1º de outubro: 63 anos da Revolução Chinesa

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China: "seremos sempre leais ao Presidente Mao!"

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Mais de 50 mil manifestantes em Shijiazhuang aclamaram: "Viva o pensamento Mao!"

Nas últimas semanas, disputas entre China e Japão por ilhas no mar da China Oriental tem se acirrado, particularmente após o governo do Japão anunciar a compra das ilhas, chamadas de Senkaku (pelos japoneses) e Diaoyu (pelos chineses) no início de setembro.

Ocorreram vários protestos na China, a maior parte deles, aparentemente, organizada e estimulada pelo governo, diante das representações diplomáticas do Japão. Alguns desses resultaram em enfrentamentos com as forças de repressão e queima de veículos. O mesmo ocorreu no outro país.

Navios de guerra chineses chegaram a fazer manobras em águas do território japonês.

Mas, rompendo a crosta do nacionalismo-burguês, grandes manifestações populares irromperam em Shijiazhuang (cidade localizada no nordeste do país) e se dirigiram à praça do povo com bandeiras vermelhas, faixas e fotos de Mao Tsetung.

A maior parte dos manifestantes era composta de jovens. Faixas e palavras de ordem diziam: "Viva o pensamento Mao Tsetung!", "Presidente Mao, sentimos saudades de você!", "Seremos sempre leais ao Presidente Mao!", "Viva o Presidente Mao!".

Em um artigo que circulou em vários blogs, muito possivelmente redigido por um partidário do atual governo fascista da China, há uma reveladora demonstração de como o povo chinês tem resistido e seus elementos mais avançados tem lutado por defender e aplicar os ensinamentos de Mao Tsetung:

"Hoje (16 de setembro), cerca de 50 mil pessoas marcharam em Shijiazhuang em mais um protesto anti-japonês. O desfile da multidão atingiu seu clímax quando percorreu a Praça do Povo, diante da imagem do presidente Mao, e gritou: "Viva o Presidente Mao!". Uma após outra, onda após onda, a manifestação resistiu e prosseguiu pelas ruas. Aparecerem tantas fotos do Presidente Mao,  em plena onda de protestos antijaponeses é algo que eu não esperava... esse fenômeno explica aquilo que eu mais temo, e isso não requer muitas explicações ..."

"Ventos do leste" ganham força

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Mais de 50 mil manifestantes em Shijiazhuang aclamaram: "Viva o pensamento Mao!"

Em 1957, Mao Tsetung dizia em uma conferência de partidos comunistas: "No mundo de hoje há dois ventos: o vento do leste e o vento do oeste... Eu penso que a característica da situação atual é que o vento do leste predomina sobre o vento do oeste. O mesmo é dizer que as forças do socialismo ganharam uma superioridade esmagadora sobre as forças do imperialismo".

Na china atual, o vento do leste ganha força. Um artigo publicado no jornal Financial Times e traduzido pelo Valor Econômico em 20 de setembro é aberto da seguinte forma: "Numa pousada do interior do sul da China, várias dezenas de maoístas se reuniram para uma sessão de estudos comunistas numa noite do início deste mês. Mas seu encontro terminou abruptamente quando um participante entrou apressado dizendo: ‘há cachorros lá fora!’. A polícia tinha chegado para monitorar os 82 seguidores de Mao Tsetung, o comandante da revolução comunista de 1949".

Os participantes dessa reunião criticam severamente os dirigentes do Partido Comunista da China, que segundo eles "são seguidores do capitalismo e revisionistas".

O grupo visitava Shaoshan, a cidade natal de Mao, na Província de Hunan, na ocasião do aniversário da morte do dirigente comunista.

"Eles chamam isso de socialismo, mas Deng Xiaoping [o idealizador das reformas de mercado chinesas] criou um sistema que associa o pior de todos os mundos: hipercapitalismo, corrupção e fascismo", afirmou Zhou, um dos membros do grupo.

O artigo ainda relata que, em 2008, um grupo de maoístas fundou o Partido Comunista da China Maoísta, criticando o atual PC como "traidor e revisionista". Um ano depois, seus líderes foram presos e condenados a dez anos de prisão.

O artigo prossegue relatando depoimentos de velhos comunistas e também de jovens, que defendem a retomada do caminho revolucionário na China. "Certamente, o sentimento popular está presente e as pessoas estão prontas. Mas alguém precisa organizá-las e liderá-las, e não há ninguém neste momento." – afirmou um dos entrevistados.

O atual Partido Comunista da China enfrenta sérias contradições. Recentemente, figuras proeminentes no partido como o secretário Bo Xilai, dirigente do partido na província Chongqing e candidato a um posto no Birô Político do partido foi expurgado. Inúmeros militantes comunistas foram destituídos do partido ou presos por defenderem o maoísmo e os direitos do povo. A crescente insatisfação popular se soma aos gigantescos protestos que têm, cada vez mais, levantado consignas em defesa de Mao Tsetung e da retomada do caminho revolucionário.

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Operários em condições degradantes na Foxconn

No final de setembro, circularam notícias em páginas da internet dando conta de que uma "agência de notícias chinesa infiltrou um de seus jornalistas em uma fábrica da Foxconn com a missão de conhecer o processo de fabricação do iPhone 5".

O jornalista, infiltrado como operário, passou 10 dias na fábrica e divulgou imagens das condições de trabalho às quais são submetidos os trabalhadores. Segundo as informações, os dormitórios eram "fedidos e sujos" e não ofereciam condições mínimas de conforto aos trabalhadores. Os contratos dos operários "continham cláusulas específicas sobre a confidencialidade das informações adquiridas na fábrica, porém deixava de abordar questões importantes como horas extras, acidentes de trabalho ou salubridade do ambiente". O jornalista ainda relata ter ficado "impressionado com a naturalidade com que os superiores tratavam mal seus empregados" e ainda que ele e seus colegas foram obrigados a passar a madrugada trabalhando e "era comum, nesse processo, os supervisores gritarem com os operários"que trabalhavam mais lentamente. As horas de trabalho são extenuantes, e os operários ganham o equivalente a apenas cerca de oito reais a cada duas horas extras, mesmo nas madrugadas.

Fábrica é fechada após revolta operária

No dia 24 de setembro, uma das fábricas da Foxconn foi temporariamente fechada em Taiyuan, no norte da China, após um grande protesto dos funcionários contra as péssimas condições de trabalho, maus tratos, baixos salários e jornada estafante.

Cerca de duas mil pessoas se envolveram no protesto, segundo comentários postados na internet por trabalhadores, motivado pela brutalidade dos seguranças da empresa, que teriam agredido brutalmente dois operários. Os trabalhadores ocuparam os dormitórios e enfrentaram os seguranças. Cerca de 40 trabalhadores foram hospitalizados e vários foram presos após o protesto. A fábrica teve janelas quebradas e colchões foram incendiados nos alojamentos.

A agência de notícias estatal Xinhua informou que cerca de cinco mil policiais foram enviados para reprimir o protesto. Cerca de 80 mil operários trabalham nessa linha de montagem.

 

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