RJ: Terceirizado é demitido por avisar visitantes sobre risco de assalto

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O guarda patrimonial Edson Barbosa dos Santos, de 60 anos, foi demitido por “justa causa” após alertar os visitantes da trilha do Parque Lage, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, sobre o risco de assalto.

A demissão foi feita um dia depois de uma reportagem mostrar o guarda em pleno exercício de sua função alertando grupos de visitantes que queriam subir até o Cristo. A iniciativa havia sido incentivada foi pelo próprio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) depois do assalto contra mais de 30 visitantes ocorrido em 3 de janeiro.

Em nota, o ICMBio esclareceu que, por enquanto, a orientação aos vigilantes permanece, mas que não são responsáveis pela “seleção, contratação e/ou demissão dos vigilantes patrimoniais” da empresa terceirizada Angel’s Segurança e Vigilância Ltda., contratada pelo governo federal para fazer a vigilância patrimonial do Parque Lage e de outros imóveis da União.

“Tinha havido um assalto com mais de 30 vítimas. Como não avisar aos visitantes desse risco? Eu dava o meu sangue pela empresa e pelo ICMBio. Conheço tudo aquilo lá.”, afirma Edson.

Vigilantes protestam

Colegas vigilantes de Edson Barbosa fizeram uma manifestação na porta da Angel’s Segurança e Vigilância, em Bonsucesso, em 11 de janeiro contra a fraude da demissão. O presidente do sindicato, Antônio Carlos de Oliveira afirmou que além de Edson, vários outros foram demitidos “por justa causa” ao recusarem os acordos propostos pelos patrões.

“Agora, qualquer coisa é justa causa. Além do Edson, temos 110 vigilantes na mesma situação. O acordo que os patrões propõem é um crime. Quem quer ser demitido deve pagar 40% do FGTS à empresa. Ou seja, a empresa que deveria pagar 40% de multa recebe este valor. Justa causa é a coisa mais desesperadora para um trabalhador. Perde a multa de 40%, não saca o FGTS, perde o proporcional de férias e do décimo terceiro salário e perde o direito de acesso ao seguro-desemprego.”, lamentou o presidente do sindicato.

De acordo com a matéria publicada pelo jornal Extra, Edson dos Santos tem cinco filhos e seis netos. Em mais de 40 anos de trabalho, não conseguiu o suficiente para comprar casa própria. Paga aluguel de cerca de R$ 1.100 e outros mil reais mensais de remédios para a mulher, que sofre de depressão. Ele se desesperou ao imaginar que não terá condições de manter sua casa.

“Demissão por justa causa tira de mim todos os direitos. Como vou manter minha família? Perdi meu emprego por alertar para o risco de assaltos? Isso não se faz. Só quero o que tenho direito. Justa causa é aplicada em situações muito graves. Eu só agi pensando nos visitantes. Tenho um histórico profissional que me credencia.”, protesta o vigilante.

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