PA: Sem salários, garis de Belém iniciam greve

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Cerca de 1,1 mil trabalhadores das empresas que realizam a coleta de lixo doméstico na região metropolitana de Belém estão em greve desde o dia 21 de dezembro. Segundo relatos dos trabalhadores, eles não recebem há três meses e os caçambeiros não recebem há cinco. No dia 28/12 será realizado um protesto em frente a sede da Secretaria Municipal de Saneamento e os dirigentes da greve afirmam que ela só será encerrada após os pagamentos dos salários atrasados.

De acordo com o trabalhador Odirley Fonseca, três empresas realizam a coleta de lixo na região metropolitana de Belém, destas, apenas uma está realizando o trabalho, enquanto nas demais empresas 100% dos trabalhadores aderiram à greve. Os trabalhadores afirmam ainda que essa situação vem ocorrendo há muito tempo. “A verdade é que a prefeitura de Belém nunca cumpriu o contrato assinado com as empresas em 2016. Eles pagam de maneira revezada; quando pagam uma empresa, deixam de pagar as outras, e assim vai.”.

Para combater a greve, a prefeitura de Belém afirma que os pagamentos estão em dia e o acúmulo de lixo não é devido à greve, mas sim culpa da população. No entanto, cabe ressaltar que Belém está entre as capitais com os piores indicadores de saneamento básico, assim como a coleta de lixo nas periferias não é regular. “Há vários dias estamos tentando acordo com a prefeitura, mas sem sucesso. O secretário de Finanças fez um pronunciamento falando que os valores estavam em dia. Nunca essa prefeitura honra com as suas promessas e não vemos nenhum vereador sequer cobrando isso. Isso tudo é uma mentira. E não adianta os secretários incompetentes falarem que a culpa é da população pelas ruas estarem cheias de lixos.”, afirmou um trabalhador.

Com a firmeza de posição dos trabalhadores e suas consequências atingindo até os moradores dos bairros mais caros de Belém, na noite do dia 27/12, uma empresa realizou apenas o pagamento do salário de novembro; com isso, os trabalhadores decidiram que o serviço funcionará reduzido em cerca de 30%. Os trabalhadores estimam que a dívida da Prefeitura de Belém com as empresas seja alta. “A Prefeitura ainda deve as duas, a Sólida e a Belém Ambiental, que juntas somam algo em torno de R$ 20 milhões. Só a Terra Plena está paga.”, afirmou um dos trabalhadores.

Em nota ao monopólio de imprensa, a prefeitura de Belém reconheceu o atraso, mas afirmou que “os valores referentes à primeira quinzena do mês de outubro já foram pagos para as empresas, e a segunda quinzena será quitada no início de janeiro”. Isso, no entanto, não é suficiente para os trabalhadores quitarem suas contas e sobreviverem.

População reage à piora do saneamento básico

Trabalhadores realizaram um ato em Belém, no início da noite de 23/12, e interditaram com lixo uma ponte na travessa coronel Luís Bentes, esquina com a rua Nova, no bairro do Telégrafo, devido à demora na coleta de lixo doméstico. Os trabalhadores afirmam que a coleta não era realizada há quatro dias.

Os moradores afirmam que no início da tarde houve também interdição da via com realização de queima do lixo. Desta vez, o velho Estado foi rápido: foram enviadas tropas da Guarda Municipal e Polícia Militar para reprimir o protesto.

Já na Rodovia do Tapanã é comum o excesso de lixo, mato, esgoto à céu aberto, além de animais que transmitem doenças atraídos pela sujeira. Segundo os trabalhadores, esse cenário é o mesmo há muitos anos.  “Eu moro aqui no Tapanã há 20 anos e nunca vi uma melhoria. Sempre foi um grande lixão. Tudo aqui é ruim, sem contar que é arriscado”, afirma a dona de casa Vera Suely. Enquanto outros denunciam os transtornos que a coleta irregular de lixo ocasiona, como a autônoma Janaína Portela, 44 anos. “Os motoristas nem gostam de encostar aqui, onde realmente é a parada. Todos param uns 50 metros antes, porque aqui tem muita lama e eles não querem parar.”, protesta.

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