A praça da arte

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Tendo como base o teatro de rua e o circo, o coletivo Boa Praça circula pelo Rio de Janeiro. Durante um ano ocupa uma praça da cidade, onde apresenta seus espetáculos e recebe convidados, cantadores, cordelistas, músicos, etc, além de realizar oficinas, palestras, bate-papos e debates nas adjacências. Atualmente ocupando uma arena no Morro Azul, comunidade da zona sul do Rio, o grupo se orgulha de unir a cidade com um espaço feito para as artes cênicas.

– O Boa Praça é uma instituição cultural teatral que surgiu há seis anos, quando um grupo de artistas se reuniu e criou um movimento de arte de rua no Rio de Janeiro. O projeto foi adiante com a ocupação de espaços públicos, trabalho em praças, jardins, espaços abertos – fala André Garcia Alvez, um dos fundadores.

– Atualmente somos três à frente do projeto: o artista Léo Carnavalle, a Cia 2 Banquinhos e a Cia Será o Benidito?! Realizamos uma gestão compartilhada, o que faz com que consigamos ampliar o diálogo com a sociedade, porque são três frentes, que em seu repertório, sua história, seu trabalho, se uniram em prol de um projeto maior – continua André, que faz parte do Será o Benidito?!.

Atualmente o Boa Praça desenvolve, na praça ocupada, uma programação de abril a novembro.

– Sempre no último domingo do mês temos as apresentações dos convidados, artistas, parceiros envolvidos com a arte de rua. E na sua adjacência desenvolvemos as oficinas, palestras, conversas, debates, ajudando a revitalizar o local e aquecê-lo artisticamente – expõe.

– No ano passado ocupamos o Méier [Zona Norte do Rio] e trabalhamos os bairros do entorno: Piedade, Lins, Cachambi. Este ano, por conta de falta de patrocínio, editais, não pudemos ocupar Marechal Hermes, como planejamos. Mas, como o nosso pensamento político é que o projeto não pode parar, pegamos nosso fundo de caixa, uma verba mínima que tínhamos, e ocupamos o Morro Azul, no bairro do Flamengo – conta.

– No morro tem uma arena de mais de vinte metros. Pensamos então em revitalizar, integrar esse espaço, que é feito para teatro, dentro do roteiro teatral da cidade. E o nosso grande ganho agora é ver os moradores da comunidade participando, e os moradores do asfalto subindo o morro para assistir aos espetáculos – declara.

André diz que no Boa Praça o importante para o grupo é trabalhar em prol da arte na cidade, com ou sem verba.

– Temos toda a autonomia que a rua nos dá para podermos atuar. Somos donos do nosso trabalho, basta irmos ao encontro do público e realizá-lo. Evidente que além dessa verba mínima que tínhamos guardado, contamos muito com o apoio e a parceria de amigos e artistas que participam do projeto mesmo com cachês irrisórios. Tem artista vindo do Piauí, São Paulo, Minas Gerais etc, se apresentar conosco, pagando a própria passagem – comenta.

– E mesmo em condições mínimas, continuamos realizando, gratuitamente, nossas oficinas diversas: gestão cultural, teatro de rua, perna de pau, palhaço, porque é importante manter esse espaço de desenvolvimento do saber – afirma.

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Espaço aberto para o artista

O Boa Praça, conta André, tem trabalhado com uma programação de circo e teatro de rua, e oferecido espaço para quem quer apresentar a sua arte. 

– Assim como temos o teatro, a dramaturgia pensada para a rua, nós temos também os espetáculos circenses que vão desde os acrobáticos, com malabares, até os de palhaço. E antes de qualquer apresentação principal temos meia hora, às vezes quarenta minutos, dependendo do dia, para que artistas apresentem seus números – conta.

– Aí aparece boneco, dança, música, performance, palhaço, cantador, cordelista. E o que mais tem nos deixado feliz é que as crianças do Morro Azul estão instigadas a apresentar alguma coisa. Estamos desenvolvendo oficinas com a comunidade para desenvolver essas crianças e inspirar o surgimento de novos artistas – continua.

– Para o próximo ano estamos negociando para entrar em Madureira ou Jacarepaguá e desenvolver nosso trabalho. Além disso estamos desenvolvendo, juntamente com outros artistas da cidade, o projeto Territórios Culturais, que  desenvolverá uma pesquisa de cadastramento, reconhecimento e pertencimento do artista para a arte pública – anuncia.

Além do Boa Praça, estão envolvidos no Territórios Culturais os coletivos Tá Ná Rua, Off-Sina, e Cia Brasileira de Mystérios e Novidades.

– Cada grupo vai trabalhar com uma praça e a sua adjacência, desenvolvendo a arte pública, de rua. O Boa Praça ficará com a Saens Peña, na Tijuca, o Tá Na Rua trabalhá a Lapa e o Centro, o Off-Sina ficou com o Largo do Machado, e o Cia Brasileira de Mystérios e Novidades com a Praça da Harmonia, que é na Gamboa – relata André.

– Nós quatro e outros artistas batalhamos muito pela Lei de Artista de Rua, já aprovada, que nos libera para apresentar nosso trabalho em qualquer espaço público, sem nenhum tipo de autorização prévia. Evidentemente respeitando lei do silêncio depois das 22hs, e outras desse tipo. Acredito que essa foi uma grande conquista que todos os artistas de rua conseguimos – conclui André Garcia Alvez.

O site www.boapraca.art.bra é o contato do coletivo Boa Praça. 


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