PA: Latifúndio intimida e ameaça expulsar camponeses

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Uma campanha de intimidação está sendo organizada contra camponeses do acampamento Ouro Verde, no município de Santana do Araguaia, estado do Pará. O principal operador das intimidações a mando do latifúndio é, segundo relatos dos camponeses, Noé Justo Oliveira, que diz ser “gerente da fazenda”, cujo pretenso proprietário seria Vitorio Guimarães. O acampamento é organizado pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP).

Os camponeses relatam que Noé Justo anda armado na região, escoltado por dois pistoleiros – um deles, infame na região por seus crimes, é conhecido como Tambor. O trio ronda igrejas e bares da área, onde Noé discursa pomposamente sobre como "comprou o juiz, delegado e a polícia" e que é "amigo do prefeito Iavé". Noé afirma que "a reintegração já está na mesa do prefeito" e que essa ocorrerá no dia 4 de janeiro do ano que vem.

A denúncia da advogada popular, citando o relato dos camponeses, também afirma que essa campanha de terror também é feita de porta em porta das casas do município pelo grileiro Noé, que já declarou que há de "expulsar todos na bala".

Recentemente, os policiais também intensificaram as rondas e patrulhas no entorno do acampamento Ouro Verde “coagindo e constrangendo camponeses”, segundo Lenir. “A situação é grave, pois, a violência está declarada.”, arremata.

Noé Justo, que se diz “gerente”, não tem nenhum contato empregatício com o latifundiário Vitório, o que aumenta a suspeita de que, na verdade, ele é responsável pela pistolagem, segundo camponeses, está sendo preparada para intimidar e ataca-los.

O Acampamento Ouro Verde é fruto de uma retomada ocorrida em 8 de janeiro de 2018. A área foi reocupada por mais de 120 famílias que lá viveram de 2007 a 2010 até ser cumprida reintegração de posse. Entretanto essa reintegração ocorreu em glebas diferentes das quais os camponeses estão assentados e produzem bananas, laranjas, entre outros. As terras onde ocupam, afirmam os camponeses, eram até então improdutivas e por serem públicas podem sofrer processo de reforma agrária – desapropriação do latifundiário e entrega pelos camponeses –, processo que não avança pela conivência do Incra com os latifundiários. 

Camponeses do acampamento de Ouro Verde reunidos em assembléia dentro da área

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