AM: Indígenas realizam ato pela demarcação de suas terras

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Cerca de 100 indígenas de várias etnias realizaram um ato político-cultural no centro de Manaus exigindo demarcação das terras indígenas, contra o projeto de revisão de demarcações anteriores, fim do genocídio executado pelo agronegócio e mineradoras, além de melhorias efetivas nas ações da saúde indígena nas aldeias, no dia 20 de janeiro.

O ato foi denominado como Resistir para existir. Diversas lideranças indígenas de todas as etnias presentes denunciaram abertamente as várias políticas aplicadas pelos mais variados gerenciamentos do velho Estado que fomentam e promovem o extermínio de vários povos indígenas.

A abertura do ato foi realizada pelo Kumu (Pajé) Justino do Centro de Medicina Indígena Bahserikowi’i, centro no qual foi realizado o ritual Kapiwayia. Neste ritual sagrado, com músicas e danças, os indígenas batem firmes com os pés no chão e, segundo o Kumu, a abertura é um claro recado dos indígenas para o velho Estado de que não irão aceitar pacificamente o genocídio dos povos indígenas. “Estamos pisando a lei que o governo assinou.”. afirmou.

“Essa medida vem muito contra os nossos direitos. A gente percebe que isso é muito ruim para os povos indígenas sendo que Manaus possui um grande número da população indígena. A Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime) fez um diagnóstico que há 45 povos na cidade e 16 línguas faladas. A chamada é justamente para que pare esses impactos do governo federal em cima dos direitos indígenas. Estamos aqui todos reunidos como um só com o interesse de paralisar esse retrocesso em cima dos nossos direitos.”, denuncia Turi Satere, atualmente uma das lideranças do Copime.

A liderança Zenilton Mura afirma que a precarização ainda maior da saúde indígena, um dos ataques do velho Estado, irá promover piora para muitos indígenas em muitas aldeias. “Nossa preocupação é que a saúde indígena saia da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e vá para os municípios. Mesmo com a prioridade de ter o Dsei, com atenção voltada para a saúde indígena, temos dificuldades, mas existem polos base, lanchas e estrutura. E se mudar, tudo isso pode acabar.”.

Entre as falas eram realizadas ações culturais como danças e cantos de combate. Em outro momento, as falas dos indígenas denunciavam o total descaso do velho Estado, cenário este que propiciava não apenas assassinatos dos indígenas pela defesa de suas terras, mas também adoecimento e morte dos demais pelas precárias ações da saúde indígena.

“Essa mobilização é para combater essa transferência. Na verdade, apresentamos aqui a nossa insatisfação à medida, tirar a Funai e colocar dentro desse ministério significa que nós estamos mais desprotegidos do que nós já somos. Há uma agressão contra a nossa terra porque é a Funai que está dentro de nossas aldeias, é eles que sabem as nossas realidades.”, denuncia Vanda Ortega uma das lideranças do movimento estudantil indígena.

A liderança indígena da União dos Povos Indígenas do Médio Solimões e Afluentes (Unipi-MSA) André da Cruz, oriundo da etnia Kambeba, exige respeito com as terras indígenas, assim como com sua cultura e com todos os indígenas. “Na nossa região, existem mais de 50 terras que faltam ser demarcadas. Tem umas com providências e outras sem providências. Além de não ter a nossa terra respeitada, nós não estamos sendo respeitados como verdadeiros brasileiros por essa política que entrou com o presidente que está aí. Queremos que nossa terra seja respeitada e nossa cultura forte. Precisamos que o governo brasileiro respeite nossa terra, respeite nossa cultura.”.

O indígena da etnia Mura, Tamilton da Silva, afirma que o povo indígena está cansado de promessas e estão dispostos a defender suas terras. “Já sentimos muito, não temos direitos, e nós não vamos aceitar isso.”.

Durante todo o ato os indígenas, até mesmo de etnias rivais, além de apoiadores se uniam para bradar Sangue indígena, nenhuma gota a mais eDemarcação já!.

Entre as organizações indígenas presentes estavam a Copime, Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam) e demais apoiadores.

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