Filipinas: Duterte assume ter praticado estupro em discurso público

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Rodrigo Duterte assumiu em discurso público, no dia 29 de dezembro do último ano, ter abusado sexualmente de uma empregada enquanto ela dormia, quando ele era adolescente. Em sua declaração, Duterte chega ao absurdo de detalhar o que fez com a vítima. O relato foi assustadoramente proferido em público, por livre e espontânea vontade, durante um discurso na cidade de Kidapawan, capital da província de Cotabato.

“Eu levantei o cobertor. Eu tentei tocar o que estava dentro da roupa de baixo”, disse. “Eu estava tocando-a. Ela acordou, foi então que eu saí do quarto.”. Duterte disse ainda que voltou ao quarto da moça para atacá-la novamente.

As declarações de Duterte impactaram profundamente a opinião pública internacional.

“Ostentar práticas abusivas encoraja a permanência da prática de estupro e, neste caso, o abuso sexual de empregadas domésticas.”, disse o diretor executivo da Coalizão Contra o Tráfico de Mulheres-Ásia-Pacífico, Jean Enriquez.

Declarações vexatórias contra mulheres

Essa não foi a única posição ultrajante de Rodrigo Duterte para com as mulheres. Ele obrigou, no início do ano passado, uma mulher filipina que trabalha no exterior a beijá-lo publicamente, durante um evento na Coreia do Sul. Em outra circunstância, Duterte teve a barbaridade de declarar que os soldados filipinos devem “mirar na vagina” de mulheres comunistas.

Em abril de 2016, durante o seu comício de campanha eleitoral, Duterte declarou ser um “desperdício” o fato de não ter sido ele quem estuprado uma missionária australiana, morta em 1989 após ser violentada. Nesse período ele era prefeito em Davao. “Eu estava com raiva porque ela foi estuprada. Isso é uma coisa. Mas ela era tão bonita. O prefeito deveria ter sido o primeiro, que desperdício.”, disse.

A prática generalizada do estupro na velha sociedade

De acordo com a falecida dirigente e fundadora do Movimento Feminino Popular e da Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo do Brasil, Sandra Lima, é incorreto falar em “cultura do estupro” como algo subjetivo e cultural, como se não demandasse a destruição da velha sociedade: “Não existe ‘cultura do estupro’. Existe a opressão particular da mulher dentro da opressão geral do povo”.

Sobre o estupro e a violência sexual contra a mulher, Sandra explica:

“Há na sociedade um pensamento de que o homem pode utilizar do corpo da mulher, queira a mulher ou não: é uma relação de propriedade. E isso não é específico do homem. Isso é a materialização da ideologia que domina nessa sociedade. A ideologia da burguesia impõe que a mulher é cidadã de segunda categoria e deve ser tratada como tal. As mulheres proletárias, por uma condição objetiva — evidente — são o elo mais débil [com relação à mulher burguesa e exploradora] e sofrem integralmente da opressão sexual.”, expôs.

“A opressão da mulher é parte da opressão geral do povo brasileiro pela grande burguesia e latifúndio, lacaios do imperialismo, principalmente ianque. Ela é uma montanha a mais que as mulheres revolucionárias, democratas e patriotas de nosso povo devem destruir organizando-se e se lançando com decisão à luta das massas pela libertação. Só poderá triunfar a libertação das mulheres como parte da libertação de todo o povo.”, concluiu.

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