Brigadas Populares do Pará rechaçam crime da Vale em Brumadinho


Publicamos a seguir nota enviada à redação das Brigadas Populares do Pará em repúdio e condenação ao crime lesa-pátria da mineradora Vale em Brumadinho, com o rompimento da Barragem do Feijão.


Mineração é tragédia monitorada

Desde que a atividade minerária ocorre no mundo sempre foi seguida de tragédia, seja da mais simples a mais complexa, da retirada de argila a de metais, do processo artesanal ao mecanizado, do seu João da draga a Vale. Mas tudo ocorre dentro da permissibilidade pelos governos lacaios do poder econômico que detém o mando pelo poder do dinheiro e pelas alianças políticas espúrias.

A legislação brasileira referente ao meio ambiente possivelmente deva ser uma das mais avançadas do mundo, mas é apenas para fazer de conta e gerar barganha para propinas. Talvez seu João da draga possa vir a ser penalizado mas grandes empresa como a Vale jamais, pois elas mesmas se autofiscalizam, a partir da flexibilização da lei através de resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente, e estas empresas também determinam a política mineral conforme os interesses imperialistas.

Voltemos para as tragédias monitoradas. Elas sempre acontecem dentro de um ambiente bastante fechado, acompanhado, segundo as empresas, por profissionais com alta capacidade técnica, com expedições de laudos conforme a lei, que nunca detectam anormalidades, e são aceitos sem restrições pelos órgãos estatais que deveriam fazer a fiscalização. Todos os questionamentos feitos pela sociedade, sobre os projetos, são cobertos de amplas e falsas explicações sobre segurança dos empreendimentos, e nunca são ouvidos. A situação de Brumadinho já vinha sendo denunciada pela sociedade local, mas sempre desconsiderada.

As tragédias em Minas Gerais vem ocorrendo a séculos. No Pará as mais brutais começam com o saque do manganês da Serra do Navio, no Amapá, nos meados do século XX, depois temos a lama tóxica do saque da bauxita em Oriximiná, a tragédia de Barcarena com a transformação da bauxita em alumina e alumínio e agora temos as tragédias anunciadas com as barragens de rejeito sob o saque do minério de ferro, manganês e cobre, em Carajás, Pará, para onde o governador eleito está solicitando a força nacional para oprimir o povo.

As tragédias anunciadas e monitoradas das barragens de rejeitos dos projetos Salobo, no município de Marabá, e Sossêgo, no município de Canaã dos Carajás, deverão ser as que mais causarão danos ao meio biótico, porque elas acumulam uma grande quantidade de substâncias tóxicas e com uma possibilidade muito grande de se alastrar, por rios que compõem uma bacia, a do rio Itacaiunas. No caso da barragem de rejeitos do projeto Sossêgo que opera desde o ano de 2004, calculamos que haja um acúmulo de no mínimo 200.000.000 m³ de lama tóxica.

Estes dois projetos atingem diretamente importantes afluentes do rio Itacaiunas, como o rio Parauapebas, Salobo e Cinzento. E antes de atingir o rio Parauapebas o projeto Sossêgo atinge o rio Sossêgo que a Vale terminou de alterar brutalmente a qualidade de suas águas com a implantação do projeto S11D, assim como também o rio Pacu e o igarapé Arara.

Mas, enquanto as informações sobre a segurança dos projetos forem mentirosas e nossos sentimentos quanto as tragédias, como aconteceu em Oriximiná(PA), vem acontecendo em Barcarena(PA), aconteceu em Mariana (MG) e agora em Brumadinho(MG), for de apenas dó das pessoas que morreram e famílias que perderam seus entes queridos e pertences, e da necessidade de campanhas para arrecadação de alimentos, roupas e agasalhos, sem procurarmos entendermos o projeto de dominação que as empresas exercem sobre seus trabalhadores e a sociedade, a superexploração da força de trabalho e da natureza, os saques e as tragédias continuarão, e nós lamentaremos.

Num país como o Brasil, que o governo usa dinheiro tomado do povo trabalhador     para financiar estes projetos, que a classe dominante formada de canalhas rouba do povo para servir aos interesses imperialistas, que as forças  policiais agem para matar e reprimir o povo, que o saque das riquezas é permitido, as forças contrárias a este modelo precisam urgentemente se manifestar. Toda reação será justa, desde ações judiciais até manifestações para paralisar os projetos de mineração.

Neste caso, em que a Vale é a maior protagonista das tragédias permitidas, que representa o saque dos minérios feito pelos imperialistas, que com a mineração possibilita a acumulação capitalista e concentração de riqueza por poucos e a pobreza para a grande maioria, e que tudo isso contribui para uma composição de concentração de renda, aumento da desigualdade, e fortalecimento das relações de poder de uma minoria sobre a maioria, entendemos que são para a Vale e o Estado que as lutas tem que se voltar, com a paralização imediata de seus projetos, até que a (des)ordem seja alterada.

“O capital tem horror à ausência do lucro ou ao lucro muito pequeno, assim como a Natureza ao vácuo. Com um lucro adequado, o capital torna-se audaz, 10% certos e se pode aplicá-lo em qualquer parte; com 20%, torna-se vivaz; 50%, positivamente temerário; por 100%, tritura sob seus pés todas as leis humanas; 300%, e não há crime que não arrisque, mesmo sob o perigo do cadafalso. Se tumulto ou contenda trazem lucro, ele encorajará a ambos. Prova: contrabando e comércio de escravos”. (Karl Marx, O Capital. Livro 1). Prova de agora: matança do povo e da natureza.

Este é o sentimento das Brigadas Populares do Pará diante de mais uma tragédia, a de Brumadinho, que parece ser a que mais matou trabalhadores que prestavam serviço para a Vale, do quadro da empresa ou de contratadas, demonstrando seu descaso pela vida humana em defesa do lucro de seus acionistas.  

Ao mesmo tempo que prestamos nossa solidariedade a todas as famílias em luto, queremos conclamar a classe trabalhadora e o povo deste país para lutas permanentes contra a sangria de nossas riquezas, o capitalismo, o imperialismo, a canalha classe dominante e o Estado brasileiro subserviente.

Por uma Mátria livre e soberana!

Marabá, 25 de janeiro de 2019.  

Brigadas Populares Pará

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