Norte de Minas: Divulgação de AND em pré-vestibular comunitário de Montes Claros

Norte de Minas: Divulgação de AND em pré-vestibular comunitário de Montes Claros

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Foto: Comitê de Apoio ao AND – Norte de Minas

O Comitê de Apoio ao jornal AND esteve presente no evento “NÃO DEIXE O RIO VIRAR LAMA. Roda de conversa: exposições e debates sobre os impactos da atividade mineradora”, realizado no último dia 6 de abril pela Rede Emancipa, Movimento Social de Educação Popular. O Emancipa é uma importante iniciativa de jovens universitários e intelectuais comprometidos com a luta popular que promovem atividades voltadas à preparação para o vestibular numa perspectiva crítica e que tem como público prioritário jovens dos bairros pobres da cidade de Montes Claros. Os “aulões” são realizados semanalmente nos finais de semana e, frequentemente, contam com a presença de representantes de movimentos populares.

Passamos toda a manhã junto aos jovens estudantes e ficamos positivamente surpreendidos com o alto nível pedagógico e didático da atividade, que teve como tema “os impactos da atividade mineradora”. Mais de 50 estudantes secundaristas participaram da aula e mais de uma dezena de jovens universitários estavam diretamente envolvidos na organização do evento, que ocorreu numa escola pública na região central da cidade.

Durante o evento, fizemos uma fala saudando a persistência dos coordenadores e professores do Emancipa que, se apoiando nas suas próprias forças, por meio da realização de rifas, feijoadas, doações, etc., mantem de pé este importante projeto. Contribuindo com o debate, distribuímos dezenas de boletins do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de BH e Região (MARRETA) cujo título denuncia “Brumadinho: Crime hediondo da Vale e seus cúmplices do governo federal e estadual contra o povo”. E, como forma de apoiar materialmente o projeto, doamos dezenas de exemplares de edições antigas do AND que, além do objetivo da politização, pode ser muito útil aos estudantes no quesito “atualidades” e na preparação para a redação do ENEM. A recepção dos estudantes, professores e coordenadores do Emancipa foi tão positiva que já iniciamos conversas no sentido de realizarmos conjuntamente outros “aulões” sobre temas como “reforma” da previdência, opressão da mulher, questão agrária, regime militar, etc.

Voltando à exposição sobre “os impactos da atividade mineradora”, a mesma foi dividida numa perspectiva multidisciplinar (de fazer inveja a muitas instituições de ensino superior), da seguinte maneira:

Inicialmente, uma historiadora falou sobre a história da mineração no Brasil, desde o início da colonização portuguesa, passando por temas como o papel da mineração na interiorização da colonização, o papel do trabalho escravo e dos bandeirantes, a mineração no período republicano, os tributos impostos pela Coroa portuguesa como a derrama e sua relação com o movimento da Conjuração Mineira.

Posteriormente, um biólogo, que é professor voluntário do Emancipa, abordou sobre os diversos aspectos dos possíveis impactos da mineração na fauna e flora e para a saúde humana, utilizando como exemplo situações concretas ocorridas no Norte de Minas, explicando conceitos como “cadeia alimentar” e “sucessão ecológica”.

Na sequência, um engenheiro explicou os motivos técnicos dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, demonstrando como tais eventos poderiam ter sido evitados não fosse a ganância dos monopólios, utilizando como exemplo a possibilidade da mineração a seco, que não é realizada pelas mineradoras uma vez que envolve custos operacionais maiores.

Outro expositor foi um representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que, centrando na sua experiência junto às comunidades atingidas pela mineração no Norte de Minas, explicou como a mineração contamina a água (particularmente com arsênio) e prejudica os pequenos pescadores; denunciou a conivência do velho Estado para com os crimes das mineradoras e deu exemplo de crimes ambientais em curso e impunes promovidos por mineradoras canadenses e chinesas nos municípios de Riacho dos Machados, Grão Mogol e Paracatu. Outra informação relevante foi com relação à crise hídrica no município de Montes Claros (já denunciada na edição 198 de AND (https://anovademocracia.com.br/no-198/7643-mg-montes-claros-falta-d-agua-evidencia-caos-social) que, segundo sugere recente pesquisa publicada pela EMATER, poderia ter como um de seus fatores o plantio de mais de oito mil hectares de eucalipto às margens da barragem de Juramento, que abastece a cidade. Completando o ciclo de debates houve a fala de uma arquiteta, que acompanha de perto a situação na região de Brumadinho, mas, em função de outros compromissos do Comitê, não pudemos assistir a sua exposição.

Para quem quiser conhecer e/ou contribuir com o Emancipa os contatos são: (38) 99128-7296 ou pela página https://www.facebook.com/RedeEmancipa/

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