PM do Rio assassina mais um jovem

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Familiares e amigos protestam durante enterro de Rafael Costa

Na noite do dia 28 de outubro, cinco jovens passeavam de carro pelas ruas de Cordovil, na zona norte do Rio de Janeiro, quando foram abordados por PMs do 16º batalhão. Assim que os jovens pararam o veículo, os oito policiais desembarcaram da viatura atirando. Um dos jovens, Rafael Costa, de 16 anos, foi atingido por um disparo no pescoço e morreu na hora. Entre os sobreviventes estavam os dois irmão mais velhos de Rafael, Robson e Raoni, além dos amigos Felipe e Raphael.

Segundo um dos irmão do jovem, Robson Costa, de 19 anos, depois de atingirem Rafael, os PMs tentaram recolher as cápsulas das balas e um dos policiais ainda teria pressionado o ferimento no ombro do jovem. Revoltados, cerca de 400 moradores do bairro cercaram os policiais, que fugiram em seguida. Rafael era estudante do terceiro ano do ensino médio (antigo segundo grau) e era vice-campeão brasileiro de boxe tailândês.

Segundo nota divulgada pela secretaria de segurança pública do Rio de Janeiro, os PMs teriam se assustado com o som do pneu do carro ocupado pelos jovens, que estourou ao passar por um buraco na Estrada Porto Velho.

Nem mesmo o pneu eu ouvi estourar, só escutei mesmo os tiros da polícia. Então meu irmão desfaleceu, e o carro bateu em outro que estava na frente. Quando eles mandaram a gente sair do carro e deitar no chão, eu me identifiquei como militar. Os policiais então disseram para ficarmos em um canto. Vi que eles estavam mexendo no meu irmão, no pescoço dele. Depois ainda tentaram tirar o corpo do carro e jogá-lo na caçamba da viatura, como se meu irmão fosse bandido. Foi quando a população chegou e disse que ninguém ia fazer mais nada com o meu irmão. Eles tiveram que se afastar. Uma vida inocente se foi — lamenta Robson.

No enterro do jovem, em Cordovil, parentes estavam revoltados e fizeram um protesto na entrada do cemitério de Irajá. Cerca de 350 pessoas bloquearam a via exigindo justiça para os policiais que mataram Rafael. Entre os manifestantes estava o pai do jovem, Valmir Miguel da Silva, 53 anos.

Eu fui conversar com um deles, dizendo que o que ele tinha feito era muito errado. E eles ficaram rindo de mim, debochando. Fizeram isso com meu filho e eu não dou uma semana para fazerem com outro jovem — disse o pai, indignado.

No local onde o rapaz foi assassinado, outra manifestação bloqueou a Estrada Porto Velho. Manifestantes — entre os quais parentes, vizinhos e amigos de Rafael — atiraram pedras contra um ônibus e fecharam a rua com pneus e pedaços de madeira.


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