Luta pela terra

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Rondônia

Após ameaças, exército acampa em Cerejeiras


Tropas da Força Nacional desembarcam em Vilhena

Era 9 de novembro quando chegou à área Zé Bentão, parcela da fazenda Santa Elina, em Corumbiara – RO, retomada pelos camponeses, uma comitiva do Incra, composta pelo superintendente regional Carlino Lima, a ouvidora agrária regional Márcia do Nascimento Pereira, o coronel da PM Marcio Araújo Pinto, o delegado agrário Lucas Torres Ribeiro, além de diversos outros policiais civis e militares fortemente armados de fuzis e metralhadoras, em um total de 5 viaturas.

Havia sido acertada uma data para que comparecessem ao acampamento, mas não era aquela.

Segundo o relato dos camponeses, Carlino Lima, arrogantemente, afirmou que não estava ali para ouvir ninguém, e disse que a partir de então, ele e o Incra "eram os donos das terras da fazenda Santa Elina, que foi comprada com dinheiro do tesouro nacional". Disse também que ele e o Incra iriam determinar as regras, que iriam fazer um "pré-cadastro" e quem não passasse no perfil seria excluído.

O Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina – Codevise chama a atenção para o fato de que é justamente isso que denunciavam há muito: o Incra pretende despejar as famílias das áreas Zé Bentão e Maranata, terras das quais os camponeses e famílias remanescentes da batalha de 1995 são legítimos donos.

O Codevise ainda denuncia que "várias pessoas teriam comprado lotes e outros seriam beneficiados pelo Incra apenas por serem da base de atuação de politiqueiros", e que "o Incra está prometendo lotes na fazenda Santa Elina em todos os acampamentos espalhados em Rondônia".

Ainda durante a passagem da comitiva na área Zé Bentão, em uma manobra denunciada pelos camponeses, a ouvidora agrária Márcia fez circular uma lista cujo cabeçalho apresentava os dizeres: "desocupação pacífica do imóvel para futuro assentamento".

Os camponesas também protestaram contra a presença policial, que a todo tempo ameaçou e tentou intimidar as famílias ostentando suas armas, e se manifestaram contra a tentativa de despejo:

"Exigimos que o Incra respeite a organização interna da área. Exigimos que o corte da terra seja respeitado, sendo 296 lotes de 8 alqueires mais 4 alqueires de reserva em bloco (sem contar as terras da fazenda Maranata e Nossa Senhora Aparecida que ainda não foram cortadas). Exigimos que todas as pessoas que hoje vivem e trabalham em suas posses tenham direito de continuar nessas terras produzindo. E exigimos que cesse qualquer intimidação por parte da polícia.

Não estamos dispostos a perder tudo o que conquistamos com muita luta, suor e sangue e por isso resistiremos a qualquer tentativa de despejo. E caso ocorra um conflito, o Incra, a ouvidoria agrária, o governo federal e estadual e a polícia serão inteiramente responsáveis pelo que ocorrer de mal as famílias de camponeses."

Exército prepara operação

O Comitê de Defesa das Vítimas de Corumbiara – Codevise informou em nota datada de 27 de novembro que "tropas do exército brasileiro e Força Nacional estão estacionadas na cidade de Cerejeiras, outras unidades da Aeronáutica que contam com helicópteros e aviões estão em Vilhena para participarem de operações na região sul do estado. Uma dessas ações seria realizar a retiradas das mais de 260 famílias que em dezembro comemoram um ano da realização do corte popular e posse das terras pelos remanescentes das vítimas de Santa Elina e camponeses sem terra. Desde julho de 2010 estas famílias retomaram as terras depois de 15 anos de promessas e muita enrolação.

Nos últimos meses o Incra e a Fetagro retomaram esses ataques ameaçando as famílias que trabalham e produzem nas terras de serem despejadas. As polícias militar e civil têm realizado levantamentos de lideranças e trabalhadores visando a sua prisão e perseguição. Membros da Fetagro e representantes do Incra também têm realizado um amplo trabalho de deduragem de ativistas e lideranças camponesas junto à polícia.

A situação é grave, estão preparando uma onda de prisões e perseguições aos camponeses de Santa Elina. Um delegado que esteve na área disse que fariam como no sul Pará, em alusão a chamada operação "Paz no Campo" levada a cabo pela então governadora Ana Júlia Carepa (PT) no despejo de 1100 famílias da fazenda Forkilha em novembro de 2007. Nesta ocasião cerca de 200 camponeses foram presos e torturados pela PM e doze ativistas que participaram da mobilização para a tomada da área foram assassinados posteriormente por pistoleiros a serviço do latifúndio.

O governo Dilma Roussef (PT) já deixou claro que esta é a sua política agrária, ou seja, financiar o agronegócio exportador de matéria prima barata e concentrador de terras com bilhões, e criminalizar os camponeses que lutam pela terra de forma combativa. Há anos Lula prometeu que assentaria as vítimas de Santa Elina, mas nunca fez nada. Sequer uma delegação de camponeses que ficaram acampados em Brasília por mais de 23 dias em agosto de 2007. Depois de tanto esperar, as famílias decidiram retomar as terras e exigem o reconhecimento de sua posse."

Camponês é sequestrado e torturado por policiais

Denúncia da LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental veiculada em resistenciacamponesa.com no dia 23 de novembro de 2011 deu conta de que, no dia 18 de novembro, o camponês Luiz Antunes foi covardemente torturado por policiais civis e militares do município de Buritis, no PA Rio Alto.

Luiz retornava da cidade quando foi fechado por três caminhonetes sem identificação próximo ao seu lote. Cerca de 15 policiais armados saíram dos veículos e, sem nenhuma explicação ou perguntas, o derrubaram, pisaram em sua garganta e iniciaram sessões de sufocamento com saco plástico, espancamento com porretes e com um cabo de foice. Com isso, eles pretendiam que o camponês assumisse a culpa por delitos ocorridos na região do Projeto de Assentamento Rio Alto e o torturaram durante duas horas.

Após a sessão de torturas, os policiais levaram Luiz ao hospital municipal para que seus graves ferimentos fossem amainados e não denunciassem a tortura, e fizeram circular na internet a notícia de que o camponês "havia corrido de moto ao avistar os veículos e que seus ferimentos eram causados por uma queda que havia sofrido durante a fuga". E como se não bastasse, Luiz ainda ficou preso por dois dias na delegacia de Buritis antes de ser liberado.

Luiz Antunes é morador do mesmo assentamento em que os dirigentes da LCP, Élcio Machado e Gilson Gonçalves, foram barbaramente torturados e assassinados em dezembro de 2009. Até hoje os responsáveis por estes crimes seguem impunes.

Pistoleiros e PMs despejam famílias

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental   

No dia 8 de novembro as famílias do Barro Branco, área localizada no município de Chupinguaia, foram covardemente atacadas por pelo menos 15 pistoleiros e policiais militares. Os poucos pertences das famílias foram destruídos e as pessoas se refugiaram na mata.

É a repetição de uma série de atentados contra essas famílias, que há mais de 8 anos vivem e trabalham na área Barro Branco. Elas já haviam sido despejadas em setembro desse ano. Na ocasião, os camponeses perderam suas terras, suas casas, produção e tiveram todas as benfeitorias queimadas e destruídas. Um representante do Incra chegou a dar um tapa no rosto de um camponês que resistia ao despejo.

Os camponeses tiveram que acampar na beira de uma estrada e buscavam se reorganizar para retomar a área quando foram novamente atacados.

As famílias do Barro Branco seguem organizadas e decididas a retomarem suas terras.

Vitória contra a criminalização do movimento camponês

Com informações da LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental    

Na edição nº 35 de AND, publicada em julho de 2007, era noticiada a absolvição dos camponeses Wenderson dos Santos, conhecido como Ruço, e Joel Gomes da Silva em um júri popular. Ruço foi prisioneiro político durante quatro anos. Ele passou o fim de sua detenção no famigerado presídio Urso Branco, em Porto Velho, Rondônia, e a luta por sua libertação resultou em uma campanha internacional que contou com a adesão de personalidades democráticas, organizações sindicais e de luta popular e de centenas de pessoas.

Edilberto Resende da Silva era acusado no mesmo processo de porte ilegal de arma de fogo e de ter matado um pistoleiro do latifundiário conhecido como ‘Galo Velho’.

Passados quatro anos da absolvição de Ruço e Joel, Edilberto foi para o banco dos réus. Mais uma vez ele foi alvo de acusações infundadas e ataques do promotor Adilson Donizete de Oliveira, que em seu discurso ultrapassou as bordas do ridículo ao tentar associar a luta dos camponeses pela terra às Farc e até mesmo à Al Qaeda.

E mais uma vez foi provado que os camponeses eram inocentes das acusações feitas pelo latifúndio, pelo promotor e pelo major Ênedy Dias de Araújo, requentadas repetidas vezes pelo monopólio da imprensa.

Edilberto foi absolvido. Uma importante resposta da luta camponesa frente à odiosa campanha de criminalização dos lutadores do povo em Rondônia e em todo o país.

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Paraíba

Liderança assassinada por pistoleiros

José Gomes de Lima, liderança do MST e presidente da Cooperativa Rural do Assentamento Venâncio Tomé de Araújo, foi assassinado em uma emboscada em Campina Grande – PB, em 25 de novembro.

Seu corpo foi encontrado por moradores do sítio Curral Velho, na região de divisa entre os municípios de Campina Grande e Boa Vista.

Relatos dão conta de que José Gomes seguia de motocicleta com destino a sua residência no assentamento Venâncio Tomé de Araújo, quando foi surpreendido por pistoleiros nas proximidades da Fazenda Quixaba.

Ele foi assassinado com seis disparos de revólver calibre 38 que o atingiram nas costas e na cabeça. Seus familiares denunciaram que há vários dias ele vinha sendo ameaçado de morte por pessoas desconhecidas na região que questionavam a posse da terra onde ele e mais 20 famílias residem há cerca de 11 anos.

Mato Grosso do Sul

Cacique, mulher e criança assassinados

Com informações do blog do Sakamoto

Em 18 de novembro os guarani kaiowá denunciaram o assassinato do cacique Nísio Gomes, de uma mulher e uma criança de cinco anos, por disparos de grosso calibre efetuados por pistoleiros no lugar conhecido como Ochokue/Guaiviry, nas proximidades da vila de Tagi, à beira da MS-386, entre Ponta Porã e Amambai, no Mato Grosso do Sul.

Segundo as denúncias, o corpo do cacique foi carregado do acampamento numa caminhonete e pode ter sido levado para o Paraguai, cuja fronteira fica a meia hora do local.

O assassinato do cacique se deu após uma série de ameaças feitas por latifundiários da região. Dias antes, um grupo do qual o cacique Nísio Gomes havia sido foi cercado por pistoleiros fortemente armados e sofrido sérias ameaças de morte.

Em um período de oito anos, de 2003 a 2010, o Mato Grosso do Sul concentrou 55,5% dos casos de assassinatos de indígenas no país. Segundo o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul, preparado pelo Conselho Indigenista Missionário – Cimi, foram pelo menos 250 casos registrados.


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