São Paulo protesta contra o aumento da tarifa dos transportes

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Um grande protesto contra o aumento da tarifa reuniu cerca de 15 mil pessoas na cidade de São Paulo no final da tarde da última quinta-feira (10). A massa, composta em sua maioria por estudantes e jovens trabalhadores, marchou por cerca de duas horas e meia contra a medida anunciada pelos reacionários prefeito Bruno Covas (PSDB) e o governador João Dória (PSDB).

A manifestação, que partiu do Teatro Municipal, percorreu grande parte da área central da cidade e foi até a Rua da Consolação, uma das artérias do município, que dá ligação à marginal pinheiros, bloqueando inúmeras avenidas.

Durante todo o trajeto, os manifestantes convocaram os trabalhadores que encerravam ou iniciavam suas jornadas de trabalho, entoando gritos como Me diz aí, trabalhador, se o seu salário aumentou!, e Vem pra rua contra o aumento!. Além disso, a massa não se intimidou e pressionou os bloqueios feitos pela polícia com a seguinte palavra de ordem: Deixa passar a revolta popular!.

Muitos manifestantes, espontaneamente, cobriram os rostos com camisetas e lenços, como forma de auto-defesa, e rechaçaram a tentativa dos poucos oportunistas de plantão que queriam convencer a todos que marchassem com o rosto descoberto.

Certo manifestante respondeu: "Vocês tão malucos? Olha a quantidade de câmeras que eles [a polícia] têm e ficam filmando todo mundo, se não cobrir o rosto, eles registram que você tava aqui, e quando o negócio apertar vão na tua casa de buscar. Você pensa que vive em uma democracia? Eu não sou idiota."

Com medo do espectro das grandes mobilizações de massa que inevitavelmente ocorrerão no ano, o velho Estado reacionário mobilizou quase todo seu aparato militar: contingente de centenas de policiais, caveirões, tropas de choque, guarda civil, e até a polícia ambiental. No entanto, a reação não ousou a atentar contra a massa enquanto estava concentrada, e a tentativa de intimidação não surtiu efeito. Somente ao final da manifestação, quando o povo se dispersava, covardemente, a polícia deteve diversos jovens de forma arbitrária, acusando-os de "vandalismo".

Tendo deixado sua propaganda por todo o centro da cidade, o movimento convocou nova manifestação para dia 16, quarta-feira às 17h, com concentração na praça do ciclista.


A CAUSA DO AUMENTO DA TARIFA EM SÃO PAULO

A tarifa dos transportes em São Paulo, passou de R$ 4,00 para R$ 4,30 (aumento de 7,5%), abocanhando fatia ainda maior dos rendimentos mensais da população.

Como sempre, na tentativa de justificar o injustificável, o governo recorreu as já mais que desgastadas desculpas esfarrapadas.  O governador do Estado afirmou aos monopólios de imprensa que o aumento, na verdade "é apenas a correção monetária", culpando a inflação. O que é de se estranhar é que tal "atualização monetária" de forma nenhuma incide com mesmo peso a subida da média dos salários, e muito menos a "atualização" dos salários mais baixos.

Como até uma criança que já é capaz de contar dez com os dedos pode notar, se os dados oficiais do Banco Central indicam um aumento da inflação de 3,69% no último período (conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor - IPCA), é evidente que não se aumentou o preço do transporte simplesmente "em função do aumento da inflação" com quer fazer crer o governo.

Evidentemente, jogar a culpa pelas medidas reacionárias do governo na inflação não é prática nova em nosso país. Mas o que reação tenta esconder dessa vez, com essa papagaiada em relação preço do transporte e a inflação na cidade de São Paulo, é que os "ilustríssimos" senhores parceiros de bandoleirismo do governador, os deputados da assembleia legislativa de São Paulo, chancelaram uma série de ataques aos direitos do povo ao aprovarem o orçamento para 2019.

Conforme é possível verificar no orçamento aprovado no apagar das luzes de 2018, desse ano para 2019, houve uma retirada de 10,5% dos gastos nos transportes, que corresponde a uma queda de um bilhão de reais destinados à área. De tal maneira, evidentemente, o "reajuste" previsto pelo governo nada tem de "atualização monetária", e corresponde verdadeiramente à aberta afronta aos direitos do povo.

Também em outras áreas há cortes significativos: 11% de queda nos investimentos em saneamento (R$ 200 milhões)e 6% de queda nos investimentos em habitação (queda de R$ 100 milhões).

Do outro lado, no mesmo orçamento para o próximo período, os ditos investimentos em "segurança pública", que nada mais são do que os gastos com a repressão direta ao povo, aumentarão em 3% (aproximadamente R$ 600 milhões).

Nota-se que, afogado na inevitabilidade da crise, esse Estado em franca decadência corta os direitos do povo, aumentando o custo dos serviços, para tentar manter os lucros dos monopolistas dos transportes, que antes se mantinham com subsídios mais substanciais por parte do governo.
 
Como se não bastasse, cada vez maior é militarização do Estado, em sua desesperada tentativa de evitar ou aplastar o inevitável, ao gastar fortunas para reprimir o povo, como esse jornal vem denunciando há tempos.

Ao fim e ao cabo, o incremento com os gastos em repressão, enquanto os direitos do povo vem sendo pisoteados, é o reconhecimento, ainda que velado, de que do lado de lá sabe o que está por vir. Como demonstraram as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros - preludiando os novos tempos, há toda uma fúria de milhões a ser desatada pelo aumento de "poucos centavos" no custo de vida das massas.

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