Mais de 300 mulheres foram vítimas de estupro por ‘João de Deus’

No mês de dezembro do último ano explodiram centenas de denúncias de mulheres que foram abusadas pelo líder religioso João Teixeira de Faria, conhecido com “João de Deus”, em suas supostas sessões de cura. Os diversos casos vieram à tona depois que Zahira Leeneke Maus, uma coreógrafa holandesa, fez uma denúncia pública em uma rede social e foi a um programa de televisão relatar o crime, ocorrido há 4 anos.

O “médium curador” se aproveitava da fragilidade de suas vítimas, que vinham a ele na esperança de encontrar cura para suas enfermidades e acabavam por ser estupradas. “João do Diabo”, como está sendo chamado João Teixeira pela população goianiense, fazia estelionato e chantageava as vítimas a tocar as partes íntimas dele, deixarem ser tocadas, masturbá-lo e ter relações sexuais com ele como único “método” para serem curadas.

Até o momento, são aproximadamente 330 denúncias de mulheres, muitas das quais relatam que sofreram abusos várias vezes. Acredita-se que o número de mulheres violentadas possa chegar a mais de 500, advindas desde a década de 1980.

João Teixeira não era apenas um “líder religioso”, é também uma figura influente politicamente no estado, sendo amigo e parceiro de negócios da alta oligarquia latifundiária goiana. As recentes investigações o apontam como líder de quadrilhas criminosas que atuam na região da cidade de Abadiânia, no interior do estado de Goiás. Ele também tem envolvimento com atividades mineradoras, às quais o deixaram milionário, além de que políticos de todo o país vieram se encontrar com ele. João é dono de dezenas de casas e propriedades rurais no estado, além de ter vários carros de luxo e até mesmo um avião em sua propriedade. Possui uma farmácia que produz remédios “artesanais” em escala industrial e uma conta bancária com R$ 34,2 milhões. Também possui denúncias de charlatanismo, pedofilia, contrabando, atentado ao pudor e homicídio.

As inúmeras denúncias revelam um duplo caráter semifeudal do estado de Goiás e de todo o Brasil. Em primeiro lugar, na relação com que as mulheres são vistas e tratadas, vítimas de exploração e abusos sexuais, só puderam ser ouvidas depois que figuras de renome relataram os abusos, e mesmo assim, há quem acredite que as centenas de denúncias são falsas, ou ainda que “não deveriam difamar uma figura tão importante quanto João de Deus por questões tão insignificantes”. Em segundo lugar, o caráter semifeudal se apresenta no uso de relações religiosas, parentescos e conchavos políticos para perpetuar abusos ao povo trabalhador ao livre gosto dos velhos coronéis do Brasil.

Atualmente, o latifundiário criminoso João do Diabo se encontra preso, mas ainda tem a pachorra de negar todas as acusações, sendo assessorado, como já era de se esperar, pela mais alta cúpula da advocacia aristocrata brasileira.

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