventos e bares que aparecem. A abertura da Feijoaria, dia 6 de novembro, por exemplo, fica por nossa conta. É um espaço temático, com gastronomia tipicamente mineira, e vários quadros dos mestres e compositores do choro por toda parte — continua.

O duo pretende gravar seu primeiro disco em breve, e para isso já definiu um repertório.

— A ideia do disco é gravar composições autorais, de compositores daqui e algumas peças clássicas. Na França, tivemos a oportunidade de conhecer a obra de um violonista mineiro, radicado por lá há 30 anos, o Toninho Ramos. Comprei algumas partituras suas e comecei a adaptar para incluir no repertório. Vamos gravar também uma música chamada Mozartiando, feita por um clarinetista de grande talento, mas ilustre desconhecido, o Zé Maria, falecido recentemente — expõe.

— Essa música homenageia o Mozart, um violonista de 6 cordas, autêntico chorão, respeitadíssimo aqui em Belo Horizonte. Com quase 90 anos, ele toca até hoje e é aquele chorão bonachão que todo mundo ama, dos mais jovens até pessoas da sua geração — continua.

— Achamos importante falar dos talentos desconhecidos, como o Zé Maria, e das figuras conhecidas, como o Mazart e também o Bolão, que também tem mais de 80 anos de idade. Inclusive, independente das apresentações, eu e o Sílvio nos encontramos frequentemente na roda de choro do Bar do Bolão, que é para manter o repertório em dia. Só que lá é uma coisa muito informal, o 13 Cordas com todos os outros solistas e músicos que aparecem na roda — conclui Carlos Walter.

Para contatar o 13 Cordas: (31) 9719-1979 e (31) 9954-6890 Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja