Povos indígenas mostram sua força em grande mobilização nacional!

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Maranhão, em Santa Inês, os povos Awá, Ka’apor, Guajajara, Tremembé e Gamella realizam uma marcha - Fotos Mídia Índia


Repercutimos nota do Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas sobre a mobilização nacional de 31 de janeiro de 2019 de vários povos indígenas em todo o país, cujo objetivo foi rechaçar as medidas do novo governo no que toca seus direitos.


No dia 31 de Janeiro, os povos indígenas de todo o país mostraram sua força com uma grande mobilização nacional que faz parte da campanha: Sangue Indígena, Nenhuma Gota a Mais! Tendo repercussão em mais de 10 países, 22 estados e 70 cidades e localidades onde ocorreram atos, passeatas e trancamento de rodovias.

Essa grande mobilização nacional ocorre em um momento em que o novo gerenciamento de turno coloca a questão indígena como um de seus principais alvos do rolo compressor com que passa por cima dos direitos da população, anunciando já em seus primeiros dias uma série de ataques contra os direitos dos povos originários.

Dentro desses ataques, se encontra o desmonte da FUNAI e a passagem da política indigenista para as mãos dos grandes latifundiários do país, o desmonte da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) com municipalização da saúde dos povo tradicionais e o fechamento da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação. Só no primeiro mês do novo governo foram mais de 8 invasões a terras indígenas, além de diversos ataques por parte de pistoleiros e agentes da repressão do Estado, alimentados pelos pronunciamentos do governo que incentivam e dão “carta branca” para que esses crimes ocorram. Em especial se encontra em risco o direito dos povos indígenas ao seu território originário. Não só o governo aponta para a não homologação de mais nenhuma terra indígena e paralisação dos processos vigentes, mas a investida ameaça mesmo os territórios já demarcados, revendo homologações e interferindo na autonomia e o direito de autodeterminação dos povos que ali vivem.

E pior, a mão sanguinária do Estado avança contra os povos indígenas ao mesmo tempo que se autointitulam conhecedores de suas necessidades (vide declaração do carrasco ministro general Heleno) ou se colocam como seus benfeitores (vide a ladra-de-crianças ministra Damares Alves). Os povos indígenas nesse dia 31 mostraram quais são suas reivindicações e que não se contentarão com meias palavras, mas brigarão com unhas e dentes por aquilo que a séculos lhes é negado.

Também afirmam que não vão esperar sentados que o governo tome alguma atitude. Lutarão na marra por seus direitos, como explica Lindomar Terena, cacique e liderança do Conselho Terena, no Mato Grosso do Sul. “As demarcações das terras indígenas, se não for feita pelo Executivo, será feita pelo nosso povo, será feita a autodemarcação dos territórios. Uma vez que o Estado não cumprir o que está na Constituição Federal, os povo indígenas vão se amparar nela e fazer com que nossos direitos sejam cumprido”.

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