Eleições no USA: a difícil escolha entre seis e meia dúzia

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Tudo é montado em grande estilo, um verdadeiro show de fantasia e ilusionismo, para passar a ideia de que existe uma disputa cujo resultado modificará profundamente a vida dos habitantes não só daquele país como do mundo inteiro. A alternância verificada entre os ocupantes da Casa Branca tem sido entre o seis e a meia dúzia, ou melhor dizendo, entre o sujo e o mal lavado.

Esta espetacular movimentação demora cerca de dez meses desde o início, em janeiro, com a realização das primárias e a escolha dos candidatos e dos delegados partidários até a eleição em seis de novembro,encobre o fato de que no final das contas um pequeno colégio eleitoral composto por 538 membros escolherá o presidente, independente da vontade da maioria do eleitorado. Isso porque a eleição se dá por estados da federação e o candidato que vencer em cada estado ganha a totalidade de seus delegados e, assim, quem tem mais delegados é que ganha a eleição.

Isto ocorreu em 2000 quando Bush venceu Al Gore. É assim que a tão decantada democracia americana tira do povo o direito de escolher diretamente o seu presidente.

O belicismo no poder

Em sua fase imperialista, decadente, o capitalismo se vale de sua natureza cada vez mais agressiva, brutal e feroz em busca do domínio das fontes de energia, de matérias primas e mercados cativos para as mercadorias de seus monopólios. Ademais que, após a retirada do lastro ouro do dólar, não restou alternativa ao imperialismo ianque do que adotar o "lastro bélico" para convencer a todos a usarem o seu pedaço de papel pintado de verde. Assim sendo, nenhum dos dois candidatos, Barak Obama ou Mitt Romney, alterará esta situação em que a oligarquia financeira e a indústria bélica impõem a qualquer ocupante da Casa Branca.

O último debate realizado entre ambos e que tinha como centro a política externa foi bastante indicativo da semelhança de suas propostas: quando Romney questionou que a Marinha ianque tinha menos navios que em 1917, de pronto Obama respondeu que seu adversário estava muito atrasado, no tempo dos cavalos e baionetas, acrescentando de forma irônica: "Temos essas coisas que se chamam porta-aviões, nas quais os aviões pousam. Temos esses navios que andam embaixo d’agua, os submarinos nucleares." Ou seja, nenhum deles deseja se incompatibilizar com a indústria da "defesa", que é responsável pela manutenção permanente dos ataques perpetrados pelo USA em todos os continentes desde o final do século XIX.

Não é de admirar, pois, que o Sr. Colin Powell, ex-secretário de Estado que já havia votado em Obama há quatro anos, anunciou na rede de televisão CBS que irá repetir o voto. Este senhor foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de seu país durante a Guerra do Golfo em 1991 e um dos responsáveis por comandar o planejamento e o início das operações na guerra do Iraque em 2003, segundo informações publicadas na Folha de São Paulo.

Pelo mesmo motivo não se deve estranhar o fato de Obama ter convidado para continuar a frente do Pentágono o Sr. Robert Gates, secretário de defesa do governo Bush, portanto responsável pela condução das guerras do Iraque e Afeganistão.

Economia sustentada na guerra e no consumismo

Com a transferência de grande parte do parque industrial do USA para a China e outros países asiáticos,a sociedade americana viu-se repentinamente dividida entre um punhado de rentistas e uma grande maioria de endividados, desempregados e dependentes de ajuda governamental, os tais 47% que Romney afirmou dependerem do governo. A crise do crédito que jogou o USA numa recessão, só comparável à crise de 1929, e da qual Obama em seus quatro anos de governo foi incapaz de arremeter a economia após o desastre provocado por Bush, tende a se manter em simbiose com a crise do Euro, já que ambas são parte integrante da crise geral do Capitalismo.

Sendo, portanto, uma crise de republicanos e democratas, os dois candidatos não têm alternativas no plano concreto e se bastam em saídas virtuais nos demagógicos discursos, nos comícios e debates televisivos. Com a crise, tanto republicanos com Bush, quanto democratas com Obama, jogaram rios de dinheiro para salvar o sistema financeiro e depois transferiram a conta para as colônias e semicolônias como o Brasil, onde as transnacionais ianques obtiveram fabulosos lucros que foram enviados às suas matrizes, além da obrigação de ter que fazer aportes de recursos para o FMI.

Reflexos no Brasil e América Latina

Na edição de n°. 77 do AND assinamos o artigo Discurso de Obama para as Américas foi escrito por Bush, nele está bem claro que a mudança de republicanos para democratas e vice-versa, no fundamental, não altera as relações com o Brasil e a América Latina "Desde quando oUSA estabeleceu a Doutrina Monroe, ‘a América para os americanos’, o discurso de todos os seus presidentes não vai direto ao ponto de seus interesses exploradores nem declara abertamente sua vontade opressora. Todos eles, seja Roosevelt, Kennedy, Reagan, Bush (pai e filho), Clinton ou Obama, trazem nos lábios sorrisos afáveis e palavras doces, porém, suas mãos nunca deixaram de segurar o ‘Big Stick’, o grande porrete, que descaradamente uma vez assumiram e que sempre foi utilizado para impor o seu insaciável desejo de dominar o mundo."

"Em março de 2007, o Comando Sul do exército do USA, sob a administração G. W. Bush lançou o documento ‘Estratégia 2016’, sob a palavra de ordem ‘Amizade e Cooperação para as Américas’. Aprofundando seus planos de apertar mais ainda a dominação imperialista, a ‘Estratégia 2016’ propõe aumentar a militarização nesta região através de um formato ao qual foi dada a denominação de ‘interagencial’, ou seja, o Comando Sul do Exército do USA concentraria em suas mãos não só as ações militares propriamente ditas, como todas as demais ações, sejam no campo assistencial, econômico, educacional e cultural".

Bom, qualquer dúvida é só comparar o processo de militarização da sociedade brasileira, a crescente intervenção do exército tanto no campo como na cidade e as diretrizes da "Estratégia 2016". Mas para o imperialismo ianque, mesmo desgastado por não cumprir promessas de melhorias econômicas e sociais, Obama, com sua pose de bom moço, ainda é o preferido para estes tempos de crise e incertezas.


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