De homem a santo, de santo a político

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Uma historinha sobre o padre de Juazeiro

Conta-se que foi num dia (ou noite?) de abril de 1872 que Jesus, o filho do Homem, deu o ar da sua graça num sonho do cearense que se tornaria nacionalmente famoso -a partir de março de 1889 — como o padre milagreiro Cícero Romão Batista. Foi nesse mês que a beata Mocinha, batizada de Maria de Jesus, protagonizou a incrível história da hóstia que se transformou em sangue ao ser engolida durante uma missa perante os olhos incrédulos, estupefatos mesmo, de outras beatas e beatos; beatas — e beatos — que logo se multiplicariam aos milhares, que nem coelhos saídos do nada, na pequena e pacata cidade de Juazeiro do Norte. Aliás, no referido sonho, Jesus teria dito ao então jovem Cícero que se preparasse para cuidar de uma aldeiazinha fincada no fim do mundo. Essa aldeiazinha contava apenas com cinco casas de telha e 30 de palha, além de uma capelinha de melão. Essa aldeiazinha chamava-se — e chama-se — Juazeiro.

O milagre ou "fenômeno" como o caso logo ficou aqui e alhures marcado, repetiu-se outras vezes, dezenas de vezes na verdade, e sempre naquela parte da missa em que as pessoas comungam. O detalhe é que tal milagroso e original fenômeno ocorria sempre, sempre, com a mesma beata santa Mocinha, que muitos e muitos anos depois viraria tema musical do pernambucano Manezinho Araújo, o rei da embolada (1910-1993), cantado por Luiz Gonzaga, o rei do baião. Também viraria peça teatral, filme e até especial choroso e colorido da tvê plim-plim. O fenomenal milagre da hóstia ensanguentada mudou assim, e para sempre, as vidas óbvias, calmas e sem graça do celebrante e da própria cidadezinha, que fica a cerca de dez quilômetros do Crato, a um passo de Assaré, terra do poeta Patativa. Não muito tempo depois, Juazeiro alcançaria a condição de cidade e, como tal, chegaria aos ouvidos papais, no Vaticano, para onde iria justificar-se a mando do bispo Joaquim José Vieira, que não engoliu a história vivida pela beata.

Proibido por um tempo de celebrar, Cícero viu-se mitificado pelas levas e levas de retirantes e romeiros que não paravam de chegar à pequena Juazeiro.

Encurralada e assustada, temendo desdobramentos maiores, a Igreja não teve coragem, digamos assim, de punir com mais rigor o então já quase santo padre, que, esperto, entrou para a política e se fez o primeiro prefeito de Juazeiro, em outubro de 1911. Dezesseis anos depois, o mesmo Cícero escaldado e famoso, assumiria o cargo de governador ao depor Franco Rabelo, contra quem lutou na chamada guerra da Sedição. Ao morrer deixou amigos, como Lampião, inimigos, imóveis, terras, dinheiro e uma multidão incalculável de fiéis fidelíssimos.

Hoje uma estátua de 17 metros — sem contar o pedestal, de oito — o representa em concreto. Essa estátua é a terceira maior do mundo, só perdendo para a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, e para a do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

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Lançamentos

A paraibana Elba Ramalho volta à praça com mais um belo CD, Elba ao Vivo. No repertório a toada Asa Branca, que abre o disco; A vida do viajante, Pagode russo e Onde ta tu, neném? O encerramento vem com o pout-porri Nem se despediu de mim, São João do Carneirinho e Pedras que cantam . Entre os autores estão Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Hervê Cordovil, João Silva, Luiz Bandeira, Guio de Morais, Fausto Nilo e Dominguinhos, que toca e canta com Elba. A produção é da própria Elba. Selo BMG-Ariola.

O também paraibano Flávio José está com disco novo na rua: Cidadão Comum! No repertório, De mala e cuia, Cidade grande, Brasilidade e Passeando pelo Nordeste. A faixa título é de Dom Fontinelli. Esse é bom e assino em baixo. Contatos: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

O grupo Forró Charanga, formado por estudantes universitários paulistas, está lançando o primeiro CD. Independente. No repertório, Forró em São Paulo, Longe de ti e Bom de chamegar, de autoria do grupo. Além dessas, há músicas de Gereba e Guca Domennico, Cláudio Sá, Biguá e Wander Nazareth. O grupo é formado por Renato Pires, Ari Sciamarelli, Rafael Bueno e Maurício Pilcsuk. Contato: forrocharanga @bol.com.br. Veja o site: www.forrocharanga.hpg.com.br

Forró-pé-de-serra, 10 Anos de Carreira, é o título do novo CD de Santana, o Cantador. Boa parte do repertório é assinada pelo pernambucano Accioly Neto, falecido há cerca de dois anos durante discussão de trânsito em Recife. Destaque para Lembrança de um beijo, D'estar e Santo Fingido. As duas últimas composições são de Eliezer Setton e Zé Marcolino. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Um dos mais belos discos lançados este ano traz na produção musical o nome do violeiro Ivan Vilela. O disco, Beira Mar Novo, com o coral Trovadores do Vale (do Jequintinhonha, MG), reúne composições recolhidas da memória da gente mais antiga da região, incluindo Frei Chico e Lira Marques. Emocionantes todas as faixas, incluindo Bóia boiadeiro, Uma incelença para Nossa Senhora e Bendito de São José. No disco, podem-se ouvir sons de caixa de folia, agogô, viola solo e violão, interpretados com esmero por Vilela. A direção de produção é assinada por Guilardo Veloso. Lapa Discos é o selo. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Disco bonito também é o novo de Dori Caymmi, Influências. Saiu ano passado nos Estados Unidos (pra eles!) e agora entre nós, via BMG-Ariola. No repertório, obras de Chico Buarque, Edu Lobo, Ivan Lins e Vitor Martins, Milton Nascimento e Fernando Brant, dentre outros. Nos vocais em duo aparece uma penca de gente boa. Confiram.

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