Guaranis-kaiowá: o grito desesperado de um povo

A- A A+
Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Em outubro circulou na internet uma carta dos 170 indígenas Guarani-Kaiowá, da tribo Pyelito Kue denunciando o Estado genocida brasileiro, que reduziu sua nação a 45 mil pessoas ao longo de séculos de opressão e massacres e agora trama sua expulsão.

A carta causou fortíssimo impacto, pois falava de morte coletiva, que foi por muitos interpretada como uma declaração coletiva de suicídio daquele povo que  vive cercado, é torturado e está sob as miras das balas assassinas dos bandos de pistoleiros a soldo do latifúndio.

Na Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil eles declaram:

"Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminando as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira.

A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui".

A carta é mais um grito desesperado de uma nação que resiste e tem seus direitos violados pelo velho Estado brasileiro.

Ainda que os indígenas não planejem suicídio, dados do Ministério da Saúde apontam que do ano 2000 até os dias atuais, 555 Guaranis-kaiowá cometeram suicídio, principalmente os jovens, devido à terrível situação em que se encontram.

No dia 30 de outubro, o Tribunal Regional Federal da 3ª região cassou a liminar que determinava a reintegração de posse do povo indígena Guarani-Kaiowá. Mas, segundo as lideranças guaranis, é apenas uma vitória parcial. A nova decisão só garante a permanência do povo guarani na terra reivindicada até o final do processo demarcatório em curso e não podem ampliar a área já ocupada, de 10 mil m²; também não podem caçar nem desmatar. O cerco dos pistoleiros e latifundiários continua e, agora, além disso, o governo federal está enviando um grande contingente policial para a área.

 

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja