África do Sul: Trabalhadores incendeiam ônibus em greve declarada ‘ilegal’

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Um ônibus da empresa MyCiTi foi incendiado em Khayelitsha. Foto: Phando Jikelo / Agência de Notícias Africana (ANA)

Motoristas do transporte público de Cape Town, na África do Sul, estão em greve combativa há dois meses, exigindo aumento e igualdade salariais, melhores condições de trabalho e fim das terceirizações. A greve, declarada “ilegal” pelo judiciário, está sendo acompanhada por ações armadas, como incêndios e destruição dos veículos como via de pressionar a prefeitura e a empresa a cederem às suas exigências.

Os trabalhadores exigem que a prefeitura passe a contratá-los diretamente, sem o intermédio da empresa MyCiTi, que terceiriza o setor. A terceirização gera precarização e menores salários na busca do lucro máximo, denunciam os trabalhadores. Alguns setores dos funcionários, além disso, recebem mais que outros.

“Nós exigimos que os motoristas sejam pagos igualmente. Nós não recebemos a mesma taxa, por exemplo, alguns motoristas estão ganhando mais, enquanto os outros estão trabalhando por mais tempo. Alguns trabalhadores têm assistência médica, outros não têm.”, expôs um funcionário grevista.

Após mais de dois meses de greve, iniciada no fim da primeira quinzena de outubro e declarada como “ilegal”, os trabalhadores estão enfrentando medidas disciplinares, repressão pelos gerentes da empresa e demissões. No dia 07/12, a empresa demitiu 80 funcionários e contratou novos objetivando encerrar a greve, mas sem êxito.

“Eu não me importo de morrer pelo futuro de meus filhos, porque, no final das contas, o negócio [transporte] foi feito para ajudar as pessoas e agora isso não está acontecendo. Isso por isto que estamos lutando e vamos seguir lutando até a última gota do sangue.”, disse Thandikhaya Chizama, motorista grevista, em entrevista à imprensa local.

A ação armada mais recente ocorreu no dia 10 de dezembro, quando dois homens entraram no ônibus e o incendiaram. Ao todo, mais de cinco ônibus foram totalmente destruídos e outros quatro foram danificados em ataques que se iniciaram no dia 15 de outubro. Segundo a empresa, até o momento as ações geraram um prejuízo de 22 milhões de rand sul-africano (moeda local), equivalente mais ou menos a 1,5 milhão de dólares.

Ações deste tipo se tornaram mais frequentes após o judiciário declarar a luta grevista como “ilegal”.

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