Obras da copa param novamente

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Pernambuco

Entre o final de janeiro e início de fevereiro, os operários da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana de Recife, paralisaram as obras durante oito dias.

O estopim da greve foi o não pagamento das horas extras de dezembro pela Construtora Odebrecht, responsável pelas obras.

O Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco considerou a greve "abusiva e ilegal" e impôs uma dura multa ao sindicato da categoria. Há denúncias de que mais de 500 operários foram sumariamente demitidos pela Odebrecht após a greve. Forte aparato policial foi mantido pelo gerenciamento estadual nas imediações das obras e os operários denunciam perseguições e intimidação para que não paralisem novamente os serviços.

Os operários da Arena Pernambuco lutam por aumento de benefícios, como cesta básica de R$ 80 para R$ 120, maior participação nos lucros e resultados, plano de saúde para os profissionais e ajudantes, abono dos dias parados e estabilidade de um ano para a comissão dos trabalhadores.

Bahia


Operários da Arena Fonte Nova entraram em greve no dia 1º de fevereiro

Os operários das obras da Arena Fonte Nova, estádio de Salvador que receberá os jogos da copa do mundo de 2014, deflagraram greve em 1º de fevereiro em protesto contra o desconto de 9% de seus salários sob a alegação de "dias não trabalhados no mês anterior".

Os operários interromperam o trânsito da via em frente à obra e somaram às suas palavras de ordem a reivindicação do descanso remunerado e o pagamento de 100% das horas extras, 20% de reajuste salarial, plano de assistência médica e odontológica e participação nos lucros e resultados das empreiteiras contratantes. Eles acusam o consórcio Arena Salvador, formado por Odebrecht Infraestrutura e OAS, de assédio moral e afirmam que além de impor descontos no salário, as empreiteiras teriam bloqueado os cartões alimentação dos trabalhadores.

Ceará

No dia 14 de fevereiro, cerca de mil operários paralisaram as obras do estádio Castelão. Os trabalhadores reivindicam equiparação salarial entre os operários contratados pelo consórcio responsável e os contratados pelas empresas terceirizadas e exigem o cumprimento do piso da categoria (R$ 959,60).

Os operários contratados por empresas terceirizadas para a reforma do Castelão representam 50% da força de trabalho total e denunciam receber em média R$ 800,00, além de não possuírem uma série de direitos trabalhistas.

Rio de Janeiro

Após uma série de reuniões e assembleias, em 16 de fevereiro cerca de 500 operários das obras do Maracanã, na zona Norte do Rio, realizaram um vigoroso protesto.

Com uma hora e meia de paralisação nos trabalhos e a declaração de que haveria uma greve geral nas obras caso as reivindicações não fossem atendidas, os operários do Maracanã conquistaram um acordo que prevê:

  • Aumento salarial de 10,5% para os quatro mil trabalhadores da obra.
  • A hora-extra aos sábados vai passar de 70% para 100%.
  • Aumento na cesta básica de R$ 180 para R$ 230.
  • Plano de saúde a custo zero.
  • Estabilidade de um ano para a comissão de trabalhadores.

Revoltas operárias seguem acesas

Novos protestos no Comperj

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – Comperj, em Itaboraí, considerado o maior projeto da história da Petrobras e um dos principais do PAC, já foi palco de greves e protestos operários nos meses anteriores.

Desde o dia 10 de fevereiro estourou nova onda de protestos nesse canteiro de obras. Os cerca de 13 mil operários reivindicam aumento salarial de 18%, vale alimentação de R$ 390, pagamento da hora thinner (tempo que o funcionário passa no ônibus da empresa para chegar ao local de serviço) nos turnos da manhã e da tarde remunerada em 75%, entre outras demandas.

No dia 10, operários terceirizados realizaram um protesto que terminou com dezenas de trabalhadores feridos. Há uma versão que dá conta de atos de violência entre os próprios trabalhadores que se desentenderam quanto a deflagrar ou não o movimento grevista, mas notícias como essas, de "rinha entre trabalhadores", também foram utilizadas pelo monopólio das comunicações para desqualificar as revoltas operárias nas obras do PAC em março/abril do ano passado. O fato é que a paralisação ocorreu e durou mais de 10 dias. Algumas imagens captadas por operários no interior do complexo mostram vários trabalhadores agitando palavras de ordem. AND seguirá acompanhando o desenrolar desses acontecimentos.

Operário é assassinado pela PM em Jirau

O operário Josivan França Sá foi assassinado por um disparo efetuado por um policial na madrugada de 13 de fevereiro durante manifestação de trabalhadores da obra da Usina de Jirau, em Porto Velho – RO. Os operários protestavam contra a falta de transporte.

Outro jovem operário ainda não identificado também foi atingido por tiros e há denúncias de que outros operários foram feridos.

Josivan França Sá tinha 24 anos e era contratado pela empreiteira Camargo Correa. Ele era oriundo do município de Pedro do Rosário, no Maranhão, e desempenhou primeiramente a função de sinaleiro e, ultimamente, de armador de ferragens. 

À 1h da madrugada, quando ele foi assassinado, mais de 300 trabalhadores esperavam, desde às 11 horas da noite, a chegada dos ônibus do último turno. Revoltados, alguns operários tentaram interditar com toras de madeira a BR 364.

Policiais militares reprimiram violentamente o protesto lançando gás de pimenta e dispararam contra os trabalhadores.

Segundo seus colegas, Josivan sequer participava do confronto e estava a uns cem metros do local onde estava a polícia, quando foi atingido por um disparo.

Porto de Santos paralisado

Uma paralisação de 24 horas dos trabalhadores da Companhia Docas do Estado de São Paulo - Codesp, que administra o Porto de Santos, afetou, no início da tarde 21 de fevereiro, a atracação ou a partida de pelo menos 15 navios.

O movimento envolveu os trabalhadores dos setores administrativos e de unidades de fiscalização e de atracação, além de escriturários e eletricistas. A greve foi deflagrada em protesto contra o descumprimento do último acordo coletivo da categoria que previa reajustes salariais, tratamento igualitário entre a remuneração dos novos funcionários e dos antigos, entre outros direitos.


Professores das redes públicas seguem em luta

Goiás: professores e alunos defendem piso salarial

Em 6 de fevereiro os professores da rede estadual de educação em Goiás deflagraram greve. Na capital, centenas de estudantes, em apoio à greve, foram às ruas somando às palavras de ordem dos professores as reivindicações estudantis por uma educação pública e de qualidade. Há relatos de que nas escolas em que professores insistiram em furar a greve, estudantes pularam os muros e pressionaram pela abertura dos portões para aderirem aos protestos.

No primeiro dia de greve, estudantes e professores se dirigiram ao Centro de Cultura e Convenções, onde era realizado o evento que contaria com a presença do gerente estadual Marconi Perillo (PSDB). Apesar do cerco policial, os manifestantes conseguiram se posicionar diante do portão principal, porém Perillo já havia se retirado às pressas.

Apesar de o gerenciamento Perillo tentar desqualificar a greve e tachá-la como ilegal, o movimento iniciou com a adesão de 63% da categoria na capital Goiânia e se alastrava para o interior.

Os professores de Goiás permanecem em greve exigindo o cumprimento do piso nacional da categoria, a mesma bandeira sustentada pela onda de combativas greves deflagradas desde meados do ano passado.

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Piauí: Professores municipais e estaduais em luta

No dia 7 de fevereiro, data marcada para a abertura oficial do ano letivo em Teresina – PI, os professores da rede municipal completavam uma semana de greve. As 304 escolas da rede municipal estão paralisadas enquanto os professores lutam por um reajuste salarial de 22% para os docentes e pela implantação do piso salarial da categoria.

Os trabalhadores também lutam por democracia nas escolas e denunciam que os diretores das instituições não são definidos através de eleições.

Os professores da rede estadual do Piauí também estão em pleno processo de mobilizações e debates para a deflagração da greve na rede estadual pelo cumprimento do piso nacional

Acre: Bope ataca protesto de desabrigados pelas chuvas


População protesta contra a falta de luz e água em Rio Branco

No dia 21 de fevereiro, moradores do bairro Seis de Agosto, em Rio Branco, protestavam pelo restabelecimento da energia elétrica e fornecimento de água no local quando foram brutalmente reprimidos pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais – Bope.

Os moradores da região assolada por fortes chuvas enfrentam precárias condições com as ruas alagadas e sem o funcionamento de serviços básicos pelos gerenciamentos municipal e estadual. Desde o dia 30 de janeiro mais de seis mil pessoas estão desabrigadas e 33 bairros da capital acreana estão submersos e sem os devidos apoios médicos e alimentícios.

Durante o protesto, uma ponte que liga a Avenida Amadeo Barbosa ao bairro Habitasa foi bloqueada pelos manifestantes.

Durante a truculenta ação policial, que deixou vários moradores feridos por balas de borracha, veículos da imprensa local noticiaram que um representante do gerenciamento municipal Tião Viana (PT) esteve no local e tentou impedir o trabalho de jornalistas que faziam a cobertura dos acontecimentos.


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