Luta classista rompe a crosta do oportunismo e da opressão

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Obras do PAC

Mais de 200 mil operários em greve


Assembleia de operários aprova greve no porto de Suape, Pernambuco

Milhares de trabalhadores se levantaram num dos maiores ciclos de lutas operárias das três últimas décadas em nosso país. O que motivou a torrente de revoltas foram reivindicações elementares, solapadas pelos gerenciamentos de turno, pelos grandes grupos de construtoras, e contando com o aval das centrais sindicais governistas.

Abreu e Lima abre o ciclo

A primeira greve ocorreu em 11 de fevereiro na refinaria Abreu e Lima, no complexo industrial petroquímico de Suape – PE. O movimento foi brutalmente reprimido. Um operário foi morto e outro ficou gravemente ferido, segundo denúncias, por disparos feitos por capangas contratados pela direção do Sintepav, sindicato ligado à Força Sindical.

Movimento segue pelos trilhos no sertão

Em 2 de agosto uma nova greve paralisou os trabalhos na refinaria e se estendeu até as  obras da Transnordestina, uma ferrovia que ligará os portos de Pecém - CE e Suape - PE ao cerrado do Piauí. Outra greve ainda paralisaria a Transnordestina em 5 de dezembro.

Rebelião operária em Jirau

Em 15 de março explodiu a revolta no canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, situada no Rio Madeira, a cerca de 150 km da capital de Rondônia, Porto Velho. Essas obras são realizadas pelo Consórcio Energia Sustentável do Brasil, composto por Suez Energy, Camargo Correa Investimentos, Eletrosul Centrais Elétricas e Companhia Hidro Elétrica do São Francisco.

Seiscentos soldados da Força Nacional de Segurança foram enviados pelo gerenciamento Rousseff para reprimir o protesto e sitiaram centenas de operários que, sob a mira de armas, foram embarcados em ônibus e aviões de volta para suas cidades natais.

Em meados de abril a construtora Camargo Corrêa anunciou a demissão de 4 mil operários em Jirau. Em dezembro a Justiça do Trabalho de Rondônia determinou o bloqueio de R$ 1 milhão em bens do consórcio Energia Sustentável do Brasil, para garantir o pagamento de alimentação, transporte e hotel aos trabalhadores e solicitou a prisão por dívida de caráter alimentar dos responsáveis pelo consórcio.

Termelétrica de Pecém: piquetes e manifestações

Os operários da Usina Termelétrica de Pecém, no Ceará, paralisaram os trabalhos em 15 de março. Enfrentando a decisão do judiciário, que havia declarado a ilegalidade da greve, eles mantiveram os piquetes e manifestações.

Em 9 de agosto ocorreu nova greve nessa obra que é empreendida pela empreiteira MPX, do grupo EBX, controlado pelo grande especulador Eike Batista, e pela EDP, empresa portuguesa de energia.

Santo Antônio: revolta no Rio Madeira

Em 18 de março, 16 mil operários das obras da hidrelétrica Santo Antônio, também no estado de Rondônia e nas mesmas águas do Rio Madeira, deflagraram greve. Essas obras são realizadas pelo Consórcio Construtor Santo Antônio, composto pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Construtora Norberto Odebrecht.

Em 28 de outubro ocorreu uma nova rebelião nos canteiros da usina Santo Antônio contra a demissão de 80 trabalhadores. Rapidamente, o Consórcio Construtor Santo Antônio determinou que cerca de nove mil operários fossem retirados dos canteiros de obras em ônibus fretados para impedir a generalização do movimento.

Revolta na usina São Domingos

A usina de São Domingos está localizada entre os municípios de Ribas do Rio Pardo e Água Clara, a 250 km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Em 24 de março, os trabalhadores se rebelaram após um operário ser agredido por um segurança da obra. Mais de oitenta trabalhadores foram presos durante os protestos que se seguiram. O consórcio responsável pelas obras de São Domingos é formado pelas empresas Engevix e Galvão.

Governo e centrais atacam greves

O gerenciamento Rousseff convocou, a toque de caixa, uma reunião com as centrais sindicais chapa-branca para atacar a luta dos operários nas obras do PAC. A sessão de conciliação para "gerenciar a crise nos canteiros de obras" e dar um fim às greves contou com a participação da Central Única dos Trabalhadores - CUT; Força Sindical; Central Geral dos Trabalhadores do Brasil - CGTB; Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB; União Geral dos Trabalhadores - UGT; Nova Central Sindical de Trabalhadores - NCST; e Coordenação Nacional de Lutas - Conlutas.

Obras paradas em Porto do Açu

Em 30 de março, mais de 1.500 operários das obras do Complexo do Porto do Açu, em São João da Barra, Rio de Janeiro, entraram em greve. As obras do Porto do Açu são efetuadas pelo consórcio ARG Civil Port, contratado pela LLX, também de Eike Batista, para a execução da obra portuária do complexo.

Maior projeto da Petrobras parado

8 de novembro: greve no canteiro de obras da refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro - Comperj, em Itaboraí, considerado o maior projeto da história da Petrobras e um dos principais do PAC. No dia 7 de dezembro, após frustradas negociações, mais de 13 mil operários entraram novamente em greve e realizaram um grande protesto.

Belo Monte em greve

Em 12 de novembro centenas de operários protestaram contra a demissão arbitrária de 170 companheiros nas obras da usina Belo Monte, no Pará. As obras são empreendidas pelo Consórcio Construtor Belo Monte, encabeçado pela empreiteira Andrade Gutierrez. No dia 25 de novembro ocorreu uma nova paralisação nessa obra. Em 12 de dezembro outros 80 operários foram demitidos por participarem das greves provocando um clima de revolta geral.

A luta dos professores das redes estaduais

Desde o mês de maio AND repercutiu a luta dos professores das redes estaduais pelo cumprimento do piso salarial nacional, contra a precarização das condições de trabalho e em defesa do ensino público. Em 17 de junho, professores já sustentavam greves em seis estados. Em 16 de agosto, ocorreram paralisações e protestos em 19 estados pelo cumprimento da lei que estabelece piso salarial de R$ 1.187,00. Essa luta foi engrossada pela mobilização dos professores das redes municipais que também fizeram um dia de luta em 25 estados, também erguendo bandeiras de cumprimento do piso salarial e por melhores condições de trabalho.

Entre as lutas mais significativas estão a histórica greve dos professores do Rio de Janeiro, mantida por 66 dias, contando com grande mobilização da categoria no interior e Baixada Fluminenses; a luta no Ceará, onde milhares de professores enfrentaram a intransigência do gerenciamento Cid Gomes (PSB), que se recusou em negociar e ordenou violenta repressão policial contra os grevistas; e em Minas Gerais, onde ocorreu a maior greve dos trabalhadores em educação do estado, mantida por 112 dias.

Universidades federais em greve

Os servidores técnico-administrativos das universidades federais ergueram bandeiras de democratização da universidade, da luta por melhores condições de trabalho, reajuste salarial, contra a deterioração da universidade pública, entre outras demandas.

A greve atingiu 47 Instituições Federais de Ensino Superior em todo o país. Na data prevista para o início do segundo semestre letivo, 136 campi localizados em 20 estados brasileiros estavam paralisados.

Capitulação aborta greve dos docentes

A greve nacional dos docentes nas Instituições Federais de Ensino Superior foi aprovada no dia 13 de agosto e chegou a ser deflagrada nas universidades do Paraná, Amapá, Alagoas, entre outras, porém foi abortada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN, que fechou um acordo unilateral com o gerenciamento federal. Com o fim da greve, os docentes das universidades federais obtiveram apenas pequenos índices, sem ganho real.

O movimento dos bombeiros no RJ

Essa luta foi marcada pela ocupação do quartel central da corporação no Rio de Janeiro por cerca de três mil bombeiros e seus familiares na noite de 4 de junho. A ocupação do quartel foi fruto da recusa do gerenciamento Sérgio Cabral (PMDB) em negociar a reivindicação da categoria de reajuste salarial dos R$ 950 para R$ 2 mil reais.

150 policiais do Bope e a tropa de choque da PM invadiram o quartel disparando bombas, balas de borracha e até tiros de fuzil contra os ocupantes. Sérgio Cabral foi à TV e chamou os bombeiros de “vândalos e criminosos”. 429 bombeiros e dez policiais que se recusaram a reprimir o protesto foram presos. A luta pela libertação desses prisioneiros políticos e pelas reivindicações dos bombeiros ganhou repercussão internacional e contou com a adesão e simpatia de milhares e milhares de pessoas. A greve que se seguiu foi marcada por massivas manifestações.

O arrogante gerente Cabral teve que se retratar e desmentir suas próprias injúrias. A luta dos bombeiros ainda foi mantida durante semanas, até a libertação dos presos políticos.

A luta por democracia nas universidades

Unir: greve vitoriosa derruba reitor

AND noticiou, em primeira mão, a vitoriosa greve na Universidade Federal de Rondônia – Unir: um marco na luta por democracia nas universidades. A greve se estendeu pelos campi de Rolim de Moura, Porto Velho, Guajará Mirim, Ji-Paraná e Vilhena, e foi mantida durante 80 dias denunciando os graves problemas da universidade e um amplo esquema de corrupção e desvio de verbas. Os grevistas enfrentaram truculenta repressão policial e ameaças de morte.

A reitoria da Unir foi ocupada por mais de dois meses. A ocupação contou com grande solidariedade de estudantes, professores, pais de alunos e até mesmo uma comissão de camponeses doou parte de sua produção em apoio à luta.

Com a intensa luta na Unir e sua grande repercussão, o reitor José Januário de Oliveira Amaral foi derrubado de seu cargo. Uma série de outras reivindicações para a melhoria da estrutura da universidade também foram conquistadas.

A luta por democracia na Unir prosseguirá através de uma nova demanda levantada pelos estudantes que seguem mobilizados: a luta por paridade na composição dos conselhos como garantia da participação ativa nas decisões e nos rumos da universidade.

USP: bandeiras seguem em punho

Após a prisão de três estudantes na USP em outubro, deflagrou-se um grande protesto estudantil que foi brutalmente reprimido pela PM. Ao noticiar esse protesto, o monopólio das comunicações tentou criminalizá-la utilizando a acusação de “consumo de drogas” para justificar a prisão dos estudantes e a presença policial na universidade.

Desde maio de 2011 a reitoria mantém um convênio com a Polícia Militar alegando “problemas de segurança” na universidade, mas os manifestantes denunciam que a presença da PM tem um conteúdo estritamente político e repressivo, devido às intensas lutas estudantis que vêm sendo travadas nos últimos anos por democracia e contra o autoritarismo do reitor João Grandino Rodas.

Em 2 de novembro a reitoria foi ocupada por estudantes que exigiam a saída da PM do campus, a saída do reitor e também o fim dos processos movidos contra estudantes em lutas anteriores. Na madrugada de 8 de novembro, cumprindo ordens do gerenciamento Alckmin (PSDB) e do reitor João Grandino Rodas, policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais e soldados da tropa de choque invadiram a universidade, atacaram os ocupantes e prenderam  73 estudantes.

Uma greve geral estudantil foi deflagrada em 8 de novembro após uma assembléia que contou com a presença de mais de dois mil estudantes. Até o fechamento dessa edição de AND (16 de dezembro de 2011), a greve é mantida em vários cursos e conta com forte adesão.

Além das lutas relatadas, muitas outras tiveram destaque nas edições de AND ao longo do ano passado, como as batalhas dos ambulantes de São Paulo em defesa do seu direito de trabalhar e contra a repressão policial, as greves nos transportes na capital paulista, a luta dos trabalhadores dos correios e dos aeroportuários, as greves dos médicos do SUS, as lutas estudantis pelo passe livre, entre outras.


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