Não haverá paz sem a retirada de todas as tropas, crava Talibã

A- A A+

Bandeira do Emirado Islâmico do Afeganistão (Talibã) sendo hasteada em sua representação em Doha, Qatar, 2013.

O Emirado Islâmico do Afeganistão (Talibã) reiterou que só haverá o fim da guerra de resistência nacional quando todas as tropas estrangeiras se retirarem completamente do Afeganistão, no dia 26 de janeiro. O porta-voz do grupo, Zabih Allah Mujahid, disse ainda que encerrou-se a primeira rodada de negociações entre os representantes da Resistência Nacional afegã e os representantes do USA, ocorridas desde o dia 21 de janeiro. 

Na nota, o porta-voz Talibã nega, ao contrário do que foi divulgado em certos veículos dos monopólios de imprensa internacionais, que se tenha chegado a qualquer acordo de paz ou cessar-fogo.

“Até que a exigência da retirada completa de forças estrangeiras no Afeganistão seja cumprida, progresso em outras questões é impossível.”, ressaltou Mujahid. O Talibã também segue, de acordo com Zabih Allah Mujahid, não reconhecendo o governo títere pró-ianque que ocupa a capital Cabul.

As negociações ocorreram na representação diplomático-política do Emirado Islâmico do Afeganistão em Doha, capital do Qatar, aberta em 2013.

Nova derrota do imperialismo ianque

“Isso não pode ser vencido militarmente. Isso está indo para uma solução política”, assim sentenciou o general ianque Austin Scott Miller, encarregado das operações do USA no país, no dia 2 de novembro. Quase um mês antes (04/10), o mesmo general quase foi aniquilado em um ataque realizado por um guerrilheiro talibã durante uma reunião de alto nível entre comandantes militares do Exército "afegão" (tropas locais comandadas pelo USA) e generais ianques.

A guerra iniciou-se em 7 de outubro de 2001 com invasão de tropas norte-americanas e de aliados, juntamente com forças mercenárias locais. O objetivo da guerra era eliminar o poder e a influência que o grupo Talibã tinha sob o território do país, colocando em seu lugar forças locais que servissem melhor a seus interesses econômicos e políticos. A guerra tinha, além disso, uma importância a longo prazo, pois conquistar o Afeganistão é parte da estratégia do imperialismo ianque de estender a sua área de influência para todo o Oriente Médio Ampliado, retirando da região a influência exercida pela Rússia.

O Talibã e sua origem remontam a 1979, quando a juventude e massas camponesas em geral, sob uma orientação religiosa jihadista, organizaram grupos guerrilheiros para combater e expulsar as tropas do social-imperialismo russo. Na ocasião, os social-imperialistas invadiram o país para esmagar as guerrilhas muçulmanas que haviam deposto Mohamed Daoud (então presidente do país que aplicou uma política de subjugação nacional, convertendo o Afeganistão em uma semicolônia do social-imperialismo). A intromissão da União Soviética revisionista no Afeganistão e sua guerra de agressão movida contra a nação – que chegou a acumular 115 mil soldados russos em terreno – resultou em uma das mais vergonhosas derrotas militares do revisionismo e, embora com uma ideologia religiosa e conservadora, as guerrilhas aglutinaram em torno de si toda a nação.

Após a retirada dos soviéticos, em 1989, as várias frentes guerrilheiras dividiram-se em bandos comandados por caudilhos militares em busca de controle territorial e de mais poder. O Talibã, que constituía uma parcela dessas várias guerrilhas, seguiu desenvolvendo uma guerra civil para conquistar o território e centralizar poder, desbaratando outros caudilhos. Em 2001, quando o Talibã detinha 90% do território, ocorreu o atentado contra as Torres Gêmeas, no USA, que foi utilizado como justificativa para iniciar a guerra de agressão que segue até hoje.

Contra a invasão, o Talibã organizou e praticou novamente a guerras de guerrilhas contra o invasor. “O governo talibã pode cair, mas retornaremos aos tempos da jihad e serão estabelecidas novas frentes guerrilheiras. No começo pode ser que as coisas sejam fáceis para vocês. Mas as consequências serão muito severas.”, advertiu ao USA Omar Mohamed, chefe do Talibã, às vésperas da invasão de 2001.

Apesar de ser uma força política e militar feudal, o Talibã cumpre uma das tarefas da Revolução Afegã na atualidade, que é expulsar as tropas invasoras que submetem o povo ao terror e ao genocídio, fazendo valer a soberania e a independência nacionais do Afeganistão.

A retirada das tropas ianques e outros invasores que atuam sob seu mando representa uma vitória da guerra de resistência nacional levada a cabo pelas guerrilhas e pelos combatentes da Resistência Nacional. Ao mesmo tempo, uma vez que o imperialismo passe a utilizar formas de dominação nacional mais sofisticadas (como a dominação econômica, política, cultural etc.), deixando de lado a guerra de agressão, essas forças tendem a capitular e passar a colaborar com a dominação imperialista em troca de serem eles os gerentes de turno a administrar a semicolônia – o que demonstra a limitação de classe do Talibã e sua incapacidade de libertar a nação afegã definitivamente, tarefa esta que só pode ser levada a cabo pelo proletariado, por meio de seu partido revolucionário.

 

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja