Milhões em protestos em Portugal e na Espanha

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Portugueses protestam em frente a residência presidencial

A Península Ibérica está em ebulição com as lutas dos povos de Portugal e Espanha em defesa dos seus direitos em um momento de agressiva contra-ofensiva da Europa do capital monopolista em crise nestes dois países por meio de um sem número de medidas antipovo arquitetadas pelo FMI, pela União Europeia e pelo Banco Central Europeu, e implementadas pelas gerências títeres de Lisboa e Madri.

No último dia 13 de setembro, dezenas de pessoas rumaram para a frente da residência oficial do primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, cerca de meia hora antes de ele dar uma entrevista, para protestar contra mais uma rodada de medidas antipovo anunciadas pelo seu "governo". "Os ladrões estão lá dentro e os policiais estão aqui fora!", gritavam os manifestantes, que também cantaram uma antiga canção portuguesa de conclamação do povo contra o fascismo (ver box).

A canção, intitulada "Acordai", foi repetida por um coro de centenas de pessoas, na porta do Palácio de Belém, residência oficial do "presidente" de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, no dia em que ele se reuniu com o Conselho do Estado do país para tramar mais punhaladas nos trabalhadores.

No dia 15 de setembro, entre 800 mil e um milhão de pessoas saíram às ruas de norte a sul de Portugal em protesto contra as medidas de "austeridade", com ações mais radicalizadas na frente da sede do FMI e da Assembleia da República, naquele que foi considerado um dos maiores protestos populares da história portuguesa. Muitos levaram cravos vermelhos para as ruas, em um gesto da luta presente contra o fascismo que remete às lutas contra o fascismo de outrora naquela nação.

Foi por causa dos massivos protestos populares organizados pelo povo português, mobilizado contra a opressão do grande capital, que o gerenciamento de Lisboa se viu obrigado a recuar em sua intenção de aumentar de 11% para 18% um imposto que incide sobre os trabalhadores, chamado Taxa Social Única. A indignação tomou conta de Portugal porque, ao mesmo tempo em que se pretendia taxar ainda mais o proletariado, a gerência títere do país pretendia desonerar drasticamente a burguesia, conforme mais uma requisição dos interventores da Europa do capital monopolista.

Na Espanha, colunas proletárias

No mesmo dia 15 de setembro em que Portugal foi palco de uma das maiores manifestações de trabalhadores da história do país, na Espanha o povo levou a cabo uma retumbante marcha de centenas de milhares de pessoas que fez tremer o chão da capital Madri e as espinhas dos capitalistas e gerentes que assolam as classes populares espanholas com um arrocho sem precedentes.

O povo espanhol, que confluiu a Madri vindo de todos os cantos do país, organizou-se para mostrar com clareza quase didática às "autoridades" a dimensão do seu descontentamento e o alcance da convocatória geral para a luta classista: os operários chegaram em Madri vestidos de vermelho; estudantes, seus pais e funcionários do setor de educação foram vestidos de verde; idosos e dependentes usavam roupas de cor laranja; os trabalhadores da saúde vestiram branco; a generalidade dos funcionários públicos marcharam na capital espanhola trajando roupas pretas, enquanto as associações de mulheres vestiam lilás – todos formando gigantescas colunas multicolores que representavam os segmentos proletários mais castigados pelas contrarreformas requisitadas pela Europa do capital monopolista ao gerenciamento espanhol.

"Acordai", uma das chamadas "Canções Heróicas" portuguesas que eram entoadas pelo povo contra o fascismo de Antonio Salazar na metade do século XX, é um poema de José Gomes Ferreira musicado por Fernando Lopes Graça. A canção volta agora a ser ouvida em manifestações nas ruas de Lisboa, cantada em coro pelas multidões contra o fascismo presente, vigente, em Portugal.

Acordai,
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz

Acordai,
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões

vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai,
acendei,
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

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Brutal repressão em Madri

Wilson Enríquez

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Polícia espanhola reprime manifestantes com brutalidade

O governo espanhol havia autorizado milhares de cidadãos a manifestarem-se pacificamente nas ruas. O objetivo do povo era mostrar sua indignação contra as medidas econômicas, políticas e sociais do governo e pedir uma democracia real. O chamado foi feito pela Plataforma 25-S (25 de setembro).
Mas, através dos meios de comunicação, alinhados à política informativa estatal, o governo vinha lançando comunicados durante todo o dia. Nesses comunicados, desprestigiavam os manifestantes, afirmando que a manifestação era ilegal e que ia contra a ordem pública, com a clara intenção de provocar medo na população.

Para acabar com a manifestação, perto do Congresso de Deputados da Espanha, a polícia começou a atacar os manifestantes com bastões de borracha, agredindo-os brutalmente. Mas isso não diminuiu a moral dos manifestantes.

Há imagens gravadas que provam que na manifestação se infiltraram dezenas de agentes vestidos de civis (à paisana ou agentes secretos). Eles se dedicaram a prender alguns cidadãos, além de participar da violenta repressão, agredindo fisicamente os presos indefesos por repetidas vezes. Ainda não há um número exato dos feridos durante a manifestação, mas cerca de 30 pessoas foram presas.

Da repressão, não escaparam nem os jornalistas. Eles foram atacados para impedir que filmassem e fotografassem a repressão policial. Várias câmeras foram roubadas pela polícia. Os abusos policiais ocorreram sem limite, não só nas ruas, mas também no Metrô de Madri, onde chegaram a entrar nos vagões para reprimir, à paisana, obviamente.

Porém, a imagem que correu o mundo foi da multidão cercando uma pequena tropa policial chamada a reprimir o protesto. Os policiais tiveram que se retirar sob ataque popular, que deixou vários militares feridos.
Como se sabe, as medidas do governo do "presidente" Mariano Rajoy estão desarticulando o Estado de Bem Estar Social instalado na Espanha e jogando por terra a estabilidade econômica desse país, membro do G-20.

Houve sérios cortes orçamentários na educação, saúde pública, como também houve aumento dos impostos e corte dos auxílios aos desempregados e bolsas estudantis. Soma-se a isso uma escalada de demissões nos postos de trabalho. Nos últimos nove meses mais 374 mil espanhóis foram para o olho da rua e se juntaram à massa de seis milhões de desempregados em todo o país.


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