Situação em Jirau é alvo de investigação

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Raimundo foi ouvido na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados

Após intensa campanha de denúncias promovida pelas organizações sindicais, populares e de defesa dos direitos do povo, a situação de Jirau foi, finalmente, "descoberta" pelo monopólio das comunicações após a Comissão de Direitos Humanos - CDHM e da CPI do Tráfico de Pessoas abrir investigação sobre o caso.

No dia 4 de julho, o operário de Jirau Raimundo Braga Souza, participou de uma reunião em Brasília com membros da CDHM; representantes do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - Cebraspo; representantes da Liga Operária; e Emens Pereira de Souza, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Distrito Federal e presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade. Nessa reunião, Raimundo repetiu as denúncias contra o Consórcio Energia Sustentável do Brasil. [A entrevista com Raimundo Braga está disponível na edição nº 91 de AND]

O deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), presidente CPI do Tráfico de Pessoas, declarou que as acusações de violação de direitos humanos e trabalhistas são claras e absurdas. "É inconcebível que em pleno século XXI e no país cuja economia é a oitava do mundo, fatos como estes ainda aconteçam, e ainda mais em obras do governo federal, que mais que nenhum outro, deveria estar a par e coibir tais crimes". [fonte: assessoria de imprensa do deputado Arnaldo Jordy]

O membro do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – Cebraspo, denunciou a existência de 13 operários de Jirau desaparecidos. Vários desses operários tiveram seus nomes citados no processo, mas não encontram-se nem trabalhando nas obras, nem presos, e não se tem notícias de seu paradeiro.  

O vice-presidente da CDH, o deputado Padre Ton (PT-RO) também deu declarações dizendo que "o relato desse rapaz foi uma bomba. Isso é uma vergonha para o nosso país. É um absurdo ainda termos um exemplo como esse dentro de obras feitas com recursos do próprio governo federal. É uma situação análoga à escravidão". [fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br]

Em entrevista concedida na manhã de 11 de julho à Rádio Câmara, o deputado Padre Ton voltou a tocar no assunto, afirmando que o governo federal não pode "lavar as mãos como Pilatos" no caso dos renitentes conflitos envolvendo trabalhadores e empreiteiras que constroem as usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia, e que por causa disso pode sofrer retaliações por descumprimento de resoluções da Organização Internacional do Trabalho, OIT".

Raimundo visitou entidades sindicais, organizações, comissões em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Goiás. A repercussão de suas denúncias, veiculadas em diversos jornais, rádios e páginas na internet, fez com que até mesmo o monopólio, que durante meses fez silêncio cúmplice sobre os crimes das empreiteiras, tivesse que publicar as denúncias e notícias sobre a situação dos trabalhadores em jirau, sobre os operários presos e desaparecidos.

Acuado pelas graves denúncias, de forma cínica, o Consórcio Energia Sustentável do Brasil (Camargo Corrêa-Suez Energy) publicou uma nota em 11 de julho afirmando que as acusações seriam "infundadas" e que, em Jirau, "todos os alojamentos possuem ar-condicionado, os refeitórios funcionam 24h, as áreas de lazer são amplas e acessíveis. Os trabalhadores têm à disposição academia de ginástica, quadras poliesportivas, salas de internet, posto de serviços bancários, caixas eletrônicos, lojas de conveniência, farmácia, cinema e outras facilidades criadas para prover um ambiente amigável e seguro".

A cômica "resposta" do ESBR é incapaz de apagar as dezenas de imagens de operários acidentados e mortos, das péssimas condições dos ônibus que transportam os operários, das celas feitas com vergalhões da própria obra em que os operários ficaram encarcerados no ano passado e que, segundo denúncias, continuam sendo utilizadas para reprimir grevistas, as péssimas condições dos alojamentos, refeitórios, banheiros, etc.

Uma série de entidades sindicais, organizações classistas, entidades dos "direitos humanos", advogados, jornalistas e parlamentares estão se mobilizando e organizando uma comissão que visitará os operários detidos e as instalações do canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau para averiguar in loco a situação dos trabalhadores.

Há uma petição online disponível na internet pela imediata libertação dos operários grevistas presos de Jirau e pela imediata localização dos operários desaparecidos. Qualquer pessoa pode assiná-la, para isso basta possuir um endereço de e-mail. O endereço para acessar a petição é http://www.peticoesonline.com.

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