Síria é a chave para o Irã

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Manifestantes sírios contra o governo de Bashar el Assad

O conflito na Síria completa um ano e aparenta ainda estar longe de uma solução definitiva. A gerência de Bashar al Assad, pressionada pela ONU e Liga Árabe para cessar os ataques aos grupos "rebeldes", sitia cidades inteiras e conta com o apoio velado de Rússia e China, bem como com a histórica proximidade com o hezbolah, do Líbano e o regime iraniano.

Ocorre que a situação na Síria é bastante complexa do ponto de vista das disputas interimperialistas. Trata-se de um país situado a leste do Mediterrâneo, área estratégica também por ser próxima da Rússia e mantém boas relações comerciais com a China e o Kremlin. A queda do regime de Assad representaria mais uma base avançada do USA, o que militarmente acuaria ainda mais os russos e chineses. Além disso, tiraria importante apoio ao grupo islâmico Hezbolah, bastante poderoso no Líbano, e seria a última escala para uma agressão ao Irã.

Formalmente, a Síria liberou o comércio com o Irã somente em 2012, mas os exércitos sírio e iraniano fazem exercícios e manobras conjuntas já a alguns anos. Quando da queda de Hosni Mubarak, no Egito, o governo militar interino autorizou a passagem de uma frota iraniana pelo Canal de Suez para chegar até a Síria, o que suscitou uma gritaria histérica de parte das potências que efetuavam a intervenção na Líbia.

Rússia e China têm se negado, no conselho de segurança da ONU, a votar a favor das repetidas propostas ianques de intervenção no conflito, mas, pressionados pela chamada "comunidade internacional", dão passos a favor de medidas para coibir a repressão de al Assad aos grupos "rebeldes".

Para o USA e demais membros da Otan, aprovar uma intervenção não passa de mera formalidade para oficializar as tropas que já entraram clandestinamente em território sírio e desde 2011 e vem atuando ao lado dos "rebeldes".Essa informação foi divulgada pelo Wikileaks no início de março último.

Em 1º de março o governo Sírio anunciou a tomada completa da cidade de Ohms e seu principal reduto "rebelde", o bairro de Baba Amr, onde a oposição estava fortificada junto os "reforços" imperialistas. Lá foram aprisionados dezenas de combatente e armas estrangeiros.

Já nos últimos dias de março, a gerência de Bashar al Assad anunciou aceitar (com observações ao conteúdo) o acordo proposto pelo enviado da ONU Kofi Annan, segundo o qual o conflito deve ser encerrado sob supervisão da ONU e os presos políticos devem ser libertados; a Síria receberia "ajuda humanitária".

Porém, grupos "rebeldes" e organizações de defesa dos "direitos humanos" tem denunciado que os confrontos seguem ocorrendo.

As massas sírias são as principais perdedoras nessa situação, pois estão em meio ao fogo cruzado de Assad e seus aliados e os grupos "rebeldes" e tropas estrangeiras.

Trata-se de mais uma revolta popular instrumentalizada pelo imperialismo

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Mossad também está matando povo sírio 

Rosana Bond

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Franco atiradores que atacam civis seriam estrangeiros infiltrados entre os rebeldes

Não é apenas a gerência de Bashar al-Assad que vem atacando violentamente os protestos do povo sírio há um ano, provocando milhares de mortos e inúmeros feridos.

Tentando aproveitar-se da justa rebeldia da população oprimida daquele país, o Mossad (serviço secreto de Israel, formado por terroristas "de carteirinha" do Estado judeu, igualmente terrorista) juntou-se aos chamados "grupos de oposição" e está fazendo o que mais gosta: assassinar árabes.

No atual quadro do conflito na Síria, é preciso esclarecer quem são os protagonistas contrários ao gerente al-Assad, coisa que a imprensa monopolista não faz.

O principal opositor é o povo das classes pobres daquela semicolônia, onde até alguns anos atrás o analfabetismo chegava quase a 40%; onde cerca de 10% dos habitantes vivem abaixo do nível de pobreza (mais de 2 milhões de pessoas) e a renda per capita anual talvez não alcance 2 mil dólares (não há dados atualizados), cerca de 300 reais por mês.

Essa é a massa que toma as ruas, gritando sua ira e enfrentando o exército de al-Assad sem armas ou apenas com material "caseiro".

Já aquilo que a imprensa do imperialismo chama de "grupos de oposição" é outra coisa.

Tais grupos são liderados por frações burguesas anti-governo que agora disputam com o velho Estado a primazia de agradar ao capital e de continuar explorando/oprimindo o povo. Já criaram até um farsesco "governo de transição", títere dos USA e seus aliados (incluindo Israel).

Os manifestantes das ruas, sem contar com um partido revolucionário proletário em sua luta, correm o risco de ser manipulados por essa corja reacionária. Isto é, ao tentarem livrar-se do lobo, podem cair nas garras do tigre. Qualquer semelhança com os casos recentes do Egito, Líbia, etc, não é mera coincidência. 

Os "grupos de oposição", deflagrados os protestos, montaram uma espécie de milícia constituída no início exclusivamente por sírios armados de modo precário (um contingente onde se misturaram leões-de-chácara da burguesia e populares iludidos pelas promessas de "democracia", "liberdade", "melhorias", etc).

Há alguns meses, porém, esses grupos (que o monopólio da imprensa vem chamando de "rebeldes", com tom heróico) passaram a receber do exterior lotes de modernas armas israelenses, ianques e européias, e junto com elas, um bando de homens de várias nacionalidades. Elementos não-árabes vindos do Afeganistão; turcos; libaneses; iraquianos, catarianos (o Catar é sede do "governo transitório" títere) e até alguns franceses. Um grupo de líbios, daqueles que tiraram o lobo Khadafi para botarem o tigre imperialista em seu lugar, também já estaria operando em território sírio. 

Conforme os sítios noticiosos da internet Rede Voltaire, Rebelión, Estocolmo, Al-Manar e TV Russia Today essa "babel" tem um ponto em comum: estão todos clandestinamente na Síria e são todos terroristas profissionais.  

O que o Mossad tem a ver com isso?

Muito. Embora menos conhecido pelo público que a CIA, o serviço secreto de Israel, desde sua criação em 1949, tem estado por trás de muitíssimas violências padecidas pelos povos do Oriente Médio. Mas não só. Os crimes dos katsas (espiões) e dos agentes kidon (autores de assassinatos/execuções e seqüestros) ultrapassam essas fronteiras, como denunciou Victor Ostrovsky, ex-agente do Mossad, no livro As marcas da decepção (Editora Scritta, 1992).      

Mas o texto do arrependido Ostrovsky, embora recheado de revelações chocantes acompanhadas de provas, deve ser lido com filtro e parcimônia. Pois o autor procurou livrar a cara do Estado de Israel, apresentando o Mossad como a banda podre de um "país livre e justo".

Nada disso. Essa organização faz parte do Estado sionista e representa toda a sua essência. E ponto final. Quanto ao "país livre e justo", os judeus progressistas e os palestinos podem dizer se isso é verdade ou não.

A presença do Mossad no atual conflito sírio começou a ser noticiada em novembro passado, quando o intelectual estadunidense Webster Tarpley, da Rede Voltaire, esteve no país. A Voltaire, sediada em Paris, é uma entidade jornalística internacional que costuma informar coisas que a imprensa dos monopólios não informa.

Tarpley viu, na Síria, algo grave e denunciou: francoatiradores desconhecidos estavam matando a população.

"Os civis sírios estão enfrentando esquadrões da morte. As pessoas se queixaram de que há francoatiradores terroristas que estão disparando contra os civis. (Mas) que quantidade de cidadãos (das várias etnias) sabem que estão sendo atacados por francoatiradores (desconhecidos)? São comandos terroristas, que ninguém sabe como apareceram", disse ele.

E complementou: tudo indicava tratar-se de uma ação secreta conjunta do Mossad, CIA, MI6 (Inglaterra) e DGSE (França) "financiada com dinheiro procedente da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar". Na opinião de Tarpley o objetivo era criar um clima de guerra civil, jogando povo contra povo, umas etnias contra as outras.

Mesmo que essa visão do intelectual seja incompleta (não abordou o papel da gerência al-Assad), sua revelação sobre os francoatiradores foi muito importante.

Isto é: as imagens mostrando homens em telhados disparando contra o povo nas ruas, identificados pelas TVs monopolistas como pertencentes "ao governo sírio", não são bem isso.

Logo, outros informes vieram somar-se ao de Tarpley. Em dezembro Eric Margolis, famoso jornalista estadunidense, colaborador do portal Huffington Post, confirmou que o Mossad estava presente na Síria.

Em fevereiro, os sítios noticiosos Estocolmo e TV Russia Today informaram que "grupos de operações especiais da Turquia e Israel estão atuando no território sírio".

Cinquenta turcos foram detidos e 7 deles "confessaram que tinham sido treinados em atividade terrorista pelo Mossad".

Além disso, "os presos disseram que o Mossad enviou agentes à Jordânia para ensinar um grupo militante, proveniente da Líbia. Está previsto que sejam enviados à Síria depois do treinamento".

Agora em março, após a gerência al-Assad ter anunciado a retomada da maior parte da  cidade de Homs, ponto forte da oposição armada, o repórter Israa Al-Fass, do sítio libanês Al-Manar revelou: "O Mossad, a Blackwater e a CIA lideram as operações em Homs".

Conforme as fontes do repórter, 700 homens presos pelo exército sírio só no bairro Baba Amro eram atiradores árabes (não-sírios) e ocidentais.

E deram detalhes: "Os homens armados capturados eram de nacionalidade árabe, inclusive do Golfo, do Iraque e do Líbano. Entre eles haviam agentes secretos do Catar e combatentes não-árabes do Afeganistão, da Turquia e de alguns países europeus, como a França."

Ainda segundo as fontes tais estrangeiros e outros, presentes na Síria, são dirigidos por "um escritório de coordenação criado no Catar, com patrocínio golfo-americano". Conforme a reportagem, dessa central participam o Mossad, a CIA e a Blackwater (empresa de tropas mercenárias), além dos serviços secretos da França e de países do Golfo, especialmente Arábia Saudita e Catar.


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