Chacina brutal no Morro do Fallet: ‘Os meninos apanharam muito, deu para ouvir eles gritando e chorando’

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Moradora segura camisa com foto de irmãos em frente à casa onde foram mortos Foto: Fábio Guimarães / Fábio Guimarães

Uma operação do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) junto com o Batalhão Operações Especiais (Bope), ocorrida no dia 8, no Morro dos Prazeres, Fallet e Fogueteiro, deixou pelo menos 15 pessoas mortas.

Um grupo de jornalistas foi ao local para ouvir relatos de moradores sobre a operação. Das 15 pessoas mortas, nove delas foi numa mesma casa, na rua Eliseu Visconti. Segundo moradores, dois jovens foram rendidos por policiais em outra casa na localidade conhecida como Biquinha, torturados por 40 minutos e em seguida executados por policiais. Maikon e David Vicente da Silva, de 17 e 22 anos respectivamente, viviam no local com familiares.

— Os PMs entraram no beco por volta das 8h. Bateram nas portas das casas e deram ordem para que entrássemos e não saíssemos mais. Depois bateram na casa onde os meninos estavam. Eles abriram e os PMs entraram. Não dá nem para falar que houve tiroteio. Eles ficaram 40 minutos lá dentro. Os meninos apanharam muito, deu para ouvir eles gritando e chorando. Depois, mataram e levaram os corpos — diz uma vizinha.

Segundo reportagem da Ponte Jornalismo, no Morro do Fallet sete pessoas foram mortas em uma casa e outros quatro – incluindo os irmãos Maikon e David – foram torturados e executados em outras duas casas no Fallet. No Fogueteiro, uma pessoa foi morta. No Morro dos Prazeres, foram três mortos, um dos quais foi levado ainda com vida para o Hospital Souza Aguiar, onde já chegou morto.

A maioria dos corpos chegou à unidade de saúde sem roupas, um claro sinal das execuções com tiros a queima-roupa. No domingo (10/02), outros dois corpos foram encontrados por moradores na mata do bairro de Santa Tereza: Matheus Lima Diniz, de 22 anos, e Michael da Conceição de Souza, de 20, ambos com marcas de tiros e sinais de tortura, como queimaduras pelo corpo.

Segundo levantamento feito pelo Instituto de Segurança Pública, somente entre os dias 30 de janeiro e 8 de fevereiro, ao menos 42 pessoas foram mortas pela PM em operações nas favelas e bairros pobres do estado. Com isso, já são 124 pessoas mortas em operações policiais em 2019. Tudo legitimado pelo velho Estado, nas figuras do gerente estadual Wilson Witzel, do gerente-geral da semicolônia, Jair Bolsonaro, e do Ministro da Justiça, Sérgio Moro e seu recente pronunciamento no qual anunciou um pacote de medidas que autorizam as execuções sumárias de pobres em ações da polícia.

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