Trens da SuperVia se chocam no Rio: 'O trabalhador paga R$ 4,60 para sofrer esse tipo de coisa'

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Foto: Centro de Operações do Rio/Twitter

Na manhã desta quarta-feira, 27 de fevereiro, a reportagem de AND estava se preparando para cobrir uma atividade de divulgação do jornal em Bangu, na Zona Oeste do Rio, quando recebeu a informação de que, na estação de São Cristóvão, na Zona Norte, dois trens da SuperVia se chocaram deixando pelo menos oito pessoas feridas. No mesmo instante, nossa equipe saiu da sede do jornal (que fica em São Cristóvão) e se dirigiu até o local.

O acidente ocorreu no ramal Deodoro entre às 6h30 e 7 horas da manhã. Um dos maquinistas ficou preso nas ferragens e os bombeiros foram acionados. Os outros feridos foram encaminhados para o Hospital Municipal Souza Aguiar.

No meio da tarde, recebemos a informação de que, após mais de sete horas de resgate, o maquinista infelizmente morreu. Ele saiu com um balão de oxigênio, mas, em seguida, ao ser resgatado, os socorristas necessitaram realizar uma massagem cardíaca. Um helicóptero do Corpo de Bombeiros chegou a pousou nas imediações da Quinta da Boa Vista, que fica ao lado da estação.

Como é de conhecimento público, desde que assumiu a malha ferroviária do Rio de Janeiro, em 1998, a SuperVia vem prestando um péssimo serviço à população. Os atrasos, a lotação, os descarrilamentos e atropelamentos não são nenhuma novidade para os usuários dos trens, que são, em esmagadora maioria, trabalhadores que não têm outra opção para se deslocarem de casa até os seus serviços. Além disso, toda essa situação calamitosa é acompanhada pelo frequente aumento abusivo da passagem, que atualmente é R$ 4,60.

Trabalhadores criticam

Ainda no início da manhã, na entrada da estação de São Cristóvão, nossa equipe conversou com algumas pessoas que estavam no local na hora do ocorrido.

— Todo mundo levou um susto enorme. Pessoas caíram no chão. Tratam a gente como se fosse gado, um absurdo. Ainda bem que a maioria não sofreu ferimentos mais graves, mas o maquinista está lá nas ferragens — disse a aposentada Fátima Pereira.

— A SuperVia é assim mesmo. O trabalhador paga R$ 4,60 para sofrer esse tipo de coisa. Todo dia acordamos e vamos ‘chacoalhando’ para o trabalho, às vezes em trens que aprecem latas velhas, no calor, é horrível — criticou o auxiliar de serviços gerais Jorge Silva.

— Muitas vezes o trem não para nas estações e direto dá pane. Tem vezes que o ar não funciona. Já vi senhoras cair no vão entre o trem e a plataforma, que em algumas estações são grandes. Eu sou testemunha de como é isso aqui porque estou aqui todo dia — disse o vendedor ambulante Fábio Peixoto.

— Eu venho de Tomás Coelho [Zona Norte] pelo ramal Belford Roxo. Na minha opinião esse é o pior ramal de trem. Absolutamente tudo nesse ramal é ruim. Aí a gente vê uma coisa dessas aqui em São Cristóvão e fica indignado, não tem como não se revoltar — apontou a comerciante Marcela Guimarães.

Em sua defesa, a SuperVia disse que abriu uma sindicância para apurar as causas do acidente. 

Bombeiros tentam resgatar maquinista. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

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