Venezuela: Agressão via ‘ajuda humanitária’ fracassa e USA passará a seu ‘Plano B’

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Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, Iván Duque, presidente da Colômbia e Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos, posam para foto durante encontro do Grupo de Lima, em Bogotá - 25/02/2019 (Martin Mejia/AP)

O plano do imperialismo ianque de fazer adentrar às fronteiras da Venezuela o arremedo de “ajuda humanitária” por meio de caminhões, no dia 23 de fevereiro, fracassou. Os caminhões, carregados de poucos remédios e uma quantidade miserável de comida, foram barrados pelo governo venezuelano nas fronteiras com a Colômbia e Brasil.

O plano do imperialismo ianque, segundo a Associação de Nova Democracia Nuevo Peru (Hamburgo, Alemanha), era colocar a quantidade ridícula de mantimentos nas fronteiras para atiçar a população local e gerar fato político que criasse uma grande mobilização nacional de massas, que transbordasse à violência generalizada. Isto – analisa a associação – teria o objetivo de desestabilizar e quebrar o apoio de parcela das Forças Armadas ao governo Maduro, colocando-a a favor de Guaidó. Assim, a intervenção imperialista se faria por intermédio de um setor das Forças Armadas que, capitulando, fariam parte da agressão ianque. O plano, semelhante ao plano da “Primavera Árabe egípcia”, naturalmente fracassou.

Houve algumas dezenas de venezuelanos que protestaram, no dia 23, nas fronteiras da Venezuela com o Brasil (cidade de Pacaraima, Roraima), e com a Colômbia (cidade Ureña). Apenas algumas dezenas de soldados da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) desertaram, mas não houve repercussão entre os altos mandos das Forças Armadas da Venezuela, que se mantêm leais a Maduro.

Na fronteira da Venezuela com a cidade colombiana de Ureña, um grupo de supostos venezuelanos, do lado colombiano, chegou a incendiar um dos caminhões de “ajuda humanitária” barrados pelo governo venezuelano. Seu objetivo era acusar Maduro e os militares que asseguravam a fronteira, mas vídeos comprovaram a autoria do bando.

A marionete e lacaio ianque Guaidó chegou a acompanhar um dos caminhões que viajou até a fronteira com a Colômbia. Ele ainda não retornou até a Venezuela.

Na fronteira com o Brasil, por sua vez, um grupo pequeno de supostos venezuelanos, do lado brasileiro, atiraram pedras contra os soldados que asseguravam a integridade territorial venezuelana. Uma base do Exército venezuelano, desativada, foi incendiada pelo bando, com total respaldo do Exército reacionário brasileiro, que os protegia do lado brasileiro.

 

Mike Pence: ‘Todas as opções estão sobre a mesa’

Em reunião do Grupo de Lima, no dia 25 de fevereiro, com a presença do lacaio Guaidó. o vice-presidente ianque Mike Pence ameaçou a nação venezuelana novamente com uma intervenção militar. “Todas as cartas estão sobre a mesa”, afirmou. Ele também confirmou que novas sanções serão aplicadas contra a Venezuela, instando, além disso, que todos os países que se opõem a Maduro façam o mesmo.

Com isso, o imperialismo ianque, por ação direta e por meio de seus lacaios, busca estrangular ainda mais economicamente a nação venezuelana com o objetivo de elevar a insatisfação do povo e de setores das Forças Armadas para com o governo, no objetivo de criar instabilidade e fazê-lo capitular ou criar melhores condições para desatar sua agressão militar.

Já Guaidó irá responder à justiça quando retornar à Venezuela, afirmou o atual presidente do país, Nicolás Maduro. Guaidó desrespeitou uma ordem judicial que o proibia de sair do país. “Ele tem que respeitar as leis.”, afirmou o presidente no dia 25 de fevereiro.

 

Agressão imperialista prossegue, modificando sua forma

Segundo analisou a Associação de Nova Democracia, no documento Rechaçamos que propaguem ideias insensatas e capituladoras que não servem para preparar a guerra de resistência do povo contra a agressão ianque publicado em seu site, o plano do imperialismo ianque fracassado, o “Plano A” executado no dia 23, dará lugar a um “Plano B”.

No dia 23, o “Plano A” consistia em “impor seu governo fantoche e tomar o país, estabelecendo sua dominação colonial, derrotando o governo venezuelano em legítimo exercício por meio da conquista de uma parte das Forças Armadas da Venezuela, para que ficassem a favor de seu fantoche Guaidó”.

Para a Associação, a primeira opção – ou “Plano A” acima mencionado – seria “similar àquele plano aplicado na chamada ‘Primavera Árabe’ no Egito e na Tunísia”, com a diferença de que, neste caso, o objetivo é transformar o país agredido em colônia. “No Egito e na Tunísia, os imperialistas ianques e outros, em conluio e pugna, promoveram o ‘estouro popular’.”, recorda.

Como essa tática de provocar protestos nas fronteiras e quebrar o apoio das Forças Armadas Bolivarianas a Maduro fracassou, a Associação de Nova Democracia avalia que o que está imposto aos ianques agora é “passar à invasão do país”.

“O que os funcionários do imperialismo ianque mostraram em seus tweets, como um vídeo sobre a Líbia, não é apenas sugestivo, nem simples ameaça. Com isso, eles estão sugerindo que tendo falhado seu chamado ‘Plano A’, com o modelo da ‘Primavera Árabe egípcia’, agora corresponde a usar o modelo da ‘Primavera Árabe líbia’, isto é, seu ‘Plano B’.”, declara a Associação.

A guerra de agressão à Líbia, citada pela Associação de Nova Democracia, iniciou-se fomentada pelo imperialismo ianque e por outros como uma guerra civil entre “governo e oposição” e, utilizando-se do pretexto de “crise humanitária” e de defesa dos “direitos humanos”, converteu-se em uma invasão imperialista com tropas da Otan, sob a direção do USA e aprovada pela ONU, com a abstenção da China e da Rússia. Os maoístas peruanos analisam que este é o “Plano B” a ser colocado em marcha atualmente na Venezuela.

A agressão imperialista como “Primavera Árabe líbia” já encontra eco em várias declarações de chefes de Estados ou políticos. O vice-presidente da semicolônia Brasil, general Hamilton Mourão, por exemplo, disse que o Brasil não pretende se envolver ou desatar um conflito direto com aquele país, mas, na noite de 27 de fevereiro, em uma entrevista ao monopólio de imprensa Globo News, declarou que “o cenário da uma guerra civil é possível, pela situação que o país vive”, e disse ainda, em outra ocasião, que “a Venezuela não voltará ao convívio democrático sozinha”.

 

‘Contra a capitulação’

A Associação critica ainda duramente Maduro por ainda acreditar que “não haverá guerra” e iludir as massas venezuelanas com a possibilidade de um possível “acordo que assegure a paz” com o imperialismo. Segundo os maoístas, o governo da nação agredida, ao contrário de buscar acordos infecundos, deveria estar preparando toda a nação para a resistência armada e desafiando frontalmente o maior inimigo dos povos do mundo, o imperialismo ianque.

“Parte dessa crença de paz vem da supervalorização que faz Maduro sobre o apoio dos imperialistas russos e social-imperialistas chineses. Ele acredita que esses países vão se empenhar para salvar Venezuela.”, analisam os revolucionários peruanos. E prosseguem, criticando a ilusão de Maduro de que os russos possam garantir e proteger a Venezuela: “Maduro deveria saber que uma coisa é a Síria e conjuntura específica que ocorreu lá, e outra coisa muito diferente é um país da América Latina, localizado no quintal do imperialismo ianque, que faz parte da principal base da sua hegemonia global. A Rússia não é mais a ex-União Soviética social-imperialista. Embora ainda seja uma superpotência nuclear, tornou-se o ‘cão magro’. Não tem grande poder comparado ao ‘cão gordo’ – o imperialismo ianque –, o seu poder econômico está nivelado com a Itália e é baseado na exportação de commodities e armas, hoje fortemente atingidas pelas sanções do imperialismo ianque. Sanções que demonstram mais uma vez quem é quem”.

A Associação menciona que toda a pressão que fazem a Rússia e a China serve para valorizar seu poder de negociação frente ao imperialismo ianque para, no momento oportuno, arrancar vantagens em negociações que melhor lhes sirva. Como, por exemplo, deixar de apoiar diplomaticamente Maduro em troca de concessões no Oriente Médio ou em troca de alívio em sanções. “Assim é: o imperialismo utiliza a luta do povo como peça de xadrez no tabuleiro, moeda de troca.”, afirmou a associação.

“Rejeitamos essas ideias tolas e capituladoras que não servem para preparar as mentes e os corações do povo venezuelano e todos que são contra a agressão imperialista para fazer uma frente anti-imperialista.”, criticam os maoístas peruanos. “O papel dos maoístas é prepararem-se para resistir e pensar que, no estratégico, o imperialismo ianque é um tigre de papel e por isso, nesse plano, devemos deprecia-lo. No entanto, no tático, devemos enxergar o USA como um verdadeiro tigre, com presas de aço. Devemos estar confiantes que o imperialismo é um colosso com pés de barro e que os únicos e verdadeiros poderosos são as massas dirigidas por seu partido comunista. Afirmamos que um país, não importa o seu tamanho, se ousar confrontar o imperialismo e permanecer firme, desafiando todos os sacrifícios, terá a vitória. Aqui vemos a importância da ideologia do proletariado, do marxismo-leninismo-maoísmo e dos aportes de validez universal do pensamento gonzalo.”, concluem.

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