Espanha se rebela contra conspiração antipovo

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Mineiros percorrem as ruas de Madri durante a chamada Marcha Negra, que durou duas semanas

A gerência do "primeiro-ministro" Mariano Rajoy passou semanas tentando ludibriar o povo espanhol, dizendo que o "resgate" por parte da União Europeia e do FMI aos bancos espanhois viria sem a imposição de mais condições de redução de gastos para um país já dramaticamente castigado por sucessivas medidas antipovo requisitadas pela Europa do capital monopolista.

Pois, no último dia 11 de julho, a gerência Rajoy anunciou uma nova rodada de medidas de arrocho visando enxugar os gastos do Estado em 65 bilhões de euros nos próximos dois anos, conforme o requisitado pelos credores, a despeito da patranha de que a Espanha não assumiria obrigações junto à União Europeia como contrapartida para o "resgate" de cerca de 100 bilhões de euros aos bancos locais.

Entre as novas medidas de arrocho estão o aumento do imposto sobre o consumo de 18% para 21%, a redução do valor do seguro desemprego a partir do sexto mês (o país tem hoje 5,7 milhões de desempregados) e a suspensão da gratificação de natal para os funcionários públicos em 2012, além de um corte de mais 600 milhões de euros nas verbas ministeriais para 2013.

A administração da Espanha anunciou a extinção de 80 empresas públicas e vem pressionando as regiões autônomas do país, como a Catalunha e o País Basco, a fazerem o mesmo com boa parte das quatro mil estatais sob sua tutela, usando como instrumento de chantagem o recém-anunciado fundo especial criado por Madri para ajudar estas regiões a pagarem suas dívidas, reproduzindo dentro das fronteiras do Estado espanhol a lógica do FMI, ou seja, a do "socorro" aos ricos em troca da "austeridade" para as massas trabalhadoras executada por gerências locais.

Enquanto o povo padece na precariedade, na degradação geral das condições de vida e no desemprego que bate sucessivos recordes a cada mês, o monarca espanhol Juan Carlos I anunciou que, em solidariedade ao povo, decidiu reduzir em 7,1% seu salário de parasita da ordem de 300 mil euros...

'Morte dos serviços públicos'

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Mineiros recebem apoio de milhares de trabalhadores no Palácio de Moncloa

Tão logo mais essa punhalada no povo foi desferida pelo Estado espanhol, começaram as escaramuças, manifestações de trabalhadores, marchas e protestos radicalizados de toda ordem contra as medidas de "austeridade".

A ação mais retumbante contra a nova rodada de medidas antipovo da gerência de Mariano Rajoy foi a "marcha negra" de duas semanas dos mineiros espanhóis que culminou no dia 8 de julho, já com mais de 40 dias de greve da categoria, na capital Madrid, onde eles ganharam a companhia de outros milhares de trabalhadores, formando uma imensa multidão nas ruas, e onde foram saudados com coros, faixas e cartazes com mensagens de solidariedade de classe como: "Madrid inteiro se sente mineiro", "Viva a luta da classe operária" e "Estes são os que tiram o carvão".

Os 300 mineiros que chegaram com seus macacões azuis, capacetes amarelos, lanternas acesas, cabeças erguidas e punhos cerrados em Madri se transformaram em uma massa rebelde que ocupou a praça da Porta do Sol, no centro da cidade, na madrugada do dia 11 de julho. Pessoas vieram de várias partes da Espanha para juntarem-se aos protestos na capital. As vozes unidas do grito proletário ecoaram pela noite madrilenha fazendo tremer os inimigos das massas trabalhadoras.

No dia seguinte, dia 12 de julho, o Estado espanhol desencadeou uma brutal repressão contra os manifestantes, quando, com os mineiros à frente, eles rumavam para frente do Ministério da Indústria. Os destacamentos de choque das forças repressivas atacaram a multidão rebelde com balas de borracha e cassetetes. Setenta pessoas ficaram feridas e 17 foram presas.

No mesmo dia, aproximadamente 400 funcionários públicos se concentraram na frente do Parlamento espanhol, onde se diz o derradeiro amém aos odiosos cortes de direitos, salários e verbas que atingem a função pública em especial. No dia 13 de julho, milhares de trabalhadores atenderam à convocatória de um protesto coordenado, deixando suas mesas na hora do expediente e concentrando-se na frente dos respectivos prédios públicos onde trabalham. Dezenas de funcionários públicos fincaram pé na frente do Palácio de Moncloa, sede do "governo" títere do FMI e da Europa do capital, para denunciar a conspiração em curso que visa "a morte dos serviços públicos".

No dia 19 de julho, 30 furgões do Corpo Nacional de Polícia da Espanha amanheceram com pelo menos um pneu furado no centro policial de Moratalaz, em Madri, onde estavam estacionados. Os furgões costumam ser utilizados nas operações de repressão a protestos populares na capital espanhola e foram corajosamente sabotados por alguém que está ao lado das massas, isso poucas horas antes das manifestações que estavam programadas para aquele dia em protesto contra a anunciada aprovação no Parlamento do novo pacote de "austeridade" de Rajoy, como de fato aconteceu. Naquele dia, dezenas de milhares de pessoas marcharam por mais de 80 cidades da Espanha.

Diante de tanta rebelião, o fascismo mostra sua verdadeira cara: no dia 21 de julho surgiu a notícia de que o Estado espanhol proibiu a convocação de protestos via internet, instrumento que tem se mostrado muito útil na organização e na mobilização de estudantes e trabalhadores insubordinados em sua luta em defesa da pátria, do emprego e dos direitos. Em 23 de julho, centenas de desempregados, vindos a pé da região sul da Andaluzia, do norte da Catalunha e de outras regiões do país, se somaram às mobilizações.


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