Olimpíadas para 'nem' inglês ver

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O maior evento esportivo do mundo esconde por trás de sua fachada de "confraternização mundial" um esquema de altíssimo lucro para corporações e nenhum benefício real para o povo. Greves e insatisfação popular marcam o evento na capital inglesa, que sob a mira de mísseis militares e polêmicas relacionadas à segurança, é a bola da vez em mais uma farra lucrativa do capitalismo.

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Greve no setor de imigração

Funcionários do departamento de imigração britânica ameaçam entrar em greve durante os jogos olímpicos em protesto contra a política de corte de gastos do governo inglês. Eles reivindicam o fim de um plano de demissões levado a cabo desde outubro de 2010 e que prevê o corte de 8.500 funcionários até 2015, sendo que 1.500 já foram demitidos. Segundo nota do Sindicato PCS (Public and Commercial Services Union), eles também protestam contra os dois anos de congelamento dos salários, o que representa uma baixa de 16% no padrão de vida dos trabalhadores, considerando a inflação acumulada no período.

Motoristas parados

Os motoristas de ônibus fizeram greve no mês de julho exigindo o pagamento de bônus para o trabalho durante as olimpíadas. Segundo o sindicato Unite, está previsto o surgimento de 800 mil passageiros extras, o que representa uma sobrecarga no trabalho. Os 20 mil motoristas de ônibus de Londres argumentam que durante os jogos somente as 21 empresas que controlam os ônibus da capital vão se beneficiar com o volume extra de passageiros. As empresas cederam aos protestos e vão pagar 577 libras de bônus para cada motorista.

Mísseis

Todos os turistas e expectadores das Olimpíadas terão que acompanhar os eventos do Parque Olímpico, na região londrina de North Greenwich, sob a mira de mísseis de guerra. Uma polêmica operação militar está causando revolta na população inglesa. O exército britânico posicionou mísseis militares no topo de quatro prédios próximos ao Parque Olímpico em Londres. Moradores dos prédios, juntamente com vizinhos e apoiadores protestam contra tamanho arsenal militar no teto de suas casas. Um porta-voz do exército afirmou que esses mísseis trazem segurança ao público, mas o que ainda não foi explicado é para qual propósito eles estão lá, considerando que caso sejam utilizados, colocarão em risco a vida de milhares de pessoas.

(In)segurança privada

Considerada a maior multinacional de segurança do mundo, a G4S assinou contrato de 100 milhões de libras para garantir a segurança em praticamente todas as instalações dos jogos olímpicos de Londres. Grandes setores da população inglesa e também organizações internacionais condenam esse contrato, já que a G4S vem há anos se envolvendo em esquemas de corrupção, abusos de poder e apoio aos crimes de guerra do estado de Israel contra prisioneiros políticos palestinos.

A G4S possui contratos de trabalho em diferentes setores, tais como serviços públicos de segurança, controle de presídios ingleses e controle de benefícios do estado. Denúncias apontam sérias irregularidades em quase todas as áreas de atuação da multinacional.

A imprensa inglesa está publicando vários artigos denunciando o despreparo dos seguranças e também o excesso de poder colocado em suas mãos durante os jogos, como por exemplo o poder de revistar e prender qualquer pessoa que julguem ser "suspeito".

Denúncias e protestos contra a G4S estouraram em outubro de 2010, quando três seguranças da empresa agrediram e assassinaram o cidadão angolano Jimmy Mubenga em um voo para o seu país durante uma deportação forçada. A G4S administra Centros de Detenção de Imigrantes na Inglaterra e também é acusada de aprisionar crianças nesses centros, tudo sob a cumplicidade do Estado Inglês.


Voluntários do grupo ativista CorporateWatch.org apontam que a G4S possui um poder exagerado em prisões inglesas e é acusada de exploração de trabalho escravo e abuso de poder. Desde 1991 eles atuam nessa área e já controlam completamente seis prisões no país, tudo isso através de contratos milionários.

O Parlamento Europeu decidiu cancelar um contrato de segurança com a empresa diante avalanche de protestos contra a atuação da G4S em prisões israelenses. Organizações de solidariedade aos palestinos acusam a G4S de controlar prisões de Israel que violam o direito internacional e mantém presos políticos palestinos. Eles também atuam no controle da fronteira com a Faixa de Gaza.

Nenhum benefício para o povo

Durante os últimos dias que antecederam os jogos olímpicos a BBC de Londres fez algumas matérias questionando o público inglês sobre os reais benefícios que os jogos poderiam trazer para a cidade e para o país, mas a resposta direta do público foi de insatisfação com a crise econômica e a certeza de que um evento dessa proporção não contribui em nada para os problemas do povo, somente para os grandes monopólios envolvidos, como Visa, McDonalds, BMW, Samsung e várias outras megacorporações.

No dia 25 de julho, dois dias antes da abertura do evento, o Office for National Statistics (uma espécie de IBGE inglês) publicou mais um balanço econômico negativo do segundo trimestre, com queda de 0,7% do Produto Interno Bruto, como reflexo da crescente recessão econômica, agravada com um encolhimento do setor da construção.

Além disso, foi também noticiada pela BBC uma onda de insatisfação pública com a exagerada importância dada ao evento. Muitos londrinos vão deixar a cidade durante os jogos como reflexo de cansaço frente a tanta "badalação" do festival. É visível que a proporção colossal das Olimpíadas é na verdade um "olympic business" com altos índices de lucros para as corporações privadas envolvidas, mas em contrapartida não representa nenhum ganho real para os povos do mundo. Tudo isso sob a fachada de ser um "evento esportivo de união e fraternidade mundial".


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