Chile: Estivadores retomam protestos após combativa greve nacional

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Foto: Cristian Opazo / Agencia UNO

Na primeira semana de janeiro (05/01), estivadores chilenos do porto de Valparaíso retomaram os protestos por direitos, paralisando de maneira intermitente as atividades do principal porto do país após a quebra de um acordo por parte da empresa canadense de operação portuária Ultraport.

As paralisações intermitentes foram realizadas por duas horas em todos os turnos de trabalho, e ocorreram dos dias três a oito de janeiro no terminal pacífico Sul de Valparaíso. Além do cumprimento dos acordos, os funcionários exigem a reintegração de 24 operários demitidos por motivos de perseguição política.

A greve dos portuários de Valparaíso teve início em novembro de 2018 e se estendeu por mais de um mês, tornando-se a segunda maior dos últimos 20 anos na região.

A combativa mobilização foi realizada pelos trabalhadores portuários temporários, ou seja, que são apenas convocados a prestarem serviços somente quando há excesso de trabalho no porto.

Vídeo: jornal El Pueblo

Dentre as demandas dos operários estavam: a melhoria das condições de trabalho, o pagamento de um bônus salarial e o compromisso das empresas em não perseguir, nem realizar represálias contra os trabalhadores que tomaram parte nas mobilizações.

Em matéria publicada 28 de dezembro passado, o periódico popular chileno El Pueblo denunciou as condições abusivas a que eram submetidos os trabalhadores temporários: operários contratados no início e despedidos no final de cada turno de trabalho, sem garantias trabalhistas mínimas, nem direitos sociais; não tem estabilidade, nem contrato de trabalho; não tem direito à férias; os dirigentes sindicais não têm direito a foro; são vetados os direitos à maternidade às trabalhadoras temporárias, diferenciando-as das demais; é vetado o direito à greve aos trabalhadores temporários;
O veículo da imprensa democrática e popular chilena denunciou ainda que são frequentes os casos de trabalhadores que prestam serviços por 20 ou 30 anos para uma mesma empresa sem receber nenhuma compensação por tempo de serviço.

A combativa paralisação, vanguardeada pelos estivadores temporários de Val Paraíso, rapidamente se espalhou por outras nove cidades chilenas, atingindo abrangência nacional. A luta conquistou amplo apoio popular, mobilizando milhares de pessoas em protestos de solidariedade, e obrigou o velho Estado chileno e o grupo econômico Von Appen a atender às justas demandas dos trabalhadores.

Os estivadores passaram todo o final do ano de 2018 mobilizados, e estenderam uma faixa com os dizeres: "Se não há natal para os portuários, não há ano novo", em referência aos entraves gerados pela mobilização às festividades de Valparaíso que são tradicionalmente são realizadas no mar, atraindo milhares de turistas.


Trabalhadores resistem aos ataques da repressão

Durante as massivas manifestações, foram inúmeras as denúncias de violações de direitos e ataques contra os trabalhadores promovidos pelas forças de repressão do Estado.

Agressões, torturas, investigação de dirigentes sindicais, tentativas de sequestros e até mesmo ameaça às famílias dos trabalhadores foram relatados.

Frente aos covardes ataques das forças policiais, os estivadores promoveram grande resistência durante os protestos, levantando inúmeras barricadas em chamas e respondendo às bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha com paus e pedras.

Foto: Sebastian Cisternas/ Aton Chile

No dia 17 de dezembro, em uma demonstração clara de violação dos direitos de organização dos trabalhadores, forças especiais da polícia chilena invadiram o sindicato dos estivadores, lançando bombas de gás lacrimogêneo, destruindo as dependências, agredindo e prendendo operários.

No mesmo dia, três manifestantes foram atacados por um carro suspeito nas proximidades da Praça Sotomayor, em Valparaíso, resultando em dois líderes comunitários feridos e um fotógrafo em estado grave.

Foto: Rival

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